Construção e desconstrução. Montagem e desmontagem. Os procedimentos adotados pelos artistas na mostra Fazer e desfazer a paisagem, em cartaz na Casa de Cultura da UFJF, se consolidam nas relações entre os dois atos. A exposição é resultado da atuação de um grupo de pesquisa formado por professores e alunos que atuam em várias universidades brasileiras e no exterior. O grupo Processos híbridos na arte contemporânea estuda criações artísticas e conhecimentos teóricos em produções de arte contemporânea, acolhendo, em um quadro institucional, intercâmbios de artistas-pesquisadores, teóricos e estudantes de pós-graduação no Brasil e em outros países.
Beatriz Rausher, Bruno Borne, Celeste Wanner, Elaine Tedesco, Eliane Chiron, Lurdi Blauth, Ricardo Cristofaro, Sandra Rey e Shirley Paes Leme abordam a paisagem de um modo contemporâneo, e isso implica em uma revisão do conceito de paisagem e das técnicas utilizadas para abordar este assunto em diferentes momentos da história. Na exposição, a pluralidade das linguagens e das técnicas postas em circulação parece dialeticamente manter o legado das formas poéticas espectrais: um dispositivo não anula o outro, ao contrário, a hibridização potencializa a poética de cada linguagem, seja ela a performance, o vídeo, a escultura, a instalação, a gravura ou aquela propiciada pelos dispositivos móveis de comunicação, argumenta a professora do Instituto de Artes e Design (IAD) da UFJF, Isabela Velloso.
Nas obras expostas, as relações entre paisagem e natureza não se apresentam como equivalentes, tampouco se definem sempre da mesma maneira. Pelo contrário, essas relações são esgarçadas ao ponto em que a operação que se cumpre nessa relação entre a paisagem e a natureza possa alcançar o sujeito e a cultura, explica a artista plástica e curadora da mostra, Sandra Rey.
Seguindo esses conceitos, a fotografia como meio e matéria de trabalho para pesquisas artísticas relacionadas à paisagem tem sido um instrumento importante, segundo o artista plástico e um dos expositores, Ricardo Cristofaro. A partir da segunda metade do século XX, a paisagem é um tema que desperta o interesse de muitos artistas, que vão abordá-la de maneira direta, intervindo na própria paisagem. Neste caso, o ambiente natural, em vez de servir como um tema ou um espaço de investigação que irá prover o artista de elementos para a execução de uma pintura ou desenho, servirá como matéria bruta para uma obra de arte, sendo ele próprio trabalhado de modo a se integrar à obra, explica Cristofaro, diretor do IAD.
Neste contexto, artistas americanos, ingleses, entre outros, criaram obras onde usavam elementos da natureza como folhas, terra e pedras para criar esculturas em áreas externas. Muitas dessas obras teriam o propósito de facilitar o entendimento dos fenômenos da natureza, assim como evidenciar as diferenças entre a paisagem natural e a paisagem alterada pela civilização.
Entretanto, segundo o pesquisador, a tarefa de tentar compreender as múltiplas facetas do uso da fotografia na arte contemporânea é bastante desafiadora. Em meio à profusão de imagens e experiências, a tentativa de estabelecer regras, construir modelos ou previsões mostra-se sempre insuficiente, principalmente quando nos falta o distanciamento histórico, conclui Cristofaro.
FAZER E DESFAZER A PAISAGEM
Terça a sexta, das 14h às 20h, sábados, das 14h às 18h
Até 10 de junho
Casa de Cultura da UFJF
(Avenida Barão do Rio Branco 3372 – Passos)
