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Morte de Creuza Cavalcanti deixa vaga nas letras de JF

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Professora e poeta publicou 12 livros e integrou diversas instituições literárias
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Sempre elegante, Creusa Cavalcanti França era assídua em vernissages, saraus e quaisquer outros eventos culturais para os quais era convidada. Com sua simpatia e gentileza, devotou-se à cena artística local, acompanhando-a em detalhes, que certamente lhe serviram de inspiração para os mais de 12 títulos literários lançados ao longo da extensa e intensa carreira tanto na prosa quanto no verso. A dona de escrita e posturas clássicas despediu-se na última quinta-feira, vitimada por uma embolia pulmonar, após passar duas semanas internada por conta de uma cirurgia no fêmur.

Nascida em Piraju, em São Paulo, Creusa transferiu-se ainda jovem para Juiz de Fora, onde se graduou em letras clássicas pela Faculdade de Filosofia e Letras da UFJF e casou-se com o médico e escritor Aspérides de Souza França. Professora durante décadas, a escritora integrou o projeto "Contos urbanos", da Tribuna, no ano passado, com um texto intitulado "Uma frustrada peraltice", no qual resgata com grande austeridade o clima das salas de aula da década de 1970. "Sempre aplaudida, fazendo-se expressar pelos sentimentos, minha mui saudosa tia-mãe tinha extrema competência e entusiasmo em trabalhar com palavras. Fui gerado pela sua alma, o que me fez enveredar pelo caminho das artes", emociona-se o sobrinho e constante companheiro Ricardo Cavalcanti.

Uma das fundadoras da Academia Juiz-forana de Letras, criada em 1982, a escritora ocupava a cadeira nº 6, cujo patrono é Murilo Mendes. "Quem conheceu os primeiros passos da instituição sabe que foi o braço direito do fundador, o saudoso professor Wilson de Lima Bastos. Tanto que por mais de dez anos foi sempre a secretária presente e amiga. Essa abnegação sempre persistiu. A formação de quadros dirigentes, na linha sucessória dos tempos, jamais prescindiu do seu nome. Marcante em sua personalidade foi sempre a capacidade de ser firme, sem perder jamais a delicadeza de uma flor", analisa o jornalista, escritor e amigo Ismair Zaghetto, que teve seu último livro, "Chá com Procópio Ferreira", prefaciado por ela.

Fundado em 1995, o Centro de Estudos Literários (CEL) foi um dos grandes projetos de Creusa, que mantinha uma relevante biblioteca no espaço. Oradora de prestígio, a autora de "Manhãs do tempo" integrava diversas outras academias, entre elas as de Anápolis (SP), Petrópolis (RJ), Matias Barbosa (MG) e Rio Pomba (MG). Dentre os muitos títulos e prêmios recebidos, destacam-se o Mérito Cultural da União Brasileira de Escritores, obtido em 1999, e a Medalha Pedro Nava, ofertada a ela pela Funalfa em 2004. "Alma generosa e solidária, era, sobretudo, o suporte de iniciantes tantos. Doava o seu trabalho de modo gentil para quem o necessitasse e avalizava, com a força do seu nome, a tentativa de novos peregrinos literários", recorda Zaghetto.

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Integrante do Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio, Creusa também era reconhecida por sua grande dedicação. "Ela era sempre muito presente, participativa e deixa uma contribuição extensa, tanto na literatura quanto na vida cultural da cidade. Creusa sempre esteve abrindo caminhos para a difusão e valorização da nossa arte. Ela vem de uma ação contínua na cultura", destaca o diretor da Fundação Museu Mariano Procópio Douglas Fasolato. "Ela era dessas criaturas que não tinha a palavra ‘não’ em seu vocabulário, era muito generosa, além de presença viva no processo da memória da cidade", acrescenta Ismair Zaghetto, também integrante do conselho.

Com um regimento próprio, que regulamenta todo o esquema de sucessão, o conselho aguarda o momento propício para considerar aberta uma vaga. "Nesse momento, o conselho está completamente consternado com a morte da Creusa", aponta Fasolato, um dos integrantes. Falecida em dezembro de 2012, aos 95, a conselheira Niva de Andrade Reis Gallejones só teve sua cadeira ocupada na última reunião, em 11 de maio, quando a maioria absoluta decidiu-se pelo nome de Maria Lúcia Horta Ludolf de Mello, graduada em história pela UFJF, pós-graduada em museologia, pela Universidade de Lisboa, em Portugal, e especialista em filatelia. Recentemente, o conselho do museu também enfrentou a perda do procurador do município e pesquisador em patrimônio Wilson Coury Jabour Júnior, cuja vaga ainda não foi dada como aberta.

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