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De causos a reflexões

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É da Cidade Maravilhosa que vieram as três trupes que se apresentarão, entre hoje e amanhã, na oitava edição do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora: Calango deu! Os causos da Dona Zaninha, da Cia. Caititu, Urucuia Grande Sertão, do Coletivo Peneira, e O tempo e os Conways, da Casa da Gávea. O cardápio de atrações vai dos hábitos do interior mineiro às reflexões de um grupo de jovens da Inglaterra do início do século XX. Nesta segunda, também será a oportunidade de rever Perdida! Electra num mundo de palhaços, da juiz-forana Caravana Mezcla de Palhaços. Até 7 de setembro, a plateia local poderá conferir 23 espetáculos, que passarão por comédia, drama e infantil. Os ingressos estão sendo trocados, no CCBM, por um livro de literatura em bom estado.

O encontro com Dona Zaninha, neste domingo, às 21h, será no Cine-Theatro Central. Em cerca de uma hora e meia, a simpática senhorinha mineira vai prosear até cansar. Dizem que, entre um pedacinho de broa e uma cachacinha, ela compartilhará com os convidados causos de assombração e beata. Vai sobrar até para o padre abismado com os pecados dos paroquianos e para o homem unha de fome que deixou cair uma nota de R$ 5 dentro da privada. Dona Zaninha toca bandolim, pandeiro e ensina uma simpatia que promete curar mau oiado, feiura ou nervo trucido. Ela já estabelece uma relação de intimidade com a plateia logo na primeira aparição, quando oferece aos presentes uma xícara de café.

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A peça tem muitas referências dessa coisa de família. Hábitos mineiros, histórias e coisas de vó. Fala muito de memória. Tudo com bom humor mineiro. É muito inocente, mas, ao mesmo tempo, maliciosa, conta Suzana, que colheu depoimentos de conterrâneos ilustres, como o radialista José de Barros, que poderão ser ouvidos por quem estiver presente na plateia.

Segundo a atriz, que é juiz-forana, o monólogo nasceu da saudade que sente da terra natal. Com o diretor Isaac Bernat e a produtora Aline Mohamad, ela fundou a Cia. Caititu e vem desde 2007 se entregando a uma profunda pesquisa sobre a cultura popular mineira. Depois da estreia em 2012, o espetáculo já foi visto de um canto a outro do país. De forma simples e despretensiosa, ‘Calango deu!’ é um modo muito agradável de se visitar uma tradição brasileira, escreveu a crítica Barbara Heliodora, no jornal O Globo.

O palco é a rua

Somos sete jovens atentos, peneirados pelo teatro, crendo que cultura é democratização, sem um mínimo de tostão e com amor no coração. O trecho de uma canção entoada pelo Coletivo Peneira já dá sinais do que é o projeto que tem como lema O Rio é a rua. A quarta parede é território bem-vindo para esta trupe, que passou em julho pelo Teatro Solar, como uma das atrações do projeto Diversão em cena, mas é ao ar livre que essa turma se sente em casa. Não é por acaso que a performance infantil Urucuia Grande Sertão tomará conta do Parque Halfeld, nesta segunda, às 15h. A relação com o público na rua é muito mais intensa, e a gente tem uma entrega maior, diz o ator Luiz Fernando Pinto. Ele e o companheiro de palco Alex Teixeira esticam a temporada na cidade para ministrar a oficina Teatro e sua arte popular, nos dias 1, 2 e 3 de setembro, das 18h às 22h, no Museu Ferroviário. As inscrições para as 20 vagas devem ser feitas na Funalfa.

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Inspirado no conto A princesa adivinhona, do livro Contos tradicionais, de Luís da Câmara Cascudo, Urucuia Grande Sertão mescla poesia, música e teatro para contar uma história que discute preconceito social e amor. Em um reino distante no sertão brasileiro, um rei viúvo e solitário determina que seu fiel servo arrume um rapaz para desposar a jovem princesa. Após o anúncio, surgem muitos pretendentes, e o patriarca passa a nutrir um fio de esperança. O problema é que a nobre se julga a mais inteligente do império.

Convidado para abrir, ontem, a programação do evento, O tempo e os conways, da Casa da Gávea, volta ao CCBM neste domingo, às 19h. Em cena, estará um grupo de jovens, cujas esperanças de felicidade na vida serão completamente frustradas – ou pelos seus próprios erros ou pela interferência de outros. Dividido em três atos, o drama dirigido por Vera Fajardo serve para realçar os motivos que fizeram do texto de J.B. Priestley um clássico da literatura universal. O figurino de época é um charme à parte da produção, ambientada na Inglaterra do início do século XX. Em 2013, a peça foi contemplada pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz.

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> O tempo e os Conways,

da Casa da Gávea (RJ)

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Hoje, às 19h, no CCBM (Av. Getúlio Vargas 200)

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> Calango deu!

Os causos da Dona

Zaninha, da Cia. Caititu (RJ)

Hoje, às 21h, no Cine-Theatro Central

> Urucuia Grande Sertão,

do Coletivo Peneira (RJ)

Amanhã, às 15h, no Parque Halfeld

> Perdida! Electra num

mundo de palhaços, da Caravana Mezcla de

Palhaços (Juiz de Fora/MG)

Amanhã, às 19h, no CCBM (Av. Getúlio Vargas 200)

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