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Cesta regional custaria 2,3% a mais

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Gastando R$ 6 a mais, o juiz-forano poderia consumir uma cesta básica mais próxima de suas necessidades nutricionais e mais parecida com seus hábitos alimentares. Este é o resultado da regionalização da cesta básica, desafio proposto a especialistas na área, que analisaram e discutiram os 13 itens que compõe o modelo nacional. Para eles, é preciso incluir alimentos produzidos na Zona da Mata, que fazem parte do hábito alimentar da população. Além de se aproximar da realidade local, seria uma forma de valorizar a produção rural, fomentar a agropecuária regional e reduzir custos.

O coordenador de pesquisas da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), Júlio Alvarenga, encampou a ideia e idealizou uma cesta regional. Reduzindo quantidades de três dos 13 produtos que compõem a cesta nacional e incluindo seis alimentos consumidos em nossa região, ele reuniu 19 itens. Alvarenga escolheu diminuir a quantidade de tomate, batata e carne bovina, que apresentam intensa oscilação de preços. Incluiu carnes, com o pernil suíno e o frango resfriado, farinha de mandioca crua, macarrão tipo espaguete, fubá e folhosos, como couve, almeirão e alface. Para consumir este novo modelo, os juiz-foranos pagariam R$ 266,95, 2,3% a mais do que o valor na cidade da cesta nacional – R$ 260,70 (ver quadro). "Seria o mínimo atual, não o ideal", esclarece.

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Na avaliação de Alvarenga, a cesta nacional, criada na década de 1930, é limitada, está ultrapassada e precisa ser repensada. "Com a atual formação, considero a lista de alimentos exagerada em alguns itens e deficitária em outros, principalmente hortifrútis." Para compor o modelo regional, Alvarenga tomou por base o consumo típico dos moradores do Campo das Vertentes até a divisa com o Rio de Janeiro, incluindo a Zona da Mata. O recorte, segundo ele, é importante, já que as cidades mineiras, de acordo com a localização, sofrem a influência culinária de estados com os quais faz divisa, como Bahia e Goiás.

Na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), uma equipe formada por nutricionista, pedagoga e engenheiro agrônomo discutiu a questão e chegou à conclusão de que seria interessante a criação de um modelo para a Zona da Mata. Conforme a nutricionista Wilma Oliveira Melo, a cesta atual é deficiente em vitaminas e minerais. No modelo idealizado pelos especialistas, foram incluídos couve, laranja, ovo, peixe, queijo minas e goiabada cascão.

Segundo a pedagoga Maria da Glória Camargos Pereira, coordenadora regional de bem-estar social, são alimentos tradicionais, que fazem parte do hábito alimentar da população, estão disponíveis na Zona da Mata e propiciam uma dieta mais completa em termos nutricionais. "A inclusão destes alimentos valoriza a produção, fomenta a agropecuária regional e possibilita a redução de custos, por serem alimentos produzidos na própria região", explica o coordenador regional de Horticultura da Emater em Juiz de Fora, Noel de Aquino Campos. Na sua opinião, a difusão do consumo e o aumento da demanda por produção significam geração de emprego e renda para os agropecuaristas, principalmente o agricultor familiar, predominante na região.

 

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Pesquisador defende inclusão de lácteos

O pesquisador e professor do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, Junio César Jacinto de Paula, também aprova a regionalização, como forma de incentivar a agricultura familiar. Ele defende a inclusão de derivados do leite, como queijo minas e bebidas lácteas, a exemplo do iogurte. "São produtos muito nutritivos, característicos de Minas Gerais." O pesquisador cita o fato de o estado ser o maior produtor de leite do país. A produção mineira chegou a 8,7 bilhões de litros em 2011, conforme a Pesquisa Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O quantitativo representa 27% dos 32,1 bilhões de litros produzidos no Brasil. Na avaliação de Junio, a inclusão poderia estimular o consumo de lácteos.

Já o chefe da Seção de Agroqualidade da CesaMinas, Joaquim Oscar Alvarenga, destaca a importância de frutas e hortaliças na dieta dos mineiros. Ele avalia que, dentre os alimentos de maior produção e volume de comercialização na região, como banana, tomate, batata, laranja e cebola, apenas os dois últimos não constam da cesta nacional. Para Joaquim, o consumo mais regionalizado significa redução de custos com transporte e distribuição, além de fomento à produção regional.

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Amapá tem cesta com 38 alimentos regionais

No Amapá, há uma cesta básica regional com 38 alimentos, quase o triplo de itens da nacional. É composta por produtos comuns à mesa do amapaense, como jerimum (abóbora), charque, dourada (peixe da região), leite em pó, açaí, goma de tapioca, macaxeira e camarão salgado. O custo, em dezembro, chegou a R$ 844,83, considerando apenas os gêneros alimentícios. "O Amapá é pioneiro neste tipo de pesquisa mensal, que avalia a variação dos preços dos produtos de consumo local", explica o secretário de Estado do Planejamento, Orçamento e Tesouro, Juliano Del Castilo.

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A cesta regional foi criada em 1996, mediante a necessidade de um índice específico de produtos, baseado nos hábitos de consumo de uma família composta por cinco pessoas adultas e ganhos mensais de até seis salários mínimos. A atualização de preços foi suspensa em 2002 e retomada no ano passado.

De acordo com o secretário, a cesta regional contribui para um melhor planejamento público, privado e familiar. A iniciativa permite, ainda, a verificação dos índices inflacionários e econômicos com maior precisão no Amapá, já que muitos produtos consumidos pela população daquele estado não constam na cesta básica oficial, explica.

"O monitoramento mensal da cesta regional é fundamental para a população, porque garante melhor acompanhamento da variação de preços de produtos da região, que são realmente consumidos pelos amapaenses." Para o secretário, a medição regional é um exemplo a ser seguido. "O Brasil é um país de dimensões continentais, que possui toda uma lógica de regionalismo não presente nas pesquisas dos institutos nacionais." Com isso, acredita, há uma lacuna nestas avaliações, que deixam de fora a variedade de produtos consumidos no dia a dia pela população de diversas regiões.

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Acompanhamento

Todos os meses, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acompanha, em 18 capitais, a evolução de preço dos 13 produtos que compõem a cesta nacional, assim como o gasto mensal de um trabalhador para adquiri-los. Em dezembro do ano passado, a cesta mais cara foi apurada em São Paulo (R$ 304,90). Belo Horizonte está em quarto lugar no ranking, com R$ 290,88.

Os menores valores médios foram apurados em Aracaju (R$ 204,06), Salvador (R$ 227,12) e João Pessoa (R$ 237,85). Ainda conforme o Dieese, na média das capitais pesquisadas, a jornada de trabalho necessária para a compra dos alimentos essenciais seria 93 horas e 54 minutos, considerando o salário mínimo.

A metodologia da Pesquisa Nacional da Cesta Básica usada pelo Dieese foi estabelecida pelo Decreto Lei 399. Na norma de 1938, consta que os 13 produtos valem para todo o país, mas as quantidades mensais diferem por região. O país foi dividido em três regiões e Minas Gerais está no mesmo grupo que São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. O Dieese foi procurado, mas preferiu não comentar o assunto.

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