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Tradição preservada

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Uma semana de festa, chope gelado – e não à moda alemã, que pede para ser consumido em temperatura ambiente -, tortas e grupos de danças típicas vão dar o tom da 17ª Festa Alemã do Bairro Borboleta. Este ano, além da tradicional gastronomia germânica, trazida para a cidade com imigrantes, a festividade presta homenagem aos 150 anos da Estrada União e Indústria, cuja construção contou com o trabalho de diversas famílias que cruzaram o oceano em busca de oportunidades no Novo Mundo.

Segundo o presidente da Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha, Viumar dos Reis Duque, o Bairro Borboleta surgiu a partir do desenvolvimento da União e Indústria. "No domingo, vamos ter uma solenidade com desfile que irá marcar o encerramento das comemorações do aniversário da estrada, que começaram em junho."

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Tradicional, a festa promete manter sua receita original, com boa comida, música e dança. Além das apresentações dos juiz-foranos do grupo de danças folclóricas germânicas Schmetterling e da banda Shmetterling Kapelle, a festa recebe, no sábado, o grupo de dança Guaricana Tanz Gruppe de Pariquera Açu (SP) e, no domingo, o grupo de Petrópolis Bergstadt. Para quem quiser arriscar, estará aberta também a competição de chope a metro. Segundo Duque, ganha o concurso quem tomar chope, servido em uma grande tulipa de um metro de comprimento, em menos tempo, sem derramar a bebida, passando por diversas baterias.

Durante uma semana, a festa faz com que palavras como schmetterling (borboleta) e apfelstrudel (folheado de maçã) caiam na boca do juiz-forano. Os pratos típicos podem ser encontrados nas oito barracas ao redor da Igreja de São Vicente de Paulo, ao lado de outros cinco boxes que irão comercializar o pão alemão, registrado como bem imaterial da cidade em maio de 2010, além de biscoitos e artesanato.

A família da confeiteira Adriana Munck Schaesser participa há 16 anos da festa com uma barraca de quitutes, e este ano não será diferente. Moradora do Borboleta desde que a matriarca Frida Hensel veio da Alemanha com outros imigrantes em 1910, a família serve na festividade as receitas de doces do caderno que veio na mala da alemã. A base é mantida, mas, com o tempo, Adriana conta que adaptações foram feitas nos recheios. "Os sabores tradicionais para a massa de biscoito são ameixa e maçã, porém as famílias foram alterando de acordo com a disponibilidade de ingredientes. Se aqui não tinham a amora ou a cereja, que também eram muito usadas, meus antepassados trocavam as frutas por banana ou coco. Foram ajeitando com o que tinham." Ela ressalta que esta é uma tradição que não pode ser deixada de lado na festa. "As pessoas vêm aqui especialmente para saborear a culinária."

Apesar de ser este o 17° ano da Festa Alemã, ela começou em tempos mais longínquos. A primeira edição foi realizada em 1969, com organização do Instituto Teuto-Brasileiro William Dilly. Segundo o atual presidente da entidade, Roberto Dilly, a festa teve um participante ilustre. O então prefeito Itamar Franco foi um dos que se dirigiram ao bairro para celebrar a cultura alemã. "Eu tinha 13 anos na época e guardo na lembrança os momentos. Minha família sempre celebrou a tradição alemã, e acho que esse deve ser o propósito da festa", relata Dilly. Ainda realizada pelo instituto, a festa ocorreu em 1972, 1975, 1990 e 1991. Desde 1995, ela passou a ser organizada pela Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha e acontece ininterruptamente. A passagem dos anos realmente não fez a festa deixar de lado a tradição.

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