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Com 4G à porta, 3G ainda falha

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Ainda este ano, os juiz-foranos podem começar a contar com a tecnologia 4G, a quarta geração em velocidade de transmissão de dados e a mais avançada disponível no país. Apesar de, oficialmente, o prazo para instalação em cidades de 500 mil habitantes ser maio de 2014, Juiz de Fora pode se beneficiar de sua condição de candidata a Centro de Treinamento de Seleção, ou base camp, na Copa do Mundo e ver a tecnologia oficialmente disponível em seu território mudar de padrão até 31 de dezembro. Nas últimas semanas, porém, pouco mais de um ano antes de a bola rolar nos maiores estádios do país, torcedores que foram ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio acompanhar os jogos realizados pelo Flamengo na cidade fizeram coro nas redes sociais para protestar sobre a instabilidade no acesso à internet 3G no local, em função de falhas na cobertura de, pelo menos, duas operadoras.

Longe dos campos, o problema é constante para a administradora de empresas Flávia Rocha. Ela, que está disposta a desistir do modem 3G que adquiriu, comenta que o uso é restrito à noite e que, mesmo não buscando alta velocidade, não consegue utilizar o serviço de forma minimamente satisfatória. "O sinal cai o tempo todo. Tem dias que acesso e está tudo bem, mas, na maior parte do tempo, a conexão cai e não volta." Há cerca de quatro meses ela sofre com o problema. "Decidi que não quero, vou cancelar."

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O designer Vinícius Peixoto considera "ridícula" a qualidade do sinal do 3G em uso no seu smartphone. Apesar de ter contratado um serviço vendido como ilimitado, ele comenta que, muitas vezes, não consegue carregar uma foto em aplicativos, nem atualizar o seu perfil em redes sociais. "Quando reclamo que a velocidade está lenta, dizem que vão dar reforço no sinal. Melhora em algumas horas. No outro dia, no entanto, o problema continua. Como a cidade vai contar com o sistema 4G, se falta estrutura no modelo atual?"

 

Reclamação formal

Na falta de dados específicos sobre problemas relacionados ao 3G na cidade, vale a estimativa do Serviço de Defesa do Consumidor (Sedecon), da Câmara Municipal, de que pelo menos 80% das reclamações sobre telefonia formalizadas no órgão referem-se ao serviço. No Procon, as queixas contra telefonia celular cresceram 16,6%, passando de 758 no ano passado para 884 este ano, considerando o período de 1º de janeiro e 13 de maio. Em relação aos provedores de internet, a alta foi ainda maior e chegou a 21,6%, passando de 420 para 511 atendimentos no mesmo período analisado.

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Para o chefe do departamento de Orientação e Solução de Demandas do Consumidor do Procon, Oscar Furtado, até hoje o 3G não é plenamente satisfatório. "Se começar a implantar o 4G sem que o 3G esteja em pleno funcionamento, termos muitos problemas." O coordenador do Sedecon, Carlos Alberto Gasparete, reforça a necessidade de melhorar o serviço antes de disponibilizar a quarta geração. "Está se criando um sistema novo, mais caro para o usuário, sem, entretanto, saber se vai ter qualidade." Segundo Gasparete, as queixas mais comuns são sobre áreas de sombreamento, falta de viabilidade técnica para instalação e velocidade abaixo da esperada. "3G, hoje, é uma dor de cabeça."

 

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Velocidade real não chega a 12% do potencial

A possibilidade de contar com velocidades de até 100Mb/s (megabit por segundo) para download (receber dados) e 50Mb/s para upload (enviar dados) é tentadora. Hoje, os juiz-foranos convivem, na cidade, com acessos reais, em média, entre 300 Kb/s (kilobit por segundo) e 2 Mb/s, muito inferiores ao potencial do atual sistema 3G (42 Mb/s para download e 11,5 Mb/s para upload). Conforme a Anatel, as velocidades são "teóricas" e dependem de fatores, como quantidade de frequência disponível para a operadora, equipamento compatível e número de assinantes conectados.

"Em Juiz de Fora, raras vezes obtêm-se valores acima de 5Mb/s", atesta o professor de sistemas móveis do curso de engenharia de telecomunicações do Centro de Ensino Superior (CES/JF), Almir Gonçalves Pereira. Segundo o especialista em telecomunicações, os principais fatores que reduzem a disponibilidade de "altas velocidades", de forma isolada ou em grupo, são: topografia, obstruções provocadas por paredes e prédios, maior distância das estações rádio-base (antenas ou sites 3G), poucas estações e elevado número de usuários para um mesmo site. O uso móvel do equipamento também pode prejudicar o serviço, já que deslocamentos rápidos comprometem a velocidade do aparelho.

O especialista identifica muitas áreas de "sombra" em Juiz de Fora. No Centro, onde existe mais oferta de sites 3G, a alta densidade de edifícios prejudicaria os sinais. Já nos bairros mais afastados, os problemas são o reduzido número de estações e a distância entre elas, além da maior quantidade de usuários por site, especialmente no horário de retorno para casa. Para ele, quanto mais antenas 3G forem colocadas, melhor a distribuição dos sinais, maior a disponibilidade de canais e menor a incidência de áreas de "sombra". "Basicamente, a solução está no número do aumento de sites."

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Antenas

A Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), por meio de sua assessoria, informa que é responsável pela liberação de instalação de rádios-base. Caberia a Anatel, no entanto, conceder o alvará de funcionamento. A secretaria diz que pedirá às operadoras que informem a área de cobertura 3G na cidade. Não há prazo definido para divulgação do levantamento. Não foi informado o número de antenas em funcionamento, nem de projetos de novos sites que estariam em análise na pasta.

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A restrita oferta de antenas em comparação ao número de linhas – 3.300 linhas por antena no país, enquanto nos Estados Unidos seriam mil linhas por antena -, foi abordada pelo deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT) em audiência realizada, em meados de maio, na Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa. Para ele, este é o motivo de lentidão no tráfego de dados das redes 3G, exigindo investimentos por parte das operadoras.

Para Almir, as empresas só irão investir em mais sites 3G se houver chance de retorno. "Um site pode custar muito caro, dependendo de onde será instalado e de sua equipagem. É lógico que, como clientes, esperamos que a velocidade seja sempre maior ante a que necessitamos, o que nem sempre é possível." O professor argumenta que a implantação do 4G pode até ser mais tranquila do que a do 3G, mediante a possibilidade de compartilhamento da infraestrutura existente, daí a expectativa de que os prazos estipulados pela Anatel sejam respeitados. Na sua opinião, é possível atender melhor os usuários através do 4G, mesmo que o serviço 3G não seja satisfatório. "Pelo fato de o 4G permitir maior velocidade de conexão, os usuários sentirão mais facilidade para usar aplicativos mais exigentes em termos de quantidade de dados a serem trocados." Para ele, no entanto, sempre existe o risco de "frustração".

A Tribuna procurou todas as operadoras em atuação na cidade. A Vivo anunciou a implantação e a comercialização do 4G em Juiz de Fora até dezembro, o mesmo cronograma da Anatel para sedes e subsedes da Copa do Mundo. Segundo a operadora, a cobertura será superior aos 50% da área urbana, mínimo estabelecido pela agência para municípios com este perfil. Sem citar números, o posicionamento, é que "os indicadores gerais da rede 3G da Vivo em Juiz de Fora são bons". A operadora, no entanto, reconhece que pode haver variação conforme distância da antena, horário do dia com fluxo de clientes usando a rede e obstruções físicas. "A Vivo tem diversas expansões em andamento na cidade para este ano, como implantação de novas antenas que propiciarão ganho de capacidade e melhorias em algumas áreas, além de aumento da capacidade da rede atual."

No caso da Claro, o lançamento do 4G no município está previsto para até maio de 2014, considerando o cronograma da Anatel para cidades com mais de 500 mil habitantes. Conforme o diretor regional em Minas Gerais, Erik Fernandes, a operadora possui cobertura 3G em toda a área urbana da cidade. Segundo ele, são feitos investimentos constantes para ampliar a rede e reforçar a cobertura na região. "Sobre as áreas de sombra, a rede de telefonia celular está sujeita a essas obstruções no sinal, decorrentes, em geral, do relevo da região ou da alta densidade das construções no local."

A TIM afirma que atende 100% da população urbana em Juiz de Fora com a tecnologia 3G. Apesar de haver cobertura na cidade, a informação é que o serviço de telefonia móvel está sujeito a fatores externos, como áreas de sombra em função de relevo ou construções próximas e capacidade de recepção dos aparelhos utilizados, que podem gerar dificuldades pontuais para realização ou recebimento de chamadas e tráfego de dados. Sobre o 4G, o posicionamento é que será cumprido o cronograma estipulado pela Anatel para implantação da tecnologia em municípios com mais de 500 mil habitantes (até 31 de maio de 2014).

Segundo a OI, caso exista mudança no status de Juiz de Fora em relação à Copa do Mundo, a companhia vai agir de acordo com as determinações do órgão regulador. Enquanto isso, afirma a assessoria, a operadora compromete-se a cumprir, também, o cronograma estabelecido pela agência para municípios com o perfil de Juiz de Fora. Sobre o atual serviço de 3G, o posicionamento é que existem hoje 96 sites (antenas), inclusive de 2G, distribuídos pela cidade.

A Anatel explica que o não cumprimento total ou parcial do cronograma e das obrigações de atendimento aos municípios poderá implicar na perda de autorização para prestar o serviço. As regras foram estabelecidas em junho do ano passado, em licitação para o uso de faixas de radiofrequencia, inclusive a de 2,5 GHz (Giga-hertz), utilizada internacionalmente para prestar serviços com tecnologia 4G. A verificação do cumprimento é realizada por meio de processo administrativo. Se for constatado o descumprimento ao final do trâmite, a prestadora pode ser multada em até R$ 50 milhões.

 

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