Não se assuste se, repetidas vezes, encontrar a poeta Carolina de Oliveira Barreto em uma livraria garimpando obras e autores. Muito cedo, a juiz-forana despertou para a leitura. Sua romaria cotidiana, guiada pela sede de coisas novas, também pode incluir lojas de CDs e cinemas. Mestranda em estudos literários na UFJF, Carolina acredita que a arte é capaz de afiar as percepções e promover vivências desestabilizadoras da concepção usual de mundo. Por conta disso, mesmo que sem saber, aliou-se à poesia na infância e descongestionou o próprio olhar. Quando li o primeiro livro de poemas, fiquei encantada.
Autora de Dois não pares, em parceria com André Capilé, e Voragens, que será lançado até o fim do ano com apoio da Lei Murilo Mendes, a jovem gosta de reler seus escritos para procurar oportunidades de evolução. Enquanto trabalha, reescreve sem medo. Fora isso, lê de tudo e mais um pouco e encara com tranquilidade os períodos de estiagem criativa. Carolina também participou da contra-antologia Portuguesia, coordenada por Wilmar Silva, e do livro Só agora vejo crescer em mim as mãos de meu pai, organizado por Ozias Filho.
Poeta: Oswaldo Martins
Autor contemporâneo, cuja poesia, muito inquietante, contribui para se pensar o lugar da literatura hoje
Romancista: Machado de Assis
Pela contemporaneidade de seus textos e pela capacidade de estabelecer uma leitura crítica da sociedade brasileira
Poesia: Vida toda linguagem, de Mário Faustino
A precisão se alia à intensidade nos versos desse poema. As imagens construídas fazem com que a vida impregne a palavra, e a palavra impregne a vida
Conto: Fábrica de fazer vilão, de Ferréz
A narrativa é concisa, bem escrita e conta um episódio de violência policial, colocando em questão uma série de preconceitos na sociedade brasileira
Livro: Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino
Indico esse livro pela forma com que Calvino entrelaça duas narrativas, convidando o leitor a refletir sobre a escrita do próprio romance
CD: Dizzy Gillespie no Brasil, com Trio Mocotó
Quando escutei o CD, de 1974, pela primeira vez, fiquei encantada com a junção de samba e jazz, que elaboram sonoridades impressionantes
Cantora: Olivia Byington
Olivia Byington é uma cantora bastante versátil, com bela voz. Vou me surpreendendo à medida que conheço sua discografia
Filme: O ódio, de Mathieu Kassovitz
O filme me marcou bastante pelo modo como a narrativa se inicia. Seu enredo conta um dia na vida de três moradores da periferia de Paris
Dramaturgia: Beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues
Foi o primeiro texto de Nelson que li. Ele despertou meu gosto pela obra do autor e também pela leitura de peças de teatro
Lugar em Juiz de Fora
Livraria A Terceira Margem
É o lugar aonde costumo ir para encontrar amigos, ler, tomar café, jogar conversa fora. Fiz muitas amizades ao longo do tempo em que frequento a livraria
