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Emprego e renda são desafios

metade dos 154 647 trabalhadores formais de jf estao empregados no setor de servicos

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Metade dos 154.647 trabalhadores formais de JF estão empregados no setor de serviços

Metade dos 154.647 trabalhadores formais de JF estão empregados no setor de serviços

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Juiz de Fora inicia 2015 com um cenário econômico desafiador. A redução da criação de empregos com carteira assinada, a explosão na concessão do seguro-desemprego, a dificuldade em reter a mão de obra formada pelas instituições de ensino locais e o valor do salário médio praticado na cidade, fixado em R$ 1.769,07 – 8,5% inferior à remuneração média de Minas Gerais (R$ 1.931,43) e 22% menor do que a nacional (R$ 2.265,71)- são os principais entraves do mercado de trabalho, que perdeu fôlego no último ano.

A possibilidade de 2015 ser o momento da recuperação desta realidade divide a opinião de especialistas. Enquanto existe a projeção de que este será o ano do Governo federal “arrumar a casa”, o que implicaria em menor crescimento econômico para todo o país, também há a aposta de que a inauguração de novos empreendimentos na cidade possa aquecer, e até mesmo reverter, o cenário enfrentado pelos trabalhadores juiz-foranos.

Segundo os dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que consideram a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2013 e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) relativo a novembro de 2014, Juiz de Fora possui 154.647 trabalhadores formais. Destes, 50% estão empregados no setor de serviços, 22% no comércio e 14% na indústria. Os profissionais desses setores recebem, em média, entre 1,5 e 2,4 salários mínimos, valores menores se comparados ao que é pago no estado e no país. Em Minas Gerais, a variação é entre 1,6 e 2,5 salários, e, no país, entre 1,9 e 2,8.

Na avaliação do coordenador do curso de economia da Faculdade Makenzie Rio, Marcelo Anache, o mercado de trabalho juiz-forano se mostra pouco atrativo. “As oportunidades de emprego estão concentradas em três setores que pagam pouco e demandam menor qualificação dos trabalhadores.” Ele explica que, como consequência da oferta e demanda, o valor do salário médio praticado na cidade é baixo, e os profissionais qualificados que aqui se formam tendem a migrar para outros centros.

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Comércio é o segundo setor que mais emprega em Juiz de Fora

Além disso, ele destaca que a baixa remuneração pode ter contribuído para a explosão da demanda pelo seguro-desemprego na cidade. De janeiro a outubro do ano passado, foram concedidos mais de 46 mil benefícios, conforme dados do MTE e da Unidade de Atendimento Integrado (UAI). O número é o triplo do total verificado há dois anos (15.801). Anache analisa que, antes da divulgação das novas regras para a concessão do benefício, feita pelo Governo no início desta semana, o trabalhador que ganhava até dois salários mínimos e trabalhava durante sete meses poderia achar o seguro um bom negócio, pois, colocando as contas no papel, ele recebia, com a demissão e os benefícios, o valor equivalente a um ano de trabalho.

Agora, com as novas regras, houve mudança no período mínimo trabalhado para que o profissional ganhe o seguro. A primeira entrada no benefício, que antes poderia ser feita após o rompimento de contrato de seis meses de trabalho, será permitida apenas com o mínimo de 18 meses seguidos. A segunda exigirá 12 meses, e a terceira continuará sendo de seis meses.

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O economista e coordenador do curso Executive MBA Gestão Empresarial do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF), Guilherme Ventura, concorda que o salário médio é reflexo da oferta do mercado. “É importante que se aumente a demanda pelos trabalhadores qualificados para que a remuneração média também aumente. Para isso, é necessária uma economia mais aquecida.”

Ele destaca que 2014 não foi um ano propício para esta mudança, visto que o mercado de trabalho local enfrentou um momento de retração, com diminuição da criação dos empregos formais. “Os dados do Caged mostram que, no seu agregado, a cidade teve um desempenho fraco ao longo do ano.” De janeiro a novembro de 2014, foram criadas 1.037 oportunidades, saldo 60,7% menor do que o registrado no mesmo período de 2013.

Para o economista e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Ricardo Freguglia, a cidade vem perdendo força econômica. “O município sempre teve um papel econômico importante para a região, mas, ao longo do tempo, essa importância tem sido reduzida.” Ele compara que, em 2001, o salário médio praticado na cidade era 32% maior do que o verificado na Zona da Mata e, em 2010, a média local era 20% superior à regional. “Essa redução tem sido gradativa.”

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O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi,reconhece que a geração de empregos foi “pouco positiva” no ano passado. “A cidade foi reflexo do momento econômico que o país viveu. Além disso, um ano com Copa do Mundo e eleições prejudicou os nossos setores do comércio, serviços e turismo.” No entanto, ele acredita que a situação pode ser revertida em 2015. “Alguns empreendimentos irão garantir oportunidade de novos empregos para a cidade.”

Após período difícil, um ano de ‘ajustes’

A expectativa dos especialistas é que o Brasil passe por um período de ajustes em 2015. Depois de um cenário econômico instável no ano passado, com taxas de juros e de inflação subindo a galope, ocasionando endividamento e redução de investimentos e consumo, este deve ser o momento para “organizar a casa”. “As diretrizes políticas que serão estabelecidas com o novo mandato da presidente Dilma irão impactar diretamente o cenário econômico nacional. Será um ano de ajustes, em que o Governo deve controlar os gastos e, dificilmente, haverá crescimento econômico”, analisa Marcelo Anache. “É difícil estar otimista com relação ao mercado de trabalho. A grande preocupação é que os sinais de enfraquecimento enfrentados em 2014 se mantenham ao ponto de aumentar a taxa de desemprego no país. Pois, até um certo ponto, o Brasil conseguiu manter a empregabilidade.”

Com relação ao cenário local, Guilherme Ventura acredita que 2015 será desafiador. “Será um ano de ajustes no país e que, naturalmente, terá reflexo na cidade. Assim sendo, a curto prazo não há fatores positivos que modifiquem de forma significativa o mercado de trabalho ou que elevem o salário médio praticado na cidade.” Ele aponta que o maior desafio será “buscar novos ‘motores’ para a economia local num momento em que o Brasil passa por ajustes.” Ele avalia que será necessário “buscar investimentos que demandem pessoal mais qualificado como, por exemplo, o Parque Científico e Tecnológico”.

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O secretário André Zuchi concorda. “O ano de 2015 dará uma continuidade ao que foi 2014. Há chances de Juiz de Fora se sobressair ao cenário nacional. Para isso, é necessário continuar atraindo investimentos, pois a dinamização da economia garante que a cidade enfrente com menor dificuldade os reflexos e impactos que virão desse contexto.”

Promessas de investimentos para JF

A inauguração de empreendimentos nos setores de comércio e hotelaria são as apostas para reverter a realidade do mercado de trabalho juiz-forano este ano, conforme elenca o secretário André Zuchi. “São empreendimentos que vão gerar novos empregos e renda para a cidade. Acredito que poderemos ter uma realidade melhor da que está sendo projetada para o país.”

Ele destaca que este ano haverá a inauguração de dois hotéis na cidade, o Independência Trade Center e o Nobile, e do Shopping Jardim Norte. Só o último empreendimento será responsável pela criação de mil empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos. “Estes negócios irão trazer fôlego para o mercado de trabalho e maior competitividade para os setores de comércio e serviços.”

Mão de obra qualificada

Sobre a dificuldade da cidade, considerada polo de ensino da região, em reter a mão de obra qualificada que é formada aqui, Zuchi aposta na atração de novos investimentos e conclusão das obras do Parque Científico e Tecnológico da UFJF. “Por isso é importante a dinamização da economia. Temos que atrair novas empresas de comércio, serviços, indústria e, também, de base tecnológica, que demandam profissionais com maior qualificação e oferecem maiores salários. O Parque Tecnológico nos dará uma grande contribuição neste sentido.”

Zuchi salienta que, com o aumento do número de voos no Aeroporto Presidente Itamar Franco, Juiz de Fora retoma seu lugar na rota de investimentos. “Temos vários atrativos, dentre eles uma localização privilegiada. As operações no aeroporto irão contribuir para o interesse de novos investidores.”

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