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Com afasia, ator Bruce Willis se afasta do cinema

afasia
Bruce Willis em ação no papel de David Dunn em “Vidro” (Foto: Divulgação)
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A família de Bruce Willis, 67, anunciou, nesta quarta-feira (30), que o ator foi diagnosticado com afasia e, por isso, irá se afastar de sua carreira. Trata-se de um distúrbio de linguagem ocorrido por lesão cerebral que afeta a comunicação
Nas redes sociais, as filhas do artista, Rumer, Scout, Tallulah, Mabel, e Evelyn, juntamente com sua atual mulher, Emma Heming, e a ex, Demi Moore, assinaram um texto comunicando os fãs sobre a situação de Bruce.
“Para os incríveis apoiadores de Bruce, como família, queríamos compartilhar que nosso amado Bruce está passando por alguns problemas de saúde e, recentemente, foi diagnosticado com afasia, o que está afetando suas habilidades cognitivas”, iniciou.
“Como resultado disso e, com muita consideração, Bruce está se afastando da carreira que significou tanto para ele. Este é um momento realmente desafiador para nossa família e estamos muito gratos pelo amor, compaixão e apoio contínuos de vocês”, escreveu a família do artista.
“Estamos passando por isso como uma unidade familiar forte e queríamos incluir seus fãs porque sabemos o quanto ele significa para vocês, assim como vocês significam para ele. Como Bruce sempre diz, ‘viva’ e juntos planejamos fazer exatamente isso”, concluiu.

Bruce Willis construiu persona irônica

Filho de um soldado norte-americano que permaneceu na Alemanha após a guerra – e de uma garçonete alemã -, Bruce Willis nasceu no país devastado. Como as condições eram difíceis, a família migrou para os EUA. Foram morar num distrito de Nova Jersey, Penns Grove. Criado em meio à comunidade italiana da cidade, Bruce logo descobriu sua vocação. Era um piadista nato. Queria ser ator, mas tinha um empecilho, era gago Certa vez, ao subir no palco, a gagueira parou imediatamente. Ele descobriu que, com textos decorados, podia controlá-la. Bruce Willis virou astro, um dos mais bem pagos de Hollywood.
A afasia representa um fim complicado para alguém, como ele, que soube construir sua persona irônica por meio justamente da linguagem que agora lhe falta. O próprio Bruce disse que aprendeu muito no set de O Veredito, de Sidney Lumet, de 1982, observando a desenvoltura de Paul Newman frente às câmeras. Três anos mais tarde, teve a grande chance na série Moonlighting/A Gata e o Rato, contracenando com Cybill Shepherd. Os produtores queriam um nome masculino de peso para atuar com ela. Aos olhos da indústria, Bruce era ninguém, mas revelou-se divertido, charmoso, mais do que isso, espirituoso.
Um cínico – a modelo e o detetive permaneceram no ar por quatro anos. Brigavam no set como cão e gato – gata -, os roteiristas passaram a usar as desavenças de ambos para nutrir as tramas. A sorte terminou dando uma mãozinha. Em 1988, Cybill engravidou e abriu uma brecha nas gravações. Bruce aproveitou para fazer um filme de ação para o qual fora chamado. O diretor John McTiernan queria um novo tipo de herói – o tira John McClane, o homem certo no lugar errado. Em Duro de Matar, McClane faz o policial de Nova York que viaja a Los Angeles ao encontro da mulher, que trabalha numa empresa multinacional. Quando ele chega, o prédio – uma torre de cristal – foi ocupado por um bando de terroristas.
Contra todas as probabilidades – é o primeiro a duvidar de suas habilidades -, McClane dá conta do recado. O público adorou a mistura de ação e humor, surgiram Duro de Matar 2, 3, 4, 5 – Um Bom Dia para Morrer. Transformado em astro, Willis alavancou a carreira da mulher, a atriz Demi Moore. Foram, a seu tempo, o casal 20 da indústria, como Elizabeth Taylor e Richard Burton já haviam sido e Angelina Jolie e Brad Pitt seriam depois. Bruce diversificou a carreira, fez filmes autorais com diretores de prestígio na indústria – Luc Besson, Quentin Tarantino, M. Night Shyamalan. Relembrando – O Quinto Elemento, Pulp Fiction/Tempo de Violência, O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Vidro. Um de seus melhores papéis foi num filme pequeno que talvez valha resgatar nesse momento particular.
Em Código para o Inferno, de Harold Becker, de 1998, Bruce faz o agente do FBI que investiga o desaparecimento de garoto autista de 9 anos. O menino decifrou por acaso um código militar, e na sequência seus pais foram assassinados pelo cruel diretor do burô, interpretado por Alec Baldwin. Bruce fará de tudo para salvar o pequeno herói. Não se falam, nem a linguagem dos sinais É um filme de olhares intensos e gestos viscerais. Privado da palavra, Bruce talvez nunca volte a atuar. Era uma metralha disparando piadas, mas, pelo menos uma vez, esse homem foi grande exercendo o poder do silêncio.

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