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Entrevista André Zuchi, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico de Juiz de Fora

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Em entrevista à Tribuna, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico de Juiz de Fora, André Zuchi, reconhece que a recessão no mercado externo pode impactar Juiz de Fora no próximo ano, garante os investimentos já contratados, mas admite a possibilidade de revisão nos cronogramas em função da crise. O secretário destaca os esforços visando a diversificação da economia, a aposta em setores como o automotivo e a construção de uma base industrial forte que, na sua opinião, deve se refletir em elevação da média salarial a médio prazo.

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Tribuna – Qual a sua perspectiva para 2012? Como espera que a cidade esteja e quais são os reflexos do cenário macroeconômico atual?

André Zuchi – Do ponto de vista do Brasil, vejo com um pouco de cautela. O cenário internacional não está acompanhando. Temos problemas em Europa, Estados Unidos e Ásia. O cenário não é muito positivo e, obviamente, atinge diretamente planos de investimento de todas empresas. Quando acontece reversão de expectativa, a primeira conta refeita é a do investimento e pode trazer alguns reflexos. Do ponto de vista local, o ambiente econômico melhorou, e a reversão da expectativa foi muito grande. Muitas empresas contrataram investimento ao longo de 2010 e 2011. Provavelmente, vamos sofrer, mas sofrer menos, porque já temos contratada quantidade de investimento suficiente para deixar a cidade avançar. Vai haver um certo ajuste na economia, não tão profundo. Juiz de Fora, no entanto, está bem posicionada em função desse trabalho todo que foi feito ao longo dos últimos dois anos, o que nos dá fôlego. Estou otimista, mas com essa ressalva do cenário nacional.

As empresas contratadas estariam garantidas para Juiz de Fora. E como fica a situação das demais?

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Todos os investimentos estão caminhando. São quase R$ 1,5 bilhão. Mercedes-Benz e Votorantim Metais representam os maiores investimentos e estão garantidos. Açotel, Codeme, Brafer, Companhia Brasileira de Usinagem(CBU), Jas, AG Plast, Samag, AlmaViva, Parque Científico e Tecnológico, Webtec estão contratados, e os investimentos estão encaminhados. O que pode ocorrer é que as empresas podem refazer o cronograma, pode haver pequeno atraso na execução das obras. Para esses já contratados, eu não vejo muita dificuldade que todos serão realizados ao longo de 2012.

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E investimentos que chegaram a ser anunciados, como a Ferrous Resources do Brasil, como ficam?

Outro dia, em um evento, encontrei com o pessoal da Ferrous. É um caso típico de que o cenário macro influencia diretamente no negócio. Eles estão fazendo todos os ajustes, continuam trabalhando na prospecção das áreas, no projeto conceitual e na obtenção de licenciamento ambiental, mas dependem de parceiro estratégico. A ampliação da área de especial interesse econômico e o conjunto de benefícios que se estende a eles foram comunicados. Agora, é preciso ter um pouco de paciência e aguardar uma reversão do cenário.

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O comércio cobra muito a concretização do Shopping Popular e a revitalização do Centro. Como ficam os projetos?

No caso do Shopping Popular, a gente tem buscado parceiros. Ainda não conseguimos um parceiro para construí-lo. Precisamos dele. Estamos tentando conciliar estacionamento com shopping para atrair investidor que possa fazer parceira com a Prefeitura. Quanto à revitalização do Centro, o projeto da Praça da Estação está bem encaminhado. Estamos procurando aprovar uma Lei Rouanet para trazer a iniciativa privada, ajudando no aporte de recursos. A Prefeitura não tem recursos suficientes para fazer tudo.

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E a falta de áreas industriais?

É um dos grandes gargalos. Avançamos muito no marco regulatório. Fizemos um arcabouço jurídico que resultou na aprovação de mais três leis: a do incentivo de ISS para prestadores de serviço nos setores ferroviário e aeroviário, a lei de incentivo aos parques tecnológicos e condomínios empresariais e a expansão da área de especial interesse econômico, da Mercedes-Benz até a divisa com Ewbank da Câmara. Área é a nossa grande dificuldade, principalmente acima de 500 mil metros quadrados. Não existem áreas públicas. O custo da área é muito alto em relação à média do Vale do Paraíba (Resende e região), um dos grandes competidores que temos de enfrentar, junto com Uberlândia. Quando somos procurados por um grande projeto, temos uma parceria com o Estado e partimos para a compra. Para projetos menores, partimos para uma ação frequente no país que são os condomínios empresariais. A construção passa a ser privada e não pública. Nós, como setor público, precisamos apenas regular, criar leis de incentivo e agilizar a aprovação de projetos. É o que deveríamos estar fazendo desde que foi criado o condomínio em Matais Barbosa, o Park Sul. Já recebi quatro investidores que estão trabalhando essa idéia. A MRV Log começa a construir em janeiro. Vamos ter condições para daqui a três anos ter quase 500 mil metros quadrados de área útil para empresas.

Para os empresários, o Expominas é um grande vetor de desenvolvimento. O que pode ser feito, de fato, pelo local?

O Expominas é estadual. O que precisaria, de fato, é ter um gestor da cidade. A gente está trabalhando para avançar nisso. O município não pode assumir as despesas. O Expominas está em uma região que vai ter o Parque Tecnológico, o AlphaVille, que é um lançamento importante para a cidade, e a BR-440. Esses três projetos devem dar visibilidade maior para ele. O ponto importante é a gestão comercial, não há uma captação efetiva de eventos.

Houve boom de criação de empregos, principalmente no setor de call center, mas a média salarial em Juiz de Fora continua baixa. Como reverter essa situação a curto prazo?

À médio prazo. A cidade passou muitos anos tentando se convencer que era uma cidade de serviços e um shopping à céu aberto. Essas atividades são muito importantes, só que elas têm valor de salário agregado muito baixo. O setor industrial foi sendo abandonado. Precisamos ter os três setores andando em conjunto. Estamos tentando criar uma base industrial forte e estamos conseguindo. Isso vai, provavelmente, elevar a média salarial nos próximos três ou quatro anos. Existe uma aposta grande no Parque Tecnológico e somos parceiros na atração das empresas para o parque. Vamos encaminhar uma lei para a Câmara, que é de redução de ISS para fábricas de software. Há uma demanda muito grande de empresas com base tecnológica querendo vir para a cidade. Não são empresas que empregam em massa, como o call center, mas têm alto valor agregado. A partir de março ou abril, o emprego industrial vai começar a ficar forte.

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