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‘Fazer cinema no Brasil é um luxo’

de passagem pela mostra de tiradentes que termina hoje regiane alves lamentou a falta de apoio a setima arte

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De passagem pela Mostra de Tiradentes,  que termina hoje, Regiane Alves lamentou a falta de apoio à sétima arte
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De passagem pela Mostra de Tiradentes, que termina hoje, Regiane Alves lamentou a falta de apoio à sétima arte

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Talvez, só mesmo os seguidores mais cativos se lembrem que Regiane Alves surgiu em “Fascinação”, do SBT, lá pelos idos de 1998. De passagem pela Mostra de Cinema de Tiradentes, onde foi exibido o longa de Guilherme Fiúza “O menino no espelho”, adaptação de obra homônima do escritor mineiro Fernando Sabino, com ela no elenco, Regiane se surpreendeu quando um repórter diz ser apaixonado pela inocente Clara. “Nossa, esse deve ser fã mesmo, porque eu era muito verde”, brinca a atriz, acompanhada do filho João Gabriel, de apenas 9 meses, o marido e alguns amigos. Esbanjando simpatia, Regiane não só parou para tirar fotos com todos que a solicitavam, como aproveitou para pedir a equipe da Tribuna que fizesse um registro dela e dos acompanhantes em frente ao banner desta edição do evento.

Segundo a biografia dessa paulista nascida em Santo André, o sonho da menina, filha de um supervisor de vendas e uma dona-de-casa, era se enveredar pelas artes. Da carreira de modelo e manequim e estrela de campanhas publicitárias, partiu para a dramaturgia. Sua performance diante das câmeras lhe rendeu o convite para participar da Oficina de Atores da Rede Globo. Já são dezenas de trabalhos na televisão. No cinema, foram apenas sete, número que pretende triplicar. Apesar de ainda não ser uma veterana na sétima arte, ela afirma que as telonas é o lugar de onde não gostaria de sair.

“Considero fazer cinema no Brasil um luxo. Se a gente pudesse viver só disso, seria incrível”, vislumbra, comemorando o resultado de “Isolados”, suspense brasileiro em que atuou ao lado de Bruno Gagliasso. A produção lançada no final de 2014 conta a história de Lauro e Renata, casal que decide alugar uma casa na Região Serrana do Rio de Janeiro para descansar e reanimar a relação. O casarão é meio sombrio, e Lauro escuta histórias sobre atos violentos na região, mas não conta nada para a mulher. Com a assinatura do diretor Tomas Portella, o filme pertence a um gênero ainda pouco explorado no Brasil, mas Regiane garante que o público tem aprovado a proposta. Saindo aos poucos da licença maternidade, a atriz aproveita a entrevista para divulgar o trabalho atual, a peça “Amor perverso”, em cartaz nas terças e quartas-feiras, no Teatro do Leblon, Rio de Janeiro. ara novelas, não há qualquer projeto fechado.

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Tribuna – Você gostou da experiência de viajar na história de Fernando Sabino?

Regiane Alves – É uma volta à infância completamente. Li “O menino no espelho” no colégio, e fazer um filme sobre ele é bom porque convida a ler e reler novamente a obra. O filme mostra como as brincadeiras eram outras, como a gente andava na rua sossegada, ia para escola sem medo, com os amiguinhos todos juntos. As pessoas ficavam na rua. Falar de um autor nosso e estar em um festival como o de Tiradentes, que é feito por mineiro, é muito especial.

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– Como foi para uma paulista mergulhar no universo de Minas Gerais?

– Ficamos em Cataguases por vários dias. Todo cenário foi montado num ginásio, com apoio da prefeitura. A casa do Fernando (protagonista) por dentro foi toda montada como se fosse uma casa de verdade, e isso era incrível. Tinha uma estrada próxima que, quando passava caminhão, a gente tinha que esperar para gravar o áudio. Ficar lá foi bom porque trazia todo esse universo da época. É uma cidade que tem um modernismo muito presente, você anda e se depara com obras de Burle Marx, por exemplo. Por ser paulista, o diretor pegava um pouco no meu pé para segurar no sotaque. Eu não podia nem exagerar no sotaque mineiro nem carregar no paulista, tinha que falar o mais neutro possível.

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– A mostra de cinema aposta no segmento autoral. Você se identifica com esse segmento? De que forma “O menino no espelho” dialoga com a proposta do evento?

– Eu tenho uma carreira mais presente em televisão, é uma coisa mais comercial. Então, toda vez que a gente fala em cinema, qualquer coisa é válida. Acho que, em cinema, você sempre pode arriscar. A mostra tem um público diferenciado, aberto a ver e receber outras coisas.

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– Como você vê o processo de captação de recursos para o cinema no Brasil?

– É difícil. Considero fazer cinema no Brasil um luxo. Se a gente pudesse viver só disso, seria incrível. Acho que tinha que ter mais apoio do Governo e das empresas. Acho que o cineasta tinha obrigação de fazer dois filmes no ano e não um filme a cada sete anos. Hoje, você é obrigada a fazer coisas que não gosta em vez de fazer o que gosta. Cinema você faz por muito amor à arte, porque, a não ser que seja comédia, não dá dinheiro. Por isso, quando a gente tem algum convite, tem que agarrar com força, seja autoral ou comercial. Tudo é experiência. É muito triste ficar anos para fazer um filme. Por isso acho que qualquer mostra vale muito a pena. “Menino no espelho” está com uma carreira longa, começamos em BH, fomos para o Rio e São Paulo. Tiro como base pelo meu bebê. Ele estava com um mês e meio quando fui para BH, e hoje ele está com 9 meses. É bom a gente poder levar o nosso filme para o público.

– Homenageada dessa edição da Mostra de Tiradentes, Dira Paes está sendo considerada a “cara do Brasil”…

– A Dira é a nossa musa mor no cinema nacional, é quase única, se pensarmos na carreira que ela tem. Ela fez mais filmes do que TV e teatro, o que é raro. Por isso merece nosso reconhecimento.

– Você acabou de fazer “Isolados”, um filme de suspense, gênero ainda inédito no Brasil. É um trabalho que deu certo?

– Foi ótimo. Existe uma estranheza, um pouco como aconteceu com “Tropa de elite”, em que o pessoal falava: “ah, é um filme de ação no Brasil”. Mas o espectador gostou muito do resultado. Chegamos a cem mil espectadores. É um filme que tenho o maior orgulho de ter feito, porque foi rodado com recursos próprios e de investidores. Só teve apoio do Governo na parte de finalização. Devia ter mais iniciativas particulares no Brasil, mas é raro porque é caro fazer. Fizemos na maior raça, em três semanas. A minha preparação foi maior, fiquei seis ou sete semanas me preparando, e as filmagens foram feitas em três ou quatro semanas, no alto da serra. Acho que é o meu melhor trabalho no cinema. Sobre público, é o mesmo que ocorre na mostra, que tem essa pegada mais autoral. Se a gente consome muito o suspense americano, por que não consumir o brasileiro?

– E o brasileiro sabe fazer suspense?

– Acho que sim. O filme foi muito bem realizado. Alguma crítica foi feita somente em cima do roteiro. Temos muita gente boa no Brasil, tanto atores quanto equipe técnica. Falta é investimento.

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