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De barbas e cabelos compridos

apos 26 horas de onibus entre mato grosso e minas o aposentado fluminense resgata a vida do martir mineiro em monologo

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Após 26 horas de ônibus entre Mato Grosso e Minas, o aposentado fluminense resgata a vida do mártir mineiro em monólogo
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Após 26 horas de ônibus entre Mato Grosso e Minas, o aposentado fluminense resgata a vida do mártir mineiro em monólogo

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Incomunicável, o aposentado Amarílio Carvalho deixou Barra do Garças (MT), nesta semana, em uma viagem de ônibus que durou cerca de 26 horas. Por sorte, ele pararia em alguma lan house para responder às mensagens que chegam em sua caixa de e-mail. A certeza (ou a nossa dúvida) era de que ele estaria em Juiz de Fora, nesta quinta-feira, para apresentar, no Museu de Arte Murilo Mendes, às 18h, o monólogo “Joaquim José – Mártir com fé”. A longa jornada, que se torna ainda mais sacrificante quando se trata de um senhor de 82 anos, terminou às 4h da manhã de quarta-feira, 29. É para as Minas Gerais de Tiradentes que ele chega com a missão de encenar a vida do homem que se tornou o principal representante da Inconfidência Mineira. “Tiradentes é merecedor de grande respeito, e é por amor a ele que tenho estudado esse texto. Nesse minuto, estou repetindo vários detalhes, o que não é uma tarefa muito fácil para um jovem da minha idade”, brinca ele, já no quarto do hotel onde está hospedado.

Não se cansando de apelar para as recordações de mais de uma década, Amarílio conta como surgiu a ideia da dramatização, transformada em monólogo somente em 2009. Completamente lúcido, riu e chorou ao revelar a história nascida como uma espécie de desabafo. “Em 2002, estava em casa sozinho e parece ter ouvido uma voz me dizendo para vestir o camisolão e ir para a rua divulgar quem foi Tiradentes. Pensei que iriam me chamar de maluco, mas obedeci. Mandei fazer a vestimenta, botei a corda no pescoço e, desde então, tenho ido para a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, todo 21 de abril e 7 de setembro”, conta o aposentado, que, dentre as andanças, inclui passagens por sete estados brasileiros, além de Argentina, Bélgica, Vietnã e Holanda.

Para colocar a peça de pé e alcançar a meta de levá-la para a França ainda este ano, ele vai para as ruas com uma grande placa em que se destaca os dizeres “Tiradentes na França. Aceito seus centavos para ajuda de viagens.” Quem estiver no Calçadão da Halfeld no próximo dia 1º de maio, entre 9h e meio-dia, terá a oportunidade de colaborar com a causa de Amarílio.

Atrás de uma voz

Amarílio diz que, até então, seus conhecimentos acerca de Tiradentes eram superficiais, limitando-se ao aprendizado escolar. Por isso, para escrever, dirigir e idealizar trilha sonora, era preciso estudar, consultar livros, revistas e artigos científicos. “Tudo acontece quando menos se espera. Quando essa voz veio, comecei a fazer pesquisas, principalmente, com estudantes. Tive uma decepção muito grande ao perceber que, embora Tiradentes seja o patrono do Brasil e o nosso maior vulto, para muitos jovens, ele é um ilustre desconhecido”, comenta ele. Aqui na cidade, a produção terá a participação especial da poeta juiz-forana Ângela Faria, do diretor teatral José Roberto Tenório, presidente da Associação Paulista de Esperanto, e da cantora lírica Neide Barros Rêgo. “Há um momento em que Tiradentes faz uma oração e roga a Deus que só ele seja executado. É nessa hora que a Neide interpreta a ‘Ave Maria’, de Schubert. Eu me emociono muito.”

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Como trilha sonora, um fundo musical de Beethoven e Mozart. Entre súplicas e lamentos, a plateia ouve o badalar de sinos. De cenografia, poucos recursos. “Um quadro grande da cadeia velha onde Tiradentes esteve preso, que ganhei de um pintor de Niterói, a bandeira de Minas e um retrato gigante dele”, adianta o ator, de barba e cabelos compridos. Com um microfone nas mãos, ele apresenta o monólogo em uma hora de duração. “Certa vez, fazendo uma apresentação no Museu Nacional da República, em Brasília, uma autoridade me procurou, fez alguns elogios e severas críticas ao tamanho da peça. Mandei o texto para ele e, em dez dias, o texto retornou com muitos cortes, sendo reduzido a meia hora. Não mudei uma vírgula. A vida de Tiradentes é riquíssima para ser falada em 30 minutos. Também me pediram pelo amor de Deus que não falasse da Igreja Católica. Como posso falar de Tiradentes sem citar a Igreja Católica?”, indaga.

O aposentado, natural da vizinha Paraíba do Sul (RJ), mas radicado no Mato Grosso há 30 anos, eleva Joaquim José da Silva Xavier à condição de um verdadeiro herói. “Há várias histórias, pessoas afirmando que Tiradentes não foi executado, mas eu acredito piamente na história dele. Tiradentes é dono de uma alma gigante. Sabe o que ele faz? Ele beija as mãos do carrasco e diz que aprendeu a perdoar com o mestre dos mestres, o rei dos reis. Só alguém com uma alma gigante faz algo assim”, conclui Amarílo.

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JOAQUIM JOSÉ- MÁRTIR COM FÉ

Nesta quinta, às 18h

Mamm

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(Rua Benjamin Constant 790 – Centro)

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