Ícone do site Tribuna de Minas

Suspenso temporariamente reajuste de água

578151162

578151162

Para juíza, município tem que instituir órgão regulador
PUBLICIDADE

Para juíza, município tem que instituir órgão regulador

PUBLICIDADE

A Justiça suspendeu temporariamente o reajuste de 6,5% das tarifas de água e esgoto da Cesama, que entraria em vigor a partir do último domingo, 1º de abril. A juíza da 1ª vara de Fazenda Pública, Ana Maria Lammoglia Jabour, acatou ação civil pública do Ministério Público que questionou a ausência de um órgão regulador no município que avalie e fiscalize os aumentos tarifários, conforme exigido pela Lei Federal nº11.445. A decisão foi publicada no último dia 27. A lei entrou em vigor em janeiro de 2007 e estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, tornando obrigatória a existência de um órgão que seja responsável, dentre outras funções, por definir padrões e normas para a prestação de serviços, além de prevenir e reprimir abusos econômicos.

"Existe um processo que tramita há cinco anos e, diante da inércia para esta implantação, decidi suspender o reajuste, pelo menos até a data da audiência de conciliação", explica a juíza. Na decisão interlocutória, Ana Maria Jabour deferiu pedido do MP para "determinar realização de audiência de tentativa de conciliação para o dia 9 de abril, sendo que a Cesama deverá se abster de lançar majoração até a realização da audiência." No texto, a juíza especifica ainda que "não se trata de decidir o percentual de aumento, que, diga-se pode até ser correto. Trata-se de garantir à sociedade a participação do órgão regulador tal qual previu o legislador federal."

De acordo com o promotor Plínio Lacerda, o resultado é positivo para o município. "Não podemos ter um reajuste sem a presença de um regulador. "Há cerca de duas semanas nos reunimos com representantes da Cesama para pedir a suspensão do aumento mas, como isto não foi feito, tivemos que entrar com a ação. Agora, cabe avaliar se este órgão será criado no município ou se haverá um convênio com a entidade que realiza este serviço em nível estadual." A Cesama, por meio de sua assessoria, informou que irá se pronunciar sobre a decisão somente após a realização da audiência.

Em Minas, a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário (Arsae-MG) é responsável pela fiscalização de 615 municípios atendidos pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), além de Passos e Itabira, que possuem convênio com a entidade.

PUBLICIDADE

Reajuste

A planilha de cálculos para o reajuste das tarifas de água e esgoto foi apresentada no mês passado pelo diretor-presidente da Cesama, Cláudio Horta Mendes, em audiência pública realizada na Câmara Municipal. Segundo os dados apresentados, o aumento de 6,5% representa reposição inflacionária pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e atinge 505 mil usuários de água na cidade (índice de 98,94%). Com a coleta de esgoto, o número chega a 500.800, o equivalente a 98,12% do total.

PUBLICIDADE

Em Juiz de Fora, 89% das unidades consumidoras se enquadram na categoria residencial e, deste total, quase 91% estão na faixa de consumo até 20 metros cúbicos (m³) de água por mês. O reajuste de 6,5% na tarifa acarretaria um acréscimo de R$ 4,26 no mês ou R$ 0,14 ao dia na conta da maior parte dos juiz-foranos. Para aqueles que consomem 10 m³ de água por mês, o aumento seria de R$ 1,70 por mês ou R$ 0,06 por dia. Já para as famílias com consumo mensal de até 5 m³ de água, o reajuste representaria alta de R$ 0,82 por mês, ou R$ 0,03 ao dia.

Sair da versão mobile