Em uma década, a banda Martiataka gravou dois CDs e outros dois EPs e participou de algumas coletâneas. No palco, demonstra atitude. Com tamanho feito e dez anos de história, ainda há muito o que contar. Por isso, os "bandoleiros de Marte" estão de volta às prateleiras a partir deste sábado, quando o grupo lança o terceiro disco, "Marginal", no Café Muzik a partir das 23h.
"O nome do álbum reafirma a posição da banda, que, mesmo correndo à margem da grande mídia, sobre os escombros do lixo cultural, mantém há mais de uma década uma carreira consistente e permanentemente faminta de estrada e rock and roll", define o vocalista Del Guiducci, frontman da trupe formada ainda pelo guitarrista Fabricio Barreto, o baixista Thiago "Jim" Salomão, o baterista Victor "Frango" Fonseca e o também guitarrista Fausto Coimbra, que entrou para o grupo em 2009, durante o lançamento do segundo CD.
"Esse disco (‘Marginal’) representa minha entrada definitiva no projeto, quando eu o escuto consigo me ver dentro do trabalho, consigo ver como minha forma de tocar se somou ao trabalho da banda", diz Coimbra. "E lançar (o trabalho) em meio às celebrações de meu aniversário (na última quinta) é motivo de grande felicidade e a oportunidade de marcar duas comemorações em uma só festa rock’n’roll."
O lançamento das 12 faixas para download na internet na quinta, como destaca Guiducci, coroou a relação íntima que o grupo estabelece com a web, onde disponibilizou os singles de "Urgente" (seguido de videoclipe), "Lugares escondidos" e a homenagem ao ator norte-americano Danny Trejo (também com videoclipe) na faixa homônima. Para isto, eles contaram com plataformas como YouTube e SoundCloud (www.soundcloud.com/martiataka). Nesta última, inclusive, constam várias autorais mais antigas da banda. "Sempre utilizamos muito essas ferramentas, desde o primeiro CD, com nosso site, o MySpace e a Trama Virtual. Mas desta vez centralizamos mais no Facebook, onde, desde o período de gravação, viemos postando textos e fotos, em uma tentativa de trazer o público para dentro do estúdio", ressalta o vocalista, também editor de esporte da Tribuna.
"As pessoas ouvem música no iPod, no iPhone, no carro, no computador. Mudou o modo de ouvir música, então nada mais lógico do que se adaptar", justifica Thiago Salomão, responsável por grande parte dos posts do grupo na web. "Tenho lido muitas biografias de artistas consagrados, como Slash, Ozzy, Motley Crue, Glenn Hughes, e, com isso, percebemos esses caras falando de uma indústria musical que simplesmente não existe mais para nós, artistas independentes e do Brasil", arremata.
"Urgente" abre caminho para o grito de Del Guiducci, que dá boas-vindas ao hit que se tornou um sucesso nas mídias sociais – 1.082 acessos em menos de três meses -, destacando o ator juiz-forano Tairone Vale no papel de um zumbi, enquanto a letra de "Diabo de mulher" fala sobre as semelhanças entre o belzebu e o sexo. Já "Serena" traz o tempero de southern rock, com direito a um dos solos de Fabricio Barreto. "Não me importa" é mais um grito de liberdade, bem diferente de "Eu nunca soube dançar", a fusão entre rock pesado e naipe de metais em um funk setentista. A diversidade de levadas ganha ainda mais destaque em "Nada vai me parar", que traz gaitas, backing vocals, teclados e palmas. "20 cavalos" é a mais pesada do disco, e cheiro de gasolina e pé na estrada chega ao ápice na road song "Sem juízo", com todos os seus metais, gaitas e urros.
Compostas via MSN Messenger, as letras de "Marginal" (uma ode à liberdade, ao espírito dos motociclistas e dos roqueiros) e "Danny Trejo" (ator de filmes B) levam a assinatura de Del Guiducci e Thiago (Jim) Salomão. Já "Lugares escondidos" veio à tona a partir de um riff esquecido no passado, produzido pelo ex-guitarrista da banda Sandro Cadeado, enquanto "Revanche" nasceu de uma letra do também ex-guitarrista Diogo Britto. Quanto às outras composições, Guiducci afirma que se tratam de frutos de um somatório de esforços de todos os integrantes.
Com as 12 canções nas mãos, em meados de 2011, os músicos partiram para a pré-produção, acompanhada de perto pelo produtor Nando Costa (ex-guitarrista da local Thessera). Ele veio dos EUA, onde está se formando em Berklee, em Boston (EUA), para cumprir seu ofício de ajudar a colocar e recolocar cada arranjo em seu lugar.
Convocado a reconhecer ajustes e desajustes do projeto, Nando Costa se reuniu com o quinteto durante os dois finais de semana de gravação no Estúdio Versão Acústica, em São João Nepomuceno (MG), entre setembro e outubro do último ano. Com o esboço do CD nas mãos, Costa mixou e masterizou o trabalho nos EUA, enquanto os "marcianos" implementavam no registro metais (Wendel Henriques no sax, Francis De Moura no trompete e Cleber Washington no trombone) e percussão (Christian Marini e Pedro Paulo Mendes), utilizando agora o estúdio local Nah Kasa para o toque final. O resultado? Um produto totalmente independente, que chega ao mercado em 500 cópias (iniciais). Ainda faltam recursos para concluir o ideal de lançar "Marginal" em vinil.
Neste sábado, às 23h
Muzik
(Rua Espírito Santo 1.081)
Abertura com Beach Combers
