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Samba centenário

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Nascido em Juiz de Fora, Moyseis Marques faz seu primeiro show na cidade
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O Cine-Theatro Central recebe dois eventos que celebram a música da cidade e ainda dão aquela força para quem precisa contar com o apoio de quem pode dividir. Organizado pela Funalfa e Pró-reitoria de Cultura da UFJF, o projeto “Música para celebrar” realiza nesta quarta, às 20h, o show “Tempo de amor e alegria II”; na quinta-feira, às 20h30, será a vez do “Ponto do Samba – 100 anos de samba”. Os ingressos para os dois shows podem ser trocados por alimentos não perecíveis (arroz, feijão, macarrão ou óleo) ou produtos de higiene pessoal no próprio Central ou na sede da Funalfa, no CCBM e CEU Benfica. Tudo que for arrecadado será doado para a Sopa dos Pobres e Lar São Camilo de Lellis.

Comandado pelo projeto Ponto do Samba, o show “Ponto do Samba – 100 anos de samba” terá como convidado Moyseis Marques, artista nascido em Juiz de Fora que se tornou um dos destaques da nova geração surgida no Rio de Janeiro. Ele vai acompanhar a banda formada por Carlos Fernando (voz percussão), Roger Resende (voz e violão), Armando Junior (violão de sete cordas), Fabrício Nogueira (cavaquinho), Caetano Brasil (sopros), Maíra Freitas (pandeiro), Márcio Gomes (percussão) e Mestre Jansen (surdo). No repertório, canções do CD lançado este ano pelo Ponto do Samba, como o medley “Roseira caduca/Homenagem ao samba” (João Cardoso), “Princesinha de Minas” (Mamão, Toinho Gomes, Carioca); clássicos de artistas locais que não figuram no álbum, como “Tristeza pé no chão” (Mamão), “Sem compromisso” e “Pisei num despacho” (Geraldo Pereira); e também de compositores cariocas consagrados, caso de “Apoteose do samba”, de Silas de Oliveira.

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“O show é em homenagem aos cem anos do samba e também celebra o Dia Nacional do Samba, comemorado em 2 de dezembro”, destaca Carlos Fernando, que comemora a oportunidade de ter Moyseis Marques como artista convidado. “Ele é um dos compositores da nova geração que vêm da Lapa, no Rio de Janeiro, que participa de projetos bem legais e já fez parcerias com compositores consagrados como Nei Lopes. Como o Ponto do Samba tem por objetivo valorizar os compositores da cidade, nada melhor que trazer um compositor nascido aqui e que vem se destacando no país.

Moyseis Marques, a nova geração

Pombo do Samba vai interpretar canções do CD lançado em 2016, além de clássicos de artistas juiz-foranos e de bambas como Silas de Oliveira

Outro motivo para o show de esta quinta ser especial é o fato de ser a primeira apresentação de Moyseis na cidade. Para celebrar essa estreia, o cantor e compositor vai interpretar algumas músicas gravadas por ele em seus três álbuns solo: “Nomes de favela”, de Paulo César Pinheiro; “Aqui, oh”, de Toninho Horta e Fernando Brant; “Meu canto é pra valer”, que compôs com Moacyr Luz.

“Acho que a vida se encarrega de colocar a gente no lugar certo e na hora certa”, diz Moyseis. “Nunca tinha feito teatro e fui fazer logo a “Ópera do malandro”, do Chico Buarque, no Teatro Municipal, no Rio. Não sabemos o que a deusa Música está guardando para a gente, e será uma satisfação tocar no Central. O teatro é lindo, e o Carlos é um sujeito consciente das raízes, faz parte da resistência do samba.”

Indo além da música pela música, Carlos Fernando fala sobre a importância do gênero musical para a história cultural de Juiz de Fora. “Acredito que o samba seja fundamental para compreender a história da cidade, principalmente pela ligação com o povo negro. É uma marca muito forte na cidade e que por muito tempo não demos a devida visibilidade. Os primeiros blocos, as primeiras escolas tinham uma participação muito grande da periferia, dos negros, samba tem uma importância muito grande para dar visibilidade à população negra no âmbito cultural. Valorizar o samba é valorizar a identidade negra, algo que ainda precisa ser divulgado atualmente, com tantas manifestações de racismo, preconceito.”

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Confraternização no palco

Lúdica Música! canta músicas de Gil, Caetano, Milton, Tom Zé, Almir Satter, Gonzaguinha entre outros clássicos da MPB

Novamente organizado pelo grupo Lúdica Música!, o “Tempo de amor e alegria II”, na quarta-feira, terá como convidados este ano Adalberto Silva, Anna Terra, Caetano Brasil, Dudu Costa, Gibran Lamha, Gladston Vieira, Joãozinho da Percussão, Juju Brito, Lucas Soares, Matilda, Oficina Lúdica de Ritmos e Trupicada. Integrante do Lúdica!, Isabella Ladeira prefere guardar segredo quanto às músicas do repertório, mas adianta que o público vai conferir músicas de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Dominguinhos, Guilherme Arantes, Roberto Carlos, Almir Satter, Gonzaguinha, Pixinguinha, Milton Nascimento, Ivan Lins e Chico Buarque, entre outros. Ao final, todos os convidados subirão ao palco para o encerramento.

“Nós mantivemos a mesma temática do ano passado e acrescentamos este ano músicas que também falassem de esperança e renovação”, explica Isabella. “E também há um quê de protesto, pois não podemos ignorar o momento em que vivemos tanto no Brasil quanto no mundo. Mas é um show para cima, que também faz pensar, questionar, com momentos mais densos, líricos.”

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Isabella acrescenta, ainda, que encarar um projeto de show como esse após um ano tão conturbado aumenta ainda mais a responsabilidade em relação a 2015. “As pessoas estão engasgadas com essa realidade, independentemente de partidos, política. Existe uma necessidade de transformação e providências a serem tomadas. As pessoas estão perdidas, é preciso colocar os sentimentos para fora. A camisa ‘pesa’ mais, com certeza, mas também nos sentimos mais animados a vencer esse desafio.”

Apesar de todas as dificuldades, a artista lembra os lados positivos de 2016. “Ele marcou os 25 anos de existência e resistência do Lúdica Música!, voltamos a Portugal depois de dez anos. Esse show é como se fosse um prêmio, um reconhecimento ao nosso trabalho, à longevidade da nossa carreira.”

MÚSICA PARA CELEBRAR 

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“Tempo de amor e alegria II”, nesta quarta-feira, às 20h, no Central

“Ponto do Samba – 100 anos de samba”, nesta quinta-feira, às 20h30, no Central

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