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Mercado para técnicos cresce em Juiz de Fora

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No Dia Mundial do Trabalho, a dica vai para quem não quer esperar muito tempo para ter a carteira assinada. Está aberta a temporada de inscrições para cursos técnicos em Juiz de Fora. A partir de amanhã, os interessados podem se candidatar a mais de 600 oportunidades oferecidas pelas instituições da cidade. A formação intensiva de cunho prático e curta duração (até dois anos) tem sido o passaporte de muitos para o mercado de trabalho. De acordo com a área escolhida, o percentual de empregabilidade varia de 80% a 100% em Juiz de Fora.

A técnica em leite e derivados Bárbara de Cássia Ferreira Santiago conhece de perto estes percentuais. Da sala de aula do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) ingressou direto no mercado. Bárbara formou-se em setembro. Três meses antes, porém, já era contratada do laticínio em que estagiava. Hoje é coordenadora de laboratório da Gemacom Tech. "O curso técnico direciona de forma muito eficiente e rápida para o mercado. A indústria te busca."

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O caminho hoje percorrido por Bárbara foi trilhado por Arthur Oliveira Campos há três anos. Técnico em mecânica pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF) Sudeste de Minas Gerais, Arthur formou-se em 2008, em plena crise econômica. Apesar do cenário adverso, conseguiu emprego quatro meses após a conclusão do curso. Hoje atua como vendedor técnico da Movimec Automação Industrial. Em sua opinião, o mercado atual está mais aquecido, em função da falta de mão de obra especializada.

Para o gerente da unidade Senai Centro Integrado de Desenvolvimento do Trabalhador (CIDT), Ricardo Aloysio e Silva, o diferencial do curso técnico é o fato de as competências serem determinadas pela própria indústria. "Todo conteúdo está de acordo com o que é requerido pelo mercado." Outro aspecto positivo, avalia, é que boa parte dos docentes é oriunda da própria indústria, "levando uma realidade mais consistente para salas de aula e laboratórios".

Para Ricardo, os cursos técnicos são opção também para quem pretende ingressar em uma faculdade ou já possui formação superior. Ele explica que graduados matriculam-se nos cursos técnicos em busca de embasamento prático para fortalecer o conhecimento acadêmico. "É essa liga entre teoria e prática que faz a diferença."

Segundo o chefe do Centro de Ensino do ILCT, Gerson Occhi, a média de empregabilidade no curso técnico de leite e derivados passou de 70%, nos últimos três anos, para 100% em 2010. Occhi afirma que todos os 27 alunos formados em setembro- colegas de Bárbara – estão empregados. Além disso, grandes empresas nacionais já estariam de olho na próxima turma. Occhi afirma que executivos de uma indústria especializada em produtos lácteos, localizada no Rio Grande do Sul, chegam à cidade em junho dispostos a contratar profissionais. "O mercado está altamente receptivo." Hoje o ILCT oferece 30 vagas por semestre. O ensino é integral, e a duração é de dois anos. A formação é focada em leite e derivados, e as oportunidades de emprego vão de laboratórios a indústrias, passando por empresas de insumos. A próxima seleção para admissão de alunos está marcada para julho.

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O reitor do IF Sudeste de Minas Gerais, Mário Sérgio Costa Vieira, considera que a média de empregabilidade chega a 80% nos cursos cujos profissionais são mais procurados pelas empresas juiz-foranas: mecânica, edificações e eletrotécnica. De olho no crescimento do segmento ferroviário, foi criado curso técnico na área este ano. Para 2012, uma novidade deverá ser a retomada da formação voltada para atuação em estradas, com enfoque em topografia. A reabertura das turmas, segundo o reitor, é motivada pela elevada procura por estes profissionais na região. Para o segundo semestre, o IF Sudeste disponibiliza 135 vagas para formação de técnicos na cidade. O prazo de inscrições começa amanhã.

Estímulo

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Na quinta-feira, o Governo federal lançou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec), que visa a intensificar a expansão da educação profissional em todo o país. Entre os objetivos, estão expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos técnicos e profissionais de nível médio. A intenção é inaugurar 120 escolas técnicas até 2012 e direcionar alunos da rede estadual para o Sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac).

 

Expansão motiva abertura de novos cursos

Em função da produção de caminhões em Juiz de Fora pela Mercedes-Benz, o gerente da unidade CIDT, Ricardo Aloysio e Silva, não descarta a possibilidade de criação de novos cursos a médio e longo prazos voltados para esta nova realidade. Atualmente, comenta Ricardo, está havendo a adaptação física para posterior ampliação da unidade do Senai localizada na planta da montadora. O gerente afirma que cerca de 90% dos alunos do curso de produção veicular costumam ser absorvidos pela Mercedes. O Senai CIDT também oferece as opções de mecatrônica e desenhista projetista. Por semestre, são abertas 125 vagas destinadas aos cursos técnicos. O processo seletivo para novas turmas será aberto amanhã.

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De olho na chegada de empresas da cadeia produtiva metal-mecânica à cidade, o Senai Centro de Formação Profissional José Fagundes Netto disponibiliza 70 vagas para técnico em metalurgia a partir do segundo semestre. Segundo o diretor José Cláudio de Andrade Biscotto, é a primeira vez que o curso será aberto à comunidade. Em sua opinião, o crescimento industrial e a falta de mão de obra elevam as chances de empregabilidade deste profissional. "A empresa exige a formação técnica como condição para admissão, mesmo que se tenha muita prática e experiência." Atualmente, 500 alunos estão matriculados nos cursos técnicos regulares. O número de oportunidades para o próximo semestre chega a 270 na unidade. Dentre as cinco modalidades existentes, a maior procura, tanto de candidatos quanto de empresas, é por mecânica. No Senai, a formação dura dois anos.

A demanda por profissionais de logística motivou a Faculdade Senai de Tecnologia de Juiz de Fora (Fatec) a criar o primeiro curso técnico na área de todo o estado. Conforme o diretor Vander José Montessi do Amaral, é grande a expectativa pelo início da operação do Aeroporto Regional da Zona da Mata, com vocação para transporte de cargas. A Fatec oferece 35 vagas por semestre, e a preparação se estende por um ano e meio. Para Amaral, a procura deve crescer de tal forma que a formação, em termos quantitativos, não será suficiente para suprir a necessidade do mercado regional. "As empresas nos procuram um tanto quanto desesperadas, querendo para ontem esse profissional." Na Fatec, as inscrições serão abertas amanhã.

Para a analista de Recursos Humanos (RH) Clarice Scoralick Vassalli, a chegada de empresas do setor siderúrgico, a conversão da planta da Mercedes e o início das atividades do aeroporto vão demandar este tipo de mão de obra "em grande escala". Pela suas contas, 40% da procura do Grupo Let Juiz de Fora são por técnicos.

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Além da capacitação técnica, a analista recomenda qualificação constante. 

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