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Festival Nacional de Teatro começa com 24 peças

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Espetáculo mescla literatura e teatro
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Espetáculo mescla literatura e teatro

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E se amor for a coragem de ser bicho? A pergunta, como muitas outras do gaúcho Caio Fernando Abreu, esgarça sem medo o pano que cobre a vida. Logo atrás, irrompem as dores e os desejos de qualquer ser humano. "O Caio sempre nos fisga de alguma maneira, fala direto com a gente", constata o produtor e ator Thiago Chagas, que integra a produção carioca "Homens", com direção de Delson Antunes. O espetáculo, baseado em contos e cartas do criador de "Pela noite", marca a abertura do 6º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, neste sábado, no Cine-Theatro Central. Ao todo, sete peças convidadas, 15 da mostra competitiva e duas do circuito off, além de curtas performances e uma intervenção urbana, compõem a programação proposta pela Funalfa, com atrações até o dia 9. Representantes de dez municípios de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro passarão pelos tablados locais.

Literatura e teatro andam juntos em "Homens". Tudo partiu dos escritos de Caio: trechos, frases, palavras. "As histórias aparecem fragmentadas e revelam o universo masculino por meio da ótica do autor", adianta Thiago. De acordo com ele, os variados amores dos homens – de menino, por mãe, com mulher ou outro homem – são narrados em um drama bem-humorado. "Cuidamos para que a montagem não ficasse ‘para baixo’. A intenção foi transcender o mundo de Caio e mostrar que ele tinha afeição pela vida." Com 33 anos de carreira, Delson é especialista em transportar feituras literárias para o palco. Como explica ele, suas adaptações buscam unir a linguagem da palavra à linguagem da ação, livrando-as do ranço de recital. Em 2010, o diretor levou à cena "Mulheres de Caio", sobre a paisagem feminina desenhada pelo escritor.

 

Essência masculina

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Ao longo dos seis meses de preparação, o elenco se dividiu para tentar dar conta de toda a obra do gaúcho. A surpresa com as "tiradas" cômicas foi grande. "Ele é muito contemporâneo", complementa Thiago, que vive, entre outros personagens, uma cafetina definida por ele como engraçadíssima. Mas as angústias eletrônicas e virtuais dos indivíduos de hoje não chegam a ocupar a ribalta. Segundo o ator, é a essência masculina de todos os tempos, expondo sua sensibilidade e fraqueza, aquela que protagoniza o espetáculo. Apesar de assinada por Delson, a dramaturgia foi sendo burilada coletivamente durante o processo de construção e os ensaios abertos. Assim, o texto que será ouvido no Central neste sábado só recebeu ponto final após a estreia em abril, no Rio. "O diretor nos deu abertura para opinar. Muitas vezes, diante de um corte, a gente dizia: ‘eu preciso dessa palavra’, e ela ficava", lembra Thiago.

Oito atores se dividem em inúmeros papéis e evidenciam os contrastes arquitetados por Caio. Luz e sombra, vida e morte. Solidão e eterna busca pelo outro. Nessa ambivalência, os personagens necessitam abrir portas ou atravessá-las a fim de descobrir possibilidades. Conforme Thiago, o público carioca vem recebendo bem as reflexões de "Homens". "Acredito que a plateia de Juiz de Fora também vai se interessar. Nossas expectativas são as melhores." Na opinião de Delson, os festivais do interior são essenciais por proporcionar o contato dos espectadores com discursos elaborados em outros territórios. O ator local Vinícius Cristóvão participa da montagem e chegará de uma viagem à Europa direto para a apresentação. "Sei que ele vai adorar rever a cidade", garante Delson.

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Recheio variado

Até o dia 9 de setembro, os dias juiz-foranos estarão recheados de teatro. Logo no domingo, a carioca "O que fazem as meninas quando desabrocham", do Grupo Okearô de Teatro Independente, e a local "O longo caminho que vai de Zero a Ene", da Cia. Afiada de Teatro, ocupam o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM) e o Mezcla, respectivamente. A segunda produção faz parte do circuito off, que inclui ainda "O cego e o louco", da Cia. Cascudo; a performance "Caminhos – uma intervenção urbana", da Cia. Enviezada (RJ); e a 6ª Mostra de Curtas Performances.

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A partir da próxima quarta, cinco oficinas gratuitas também compõem o festival, ampliando os debates sobre as artes cênicas: "Contação de história", com Tatiana Henrique, e "Poesia cênica", com André Lemos (ambos do Grupo Okearô – RJ); "O ator-narrador: uma abordagem representativa para a construção da cena teatral", com o carioca Luciano Loureiro; "Com o pé no picadeiro", com Lucas Santarosa e Neto Donegá (Grupo Zibaldoni – Ribeirão Preto – SP); e "Corpo, estado e criação no jogo do palhaço", com Silvia Leblon (NaCompaniaDosAnjos – SP). Os interessados devem fazer as inscrições no Setor de Expediente da Funalfa (Avenida Rio Branco 2.234 – Parque Halfeld), de segunda a sexta, das 9h ao meio-dia e das 14h às 17h. As vagas são limitadas.

Na mostra competitiva, os melhores – adultos e infantis – das categorias espetáculo, direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, cenário, figurino, espetáculo pelo júri popular, iluminação e trilha sonora receberão troféus. Haverá ainda o prêmio destaque, entregue conforme avaliação da comissão julgadora, em cerimônia de encerramento que traz a peça "As mulheres da Rua 23", da Cia de Teatro Autoral (RJ). As apresentações acontecem em teatros e praças, e os ingressos devem ser trocados por livros de literatura em bom estado (um ingresso por livro) na portaria da Funalfa, entre 9h e 17h, ou uma hora antes de cada sessão, de acordo com a disponibilidade. As montagens de rua, em espaço aberto, não necessitam de ingresso.

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