Ignorando a banalidade do cotidiano, Rosana Ricalde toca o sensível em discussões que envolvem o espaço e as palavras. Com curadoria da jornalista e professora Mariana Lopes Bretas, está em cartaz na Galeria Retratos-Relâmpago, do Museu de Arte Murilo Mendes, a exposição Territórios imaginários. A mostra traz trabalhos marcantes da trajetória da artista carioca, que utiliza os mapas como recurso poético. As obras apresentadas nos mostram diferentes mapas que se apropriam da cartografia oficial corrente e a deformam. Elas constroem mapas simbólicos que sugerem um novo sentido de lugar e criam novas relações entre os sujeitos e os espaços, seus entornos e suas representações, explica Mariana.
Formada em gravura pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rosana Ricalde já expôs em países como Portugal, México, Espanha, Japão, São Tomé e Príncipe, Croácia, França e Porto Rico, além de realizar dezenas de mostras, entre individuais e coletivas, pelo Brasil. A exposição é uma oportunidade de o artista ver o próprio trabalho de fora. Desde a universidade, estou sempre expondo. Para toda mostra, crio uma história. Interesso-me pelas narrativas, comenta Rosana.
Os trabalhos selecionados evidenciam sua íntima relação com as palavras. Na série As cidades invisíveis, de 2009, Rosana recria mapas de cidades como Rio de Janeiro, Nova York e São Paulo, com frases do livro homônimo de Ítalo Calvino, cuja história trata de cidades imaginárias. Já na série Marítimo, do mesmo ano, a artista desenha ondas com nomes de diversos mares. O livro As mil e uma noites também serviu de inspiração a Rosana, que criou labirintos e uma bola com frases da obra. Se as palavras formam literalmente imagens ou se estas últimas se espraiam em textos, o fato é que nas duas situações explicita-se o mecanismo do vislumbre de algo que parece não caber nos limites da forma, observa Guilherme Bueno, sobre a autenticidade da obra da artista, em texto para a exposição.
TERRITÓRIOS IMAGINÁRIOS
Galeria Retratos-Relâmpago
Terça a sexta, das 10h às 18h, sábados e domingos, das 13h às 18h. Até 1º de julho
Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant 790 – Centro)
