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Crise externa influencia apostas

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Para falar sobre a economia, o desempenho dos setores produtivos e os investimentos previstos para Juiz de Fora em 2012 é preciso olhar além. Se não houver o agravamento da crise em Europa e Ásia, a tendência é de taxas de juros mais baixas e atividade econômica melhorando trimestre a trimestre. Apesar de o comércio ainda estar cauteloso, a indústria concentra as apostas no fato de que os primeiros três meses serão bons para a cidade. Além da concretização de projetos que eram esperados para 2011, como início das operações do Parque Científico e Tecnológico, internacionalização e início da atividade cargueira no Aeroporto Presidente Itamar Franco, maior ocupação do Expominas, oferta de áreas infraestruturadas, chegada de grandes empresas já anunciadas, revitalização do Centro e construção do Shopping Popular, fatores externos podem ajudar – e muito. Um quadro fiscal bem equacionado permitirá a liberação de recursos federais para obras locais. Se a taxa de câmbio continuar se desvalorizando pode favorecer diretamente setores que hoje sofrem grande concorrência de importados, como a siderurgia. Um desastre maior na Europa ou uma desaceleração mais forte na China podem contaminar a economia brasileira a tal ponto de mudar as perspectivas por aqui. De olho neste cenário e à convite da Tribuna, empresários, representantes de setores produtivos e Poder Público fazem suas apostas para o ano que começa hoje.

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Parque Tecnológico terá ‘operação parcial’

O Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região deve estar parcialmente operacional no final do ano. Esta é a aposta do secretário de Desenvolvimento Tecnológico da UFJF, Paulo Nepomuceno, que anuncia, também para 2012, as licitações para conclusão de estudos e início das obras de infraestrutura e urbanismo do núcleo. O projeto, coordenado pela UFJF, encontra-se em fase de conclusão dos projetos de infraestrutura, urbanismo e licenciamento ambiental. Segundo Nepomuceno, a licença prévia ambiental foi obtida em agosto do ano passado. Atualmente, são realizados estudos para obter a licença de instalação. A partir daí, comenta o secretário, terão início as obras de infraestrutura e urbanismo, cujo planejamento para licitação está em curso.

De acordo com Nepomuceno, o processo de atração de empresas já começou e aponta bons resultados para a região. Por motivos estratégicos e para evitar especulações, comenta, algumas negociações seguem sob sigilo à pedido das próprias empresas. Para Nepomuceno, não há atraso na implantação do projeto, tendo em vista a sua complexidade e porte. A tramitação do processo se dá em várias esferas de Governo, cujos prazos eventualmente superam o planejado. Sobre o aporte de R$ 40,7 milhões em crédito suplementar ao orçamento pelo Governo federal, aprovado no dia 15 de dezembro pelo Congresso Nacional, o recurso é considerado importante e significativo e permitirá viabilizar parte das obras necessárias ao início da operação do núcleo.

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Meta é internacionalização do Aeroporto Itamar Franco

Contar com outras empresas aéreas atuando no Aeroporto Presidente Itamar Franco, devidamente internacionalizado, e com a logística de carga aérea em funcionamento. Estas são as metas do diretor da Multiterminais, Ricardo Vega, para o sítio aeroportuário em 2012. O grande projeto que temos para os próximos meses é a internacionalização do terminal de carga aérea do aeroporto.

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Segundo Vega, há uma equipe de profissionais próprios e contratados trabalhando exclusivamente na preparação da documentação a ser apresentada aos órgãos federais e estaduais para a aprovação da internacionalização do terminal. De acordo com o diretor, a carga aérea é nobre, com alto valor agregado, e deve atrair indústrias e prestadores de serviços qualificados. Podemos esperar que possam se estabelecer na Zona da Mata indústrias pequenas em tamanho físico, mas de nível tecnológico superior, que podem criar empregos também de maior renda.

Na sua opinião, o modal aéreo, principalmente internacional, é um diferencial para qualquer grande empresa interessada na região. Vega cita, ainda, a existência de rodovias e ferrovias com acessos ao porto do Rio de Janeiro completando uma logística bem estruturada. Para 2012 o objetivo principal é a consolidação da operação atual mantendo e até melhorando os critérios de segurança e aumentando ainda mais o nível de conforto aos usuários, com melhorias no estacionamento e novos prestadores de serviço.

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Economista crê que JF tem condições de atrair grandes empresas

Para o economista Guilherme Ventura, professor do Centro de Ensino Superior (CES), as perspectivas para a economia juiz-forana neste novo ano são positivas. A cidade está reconquistando seu espaço no cenário econômico de Minas Gerais. O grande desafio será continuar crescendo acima da média do estado e do país em 2012. Na sua opinião, há projetos não concretizados em 2011 que podem alavancar e dinamizar a economia, como o Parque Científico e Tecnológico e a internacionalização do Aeroporto Presidente Itamar Franco. A chegada da Ferrous Resources do Brasil, na sua opinião, seria uma grande notícia para a cidade. Existem muitas variáveis em jogo e muitas delas estão fora do alcance do município e do estado, no que diz respeito à estratégia corporativa da empresa para este empreendimento. Mas o fato de estarmos disputando um projeto de tal envergadura nos coloca em boas condições para outras atrações.

A viabilização de áreas infraestruturadas para empreendimentos é lembrada pelo economista. É importante que a cidade possa ter importante munição para a guerra que é a atração de grandes empreendimentos. São investimentos com alta taxa interna de retorno para o setor público quando computados os efeitos positivos de geração de renda, emprego e impostos ao longo do tempo.

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CDL vê necessidade de pequenas obras no Centro

Poderíamos fazer pequenas obras que podem ajudar muito o comércio do Centro da cidade, avalia o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Vandir Domingos. Como exemplo, cita a revitalização do calçadão da Rua Marechal Deodoro. Para Vandir, algumas ações já estão sendo feitas, como melhorias nas avenidas Rio Branco e Deusdedith Salgado. O presidente do CDL destaca o crescimento de venda dos shoppings na cidade e a diversificação do comércio central, principalmente com a abertura de novos negócios, mesmo de menor porte. O mix hoje é muito diversificado. Para ele, uma tendência para 2012 é diminuir o número de grandes lojas e aumentar o de pequenas, garantindo mais opções e empregos na cidade. Vivemos um bom momento. As empresas estão crescendo. Estou pronto a acreditar que 2012 será ainda melhor.

Eventos esportivos exigem profissionalização

Para o gerente regional Macro Leste do Sebrae, João Roberto Marques Lobo, é preciso atentar às oportunidades que os grandes eventos esportivos e culturais podem criar. Desenvolveremos um projeto junto ao Governo do estado para profissionalizar a cadeia produtiva de eventos esportivos. Na sua opinião, os empreendedores individuais (EI) e as micro e pequenas empresas (MPEs) em Juiz de Fora devem, este ano, buscar a inovação de seus produtos e serviços. Inovação não é uma necessidade só para grandes e médias empresas. É mais fácil inovar do que os empresários imaginam.

Para João Roberto, haverá um aumento de MPEs e EIs no próximo ano, e o Sebrae está preparado para contribuir para o fomento destes negócios. Na sua opinião, Juiz de Fora continua sendo uma cidade em que prevalecem as atividades econômicas no segmento de serviços. Setor que, para ele, deve continuar crescendo, a exemplo dos últimos anos. Entre as áreas de maior destaque, cita as ligadas ao bem-estar e saúde da população, alimentação fora do lar e entretenimento.

Fiemg acredita na retomada do crescimento

A esperança de um bom primeiro trimestre para a indústria juiz-forana é destacada pelo presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina. Ele identifica a potencialidade do setor na cidade, baseado em bens de consumo não duráveis, e a expectativa de boas vendas no comércio no final do ano, fazendo necessária a reposição de estoques.

O presidente mantém o otimismo para 2012, mesmo com o desempenho da indústria juiz-forana, que apresentou queda de 9% na arrecadação este ano ante 2010, considerando o acumulado até outubro. Campolina explica que o primeiro trimestre do ano passado foi bom, mas houve um baque atribuído à crise internacional e à dificuldade de exportar produtos de maior valor agregado. O Brasil precisa voltar a ser competitivo.

Associação Comercial cobra ocupação do Expominas

O incentivo à maior ocupação do Expominas, considerado vetor de desenvolvimento industrial, é citado pelo presidente da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora, Aloísio Vasconcelos. Este ano, tem que ser feito o fomento do Expominas, porque o Aeroporto Itamar Franco começou muito bem e está gerando bons dividendos para Juiz de Fora. Na sua opinião, o Expominas também poderia ser utilizado como alavanca para o fomento municipal, mas está subutilizado. Falta gestão, porque o espaço é magnífico. A localização não é desculpa. É lamentável. Aloísio acha que 2012 será um ano positivo para o crescimento da cidade, mas sente falta de investimentos em infraestrutura. Ele cita a necessidade de revitalização da área central e construção da galeria popular, ações que, na sua opinião, vão beneficiar o comércio juiz-forano.

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