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Sobe demanda de jovem por crédito

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Em Juiz de Fora, jovens entre 18 e 25 anos concentram 17% das vagas no mercado formal e recebem, em média, R$ 711,40 o equivalente a 68% do salário médio praticado na cidade (R$ 1.051,40), conforme balanço mais recente da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), referente a dezembro de 2010. Para concretizar seus sonhos, que vão da compra de bens de consumo, como celular de última geração, à abertura do próprio negócio, essa parcela da população tem procurado cada vez mais o crédito.

Estudo da Serasa Experian aponta que a participação do jovem na demanda por financiamento no ano passado foi a maior dos últimos quatro anos entre as demais faixas etárias, passando de 15,7% em 2008 para 18% em 2011. Dentre os grupos sociais mapeados pelo órgão, considerados "periferia jovem", concentram a maior procura: 40,5%. Nele estão jovens trabalhadores de baixa renda, de baixa qualificação, excluídos do sistema, na informalidade e estudantes da periferia. Entre os produtos mais consumidos, estão celulares, carros e motos. Para o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro, a crescente formalização do mercado de trabalho tem beneficiado a população de baixa renda, principalmente aqueles até 25 anos. "Além de maior estabilidade no emprego, passam a contar com comprovante oficial de salário, que estimula e facilita o acesso a mercados específicos, como os de crédito e telefonia."

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As fisioterapeutas Ana Paula Nogueira Teixeira, 28 anos, e Luciana Clemente de Abreu Rezende Lamas, 27, estão nesse universo. Há cinco anos, assumiram dois financiamentos para montar a clínica Reabilitar.

No final de 2011, voltaram a recorrer ao crédito bancário para equipar e expandir o negócio. Não tiveram dificuldade de contratação. "A preocupação é pegar somente o dinheiro necessário e investi-lo no projeto e não em outras finalidades", explica Luciana. Para que o investimento fosse bem-sucedido, as sócias buscaram orientação profissional. Aprenderam a formular plano de negócios e a dimensionar o capital necessário. "Enfrentamos os desafios de sermos jovens demais e não termos tanta credibilidade junto aos bancos. Superamos com muita responsabilidade, cautela e informação."

A estudante Taylaine Cardoso Padilha, 17, planeja trilhar o mesmo caminho. A aluna do ensino médio terminou o curso e conta as horas para sacar os R$ 3 mil previstos no Programa Poupança Jovem. A iniciativa do Governo mineiro prevê a liberação de R$ 1 mil por série concluída para os estudantes da rede estadual. O saque só pode ser feito ao final dos três anos, com o cumprimento de metas como não repetência. Taylaine integra a primeira turma a sacar o crédito em Juiz de Fora.

Para ela, cuja família inclui três irmãos e sobrevive com o salário mínimo recebido pelo pai, R$ 3 mil é muito. Com antecipação de dois saques de R$ 100 cada, permitidos por ano de aprovação, a estudante já comprou roupas, calçados e "algumas besteiras", como diz. Com os R$ 2.800 restantes, pretende montar um salão de beleza, junto com amigas. "Quero ter o meu negócio e ajudar a minha família. Tenho amigos que vão gastar tudo com roupa, celular e aparelhos eletrônicos. Eu vou cuidar do meu futuro."

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Planejamento

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Na opinião do economista Antônio Flávio Luca do Nascimento, a pesquisa atesta a realidade da contratação de crédito para suportar hábitos de consumo criados pelo aumento da renda familiar principalmente das classes C e D. "O crédito é importante e deve ser administrado com competência. Facilita as compras e os investimentos. Sem o crédito, a economia ficaria inerte. É preciso, no entanto, ter a consciência. Não podemos gastar e assumir compromissos além das nossas rendas", aconselha.

 

Saúde e beleza são setores preferidos

Apesar de os focos de interesse empresarial serem distintos, Ana Paula, Luciana e Taylaine têm uma característica em comum: atuam (ou pretendem atuar) em dois dos setores preferidos pelos jovens empreendedores em Juiz de Fora: saúde e beleza. Segundo o gerente regional Macro Leste do Sebrae, João Roberto Marques Lobo, esta fatia tem ampliando sua participação no mercado. Em alguns segmentos, como tecnologia da informação (TI) e empresas de eventos, a tendência também é expressiva. "Com o crescimento do número de empreendimentos por oportunidade, principalmente junto ao público jovem, a demanda por crédito é real."

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João avalia que, além da oferta pelas instituições financeiras, há outras formas de obtenção de financiamento para formalizar o primeiro negócio, como as empresas chamadas venture capital, que atuam como investidores financeiros. "Elas exigem plano de negócio detalhado para verificar se o empreendimento dará o retorno financeiro desejado. Normalmente, o investimento é direcionado para aquisição de máquinas e equipamentos, além de capital de giro para os primeiros meses de funcionamento." Na avaliação de João, ao contratar crédito, o jovem empreendedor deve saber se as prestações não comprometerão o capital de giro. "Na fase inicial da empresa, o faturamento ainda é baixo."

O presidente do Conselho Jovem da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora, Alexandre Silveira, identifica a iniciativa de os jovens da cidade buscarem crédito visando a transformar uma idéia em profissão. Segundo Alexandre, a contratação inicial é mais difícil, em função da falta de experiência.

Ele destaca o especial interesse pelas áreas de eventos e comunicação digital em Juiz de Fora. Com a experiência de ter iniciado a atuação profissional aos 16 anos, com a realização de eventos, Alexandre, que demanda crédito com frequência, define: "para ser empreendedor, o jovem precisa ser criador, jamais um devedor."

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Bancos facilitam crédito a universitários

Na Caixa Econômica Federal, o público até 25 anos representa cerca de 15% da clientela ou 8,2 milhões de consumidores de crédito universitário e outros produtos em todo o país. Para os que estão na faculdade, são oferecidas facilidades como cesta de serviços com valor reduzido, além de cartão de crédito e cheque especial, inclusive sem comprovação de renda. A instituição atua como agente financeiro do Programa de Financiamento de Ensino Superior (Fies) do Ministério da Educação e oferece linhas de crédito para realização de cursos de pós-graduação, com financiamento que varia de R$ 1 mil a R$ 30 mil.

A gerente regional da Pessoa Física da Caixa, Clara Lúcia Bessa Camargo Barbosa, confirma a maior busca de crédito por esta clientela na cidade. "A economia está mais aquecida, a facilidade de crédito aumentou e esse público está mais antenado." O objetivo, segundo Clara, é iniciar o relacionamento ainda na faculdade, de forma que, quando estiver trabalhando, este estudante continue cliente.

Balanço divulgado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) mostra que os jovens entre 18 e 24 anos concentram 19% da inadimplência no município em fevereiro, atrás da faixa etária de 39 a 40 anos, que lidera o ranking, com 28% .

Para o economista Guilherme Ventura, é preciso analisar não apenas a demanda, mas também a oferta de crédito para jovens. "Existe uma tendência de os bancos procurarem relacionamento e fidelização de clientes de menor faixa etária, permitindo maior rentabilidade potencial das contas." Entre os fatores positivos desta realidade, ele cita a expansão do crédito e a maior "bancarização" da economia, permitindo escala e competitividade das instituições financeiras. Entre os negativos, reconhece o risco de aumento do endividamento médio e menor capacidade de formação de poupança de longo prazo pelos mais jovens. Segundo Ventura, o crédito permite uma antecipação do consumo ou do investimento. "O preço desta impaciência é pago com os juros", lembra.

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