Repórter
Questões como o terrorismo, ações militares no Oriente Médio e as peculiaridades da cultura islâmica sempre instigaram a estudante Flavia Stephan. Interessada em geopolítica desde o ensino médio, a jovem de apenas 20 anos decidiu escrever um romance que tivesse como cenário uma das regiões mais conturbadas do planeta, uma aventura com todos os ingredientes de uma obra de ficção, mas que convida o leitor a uma reflexão sobre costumes e política. Essa é a proposta de Salaam, livro que será lançado hoje, às 19h, na Saraiva Megastore do Independência Shopping.
A história tem como ponto de partida um incidente militar no Afeganistão, quando um soldado norte-americano de 19 anos, membro de uma unidade de elite em atuação no país, é sequestrado por terroristas. A partir de então, a narrativa se divide em três planos. Para tentar salvar a vida do filho, o pai do garoto planta uma falsa notícia para chamar a atenção da imprensa para o caso. Sem saber disso, o rapaz consegue escapar de seus algozes e encontra refúgio na casa de um criador de carneiros. A hospitalidade do nativo, entretanto, esbarra em um acaso do destino: o jovem ocidental se apaixona por uma de suas esposas.
Paralelamente, a irmã do desaparecido decide cruzar o Oriente Médio por conta própria em busca do familiar. É a oportunidade para falar da realidade de outros países da região de uma maneira mais ampla. É uma obra de ficção, mas tudo o que está lá foi escrito com base em muita pesquisa. Estudei os dialetos, as estatísticas de guerra, os dados culturais, comenta.
A estreia de Flavia aos 20 anos comprova não só seu interesse por história, política e literatura, mas a perseverança de uma jovem que conseguiu publicar seu livro sem qualquer contato prévio com o mercado editorial. A autora conta que listou todas as editoras presentes nas prateleiras de uma livraria da cidade e enviou os originais de seu trabalho indistintamente. Apesar das várias recusas, a estudante acabou recebendo o sim desejado da Livros Ilimitados do Rio de Janeiro. Fui com a cara e a coragem simplesmente, mas consegui chegar onde queria, diz.
