
Mesmo com a recente queda no preço do cacau no mercado internacional, os chocolates típicos da Páscoa continuam pesando no bolso do consumidor em 2026. É o que revela a pesquisa divulgada pelo Procon de Juiz de Fora à Tribuna de Minas nesta quinta-feira (2), com análise de produtos vendidos em estabelecimentos físicos e virtuais da cidade.
O estudo, realizado entre os dias 16 e 27 de março, abrangeu 35 lojas físicas e seis sites, incluindo grandes redes e marcas conhecidas do setor. A análise comparou preços de ovos de Páscoa e outros chocolates, além de considerar fatores como composição dos produtos, embalagens e presença de brindes.
Um dos principais destaques do levantamento é a grande diferença de preços entre os estabelecimentos. Segundo o Procon, essa variação reforça a importância de o consumidor pesquisar antes de comprar. Outro ponto de atenção é o custo por peso: em muitos casos, ovos de Páscoa são significativamente mais caros do que barras de chocolate com a mesma quantidade.
Queda no preço do cacau não chegou ao consumidor
A pesquisa também traz uma análise econômica do setor e explica por que a queda no preço do cacau ainda não foi sentida pelo consumidor. Entre 2024 e 2025, a commodity atingiu valores recordes, ultrapassando 12 mil dólares por tonelada, impulsionada por problemas climáticos na África, principal região produtora do mundo.
Apesar de uma redução nos preços entre 2025 e 2026, o impacto no varejo não é imediato. Isso ocorre porque a indústria trabalha com estoques adquiridos meses antes, quando os custos estavam mais altos. Além disso, o preço final do chocolate não depende apenas do cacau, mas também de outros fatores, como logística, embalagens, energia e margens de lucro.
Outro aspecto apontado pelo estudo é a mudança na composição dos produtos. Para compensar o aumento do cacau nos últimos anos, fabricantes passaram a reduzir o teor do ingrediente e aumentar a quantidade de açúcar e gorduras, o que pode impactar na qualidade do chocolate.
De acordo com o Procon, essa dinâmica ajuda a explicar por que, mesmo com a queda da matéria-prima, os preços permanecem elevados. “As empresas tendem a repassar rapidamente os aumentos de custos, mas demoram mais para reduzir os preços quando há queda”, destaca o relatório.
Diante desse cenário, a principal recomendação ao consumidor é redobrar a atenção na hora da compra. Comparar preços entre lojas, observar o valor por peso e avaliar se os brindes e embalagens justificam o custo adicional são estratégias que podem ajudar a economizar.
A pesquisa conclui que, em 2026, a Páscoa acontece em um momento atípico: embora o cacau esteja mais barato, o chocolate segue caro — exigindo ainda mais planejamento por parte de quem não abre mão da tradição.
