Maneira mais divertida de conhecer a sede da Academia Juiz-forana de Letras (AJL) não há. O elevador nem bem abriu, e um trio superativo e alto-astral – as escritoras Leila Barbosa, Angelina Nardy e Marisa Timponi (esta ligada a 220 volts) – vai logo mostrando a sala localizada no quarto andar do Edifício Baependi, no Calçadão da Rua Halfeld. Podem imaginar a cena: acompanhada do fotógrafo Felipe Couri, em poucos segundos, recebi uma enxurrada de informações cruciais para a matéria. Até ele ganhou uma ajuda na hora de fazer os cliques, o que não poderia ser diferente, tendo como personagens duas responsáveis por formar jornalistas. Juro que toda aquela visão de uma academia rígida foi jogada por terra em uma hora de conversa.
Antes de qualquer coisa, Marisa corre para vender a pauta. Neste domingo, às 10h, a associação comemora seus 30 anos com uma cerimônia regada a leitura de poemas, bate-papo, homenagens e instalações reformadas. Flores e um quadro do artista Gerson Guedes decoram o ambiente. A comunidade em geral pode participar? Até pode, mas não aconselho, porque não vai caber, brinca Leila, que, ao lado da companheira inseparável de escrita, tem agitado a área.
Sempre no último domingo de cada mês, os 29 acadêmicos se reúnem para trocar ideias e fazer frutificar a literatura. Em breve, este número chegará a 40, pois as 11 cadeiras vagas serão preenchidas conforme manda o regulamento. Entre as produções, estão a revista Arcádia, na sétima edição, e o livro Notícias da imprensa sobre a Academia Mineira de Letras, organizado por Marisa e Leila em 2009.
Em um dos últimos encontros, enquanto um arriscava a declamação de um soneto, outro respondia com um novo verso. Se antes a Academia Juiz-forana de Letras era restrita aos acadêmicos, hoje está mais aberta, falando sobre as novas propostas. Temos a ideia de fazer reuniões temáticas, mantendo a linha de trazer denúncias e posicionamentos em relação ao que está acontecendo na sociedade. Aqui é um espaço para se emocionar e pensar, reflete Marisa. Na atual gestão, a mesa diretora é formada pelo presidente, Dilermando Rocha, primeira secretária, Ivone Zimmermann, e segundo secretário, Ismair Zaghetto.
O estopim foi aceso
Com a chegada da Marisa, começou uma mudança geral. É assim que Angelina, diretora do patrimônio bibliográfico, começa a contar como se deu a reforma da sala Dr. Wilson de Lima Bastos, o primeiro a ocupar o cargo de presidente e doador do espaço que hoje é sede da AJL. Todo mundo botou a mão na massa. Sob o comando da vice-presidente, Angelina precisou medir centímetro por centímetro de cada móvel que seria reparado. Desde que foi autorizado o uso da academia, este espaço se manteve sem pintura, preservou-se o que o Dr. Wilson doou, explica. Com a ajuda da bibliotecária Maria Helena Sleutjes, foram arrumadas as estantes, reorganizando-se os livros de acordo com os assuntos. A intenção é que o acervo, que agora será informatizado graças à chegada de um computador, seja disponível para consulta de pesquisadores.
Também dentro das comemorações das três décadas de história, está um concurso de contos. O lançamento ainda está sujeito a fechamento de patrocínios e deve ocorrer na reunião de setembro. Embora as normas não estejam totalmente definidas, já se sabe que os textos deverão ser produzidos por juiz-foranos residentes ou não na cidade. Queremos estimular que as pessoas escrevam mais. Como temos uma pesquisa sobre a história literária de Juiz de fora, continuamos nossos estudos aqui. Temos uma tradição de contistas já revelados pela Tribuna no projeto ‘Contos urbanos’ (iniciativa realizada em 2012 em comemoração aos 162 anos de Juiz de Fora). Este, aliás, foi um caminho para nós, explica Leila. Sem contar que quem conta um conto aumenta um ponto, resume Marisa.
