As reclamações contra o atendimento presencial da Cemig têm sido recorrentes entre os juiz-foranos, que relatam demora nas filas e ausência de sistema preferencial para gestantes, idosos e portadores de deficiência. Segundo os usuários, em alguns casos, o tempo de espera ultrapassa duas horas e há vezes em que não se consegue solução, sendo necessário retornar à agência. Este ano, a Tribuna esteve duas vezes no local, nos dias 21 de março e ontem. Em ambos os casos, as queixas foram semelhantes.
Para solicitar ligação nova de energia elétrica, a dona de casa Bruna dos Reis, 26 anos, ficou duas horas na fila ontem. Acompanhada da sogra e dos três filhos, ela resolveu ficar sozinha na fila enquanto a família a esperava do lado de fora. "Lá dentro está muito abafado e só duas pessoas atendendo, as crianças estavam ficando inquietas." Apesar da insatisfação com o atendimento, ela comemorou ter conseguido a solução. "Pelo menos, não terei que vir aqui de novo." A aposentada Maria José Medeiros Batista, 73 anos, não teve a mesma sorte. Ela diz que, desde a semana passada, está tentando ligar a luz em sua casa, e a previsão é de que fique até sábado sem solução. "Adquiri o imóvel com débito. Já regularizei as contas, mas mesmo assim ainda estou no escuro. Recebi a visita de um técnico que me aconselhou retornar à agência e expor minha situação. Voltei e tive a mesma informação. Outro técnico irá a minha casa, até o dia 9, para verificar meu caso."
O técnico em contabilidade Flávio Lúcio Lima, 50 anos, também engrossava a lista dos indignados. "Fiquei uma hora para pagar conta. Sempre que venho aqui enfrento problemas, mas desta vez foi pior. Só há dois guichês funcionando no pré-atendimento e a fila é única, não há sistema preferencial. Quis falar com o gerente, mas até para entrar em contato com ele é preciso senha." Segundo Lima, a infraestrutura também é inadequada. "Muita gente, ambiente fechado e sem ar-condicionado. O som dos telefones é péssimo, você não consegue ouvir nem ser ouvido."
As reclamações ouvidas pela Tribuna ontem não se diferem das relatadas há pouco mais de três meses, quando o empresário Vinícius Passos Filho, 46 anos, precisou fazer uma ligação nova e também enfrentou transtornos. "Demorei duas horas e vinte minutos para ser atendido. Havia cerca de 50 pessoas na fila e apenas três guichês. Não vi política de preferência para idosos e grávidas." Por conta da demora, o empresário F.J.P, 37 anos, que preferiu não se identificar, conta ter comparecido quatro vezes à agência para trocar a titularidade da conta de luz. "Cheguei a pegar a senha para o pré-atendimento, mas nunca podia esperar na segunda fila por causa do expediente de trabalho."
Segundo dados do Procon-JF, o número de reclamações contra a Cemig aumentou 37,7% no primeiro semestre deste ano, quando foram recebidas 186 queixas, em relação ao mesmo período de 2011, quando foram registradas 135. O atendimento não é alvo de reclamações específicas, mas é citado informalmente pelos consumidores. De acordo com o chefe do departamento de atendimento do Procon-JF, Oscar Furtado, não há legislação sobre tempo de espera em filas deste tipo de serviço.
De acordo com a assessoria de comunicação da Cemig, em média, são realizados 700 atendimentos presenciais diariamente, e o tempo para cada um deles depende do tipo de demanda. A empresa ressalta que possui fila preferencial, conforme estabelecido em lei, e que idosos, gestantes e portadores de deficiência são abordados durante o pré-atendimento, realizado por quatro funcionários, e encaminhados para os 12 guichês que o local dispõe. A companhia também diz que conta com ar-condicionado, oferece água para os usuários e os 12 telefones da agência passam por manutenção regularmente. A Cemig destaca que, além do atendimento presencial, o usuário pode recorrer ao telefone 116 e online, ao site www.cemig.com.br e ao e-mail atendimento@cemig.com.br .
