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Muito além da distância

Pesquisa sobre coreografia criada a distância resultou no espetáculo
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Pesquisa sobre coreografia criada a distância resultou no espetáculo “A/R”

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Ah, mas já vai longe o tempo em que a distância era um empecilho “danado de difícil” de se superar. Atualmente, todo mundo pode se aproximar de todo mundo para dividir interesses em comum, fazer novas amizades e até mesmo namorar, casar. Aliás, é possível até mesmo criar um espetáculo de dança utilizando a internet para transformar quilômetros em centímetros. Mas (e ele não poderia faltar aqui) há momentos em que é preciso contar com o destino para aproximar fisicamente pessoas com interesse em comum. É o caso da dupla de bailarinos Raíssa Ralola, de Juiz de Fora, e Rodrigo Andreolli, de São Paulo, que apresentam neste fim de semana, no Centro Cultural Dnar Rocha, o espetáculo “A/R”. A primeira apresentação, inclusive, está marcada para esta sexta-feira. Juiz de Fora é a segunda cidade a receber o trabalho, apresentado anteriormente em Campo Grande (MS).

Raíssa conta que a pesquisa que resultou em “A/R” surgiu em 2012, quando um grupo de 16 bailarinos participou de uma residência de dança em Porto Alegre (RS), promovida pela Funarte, que durou 45 dias e teve coordenação do coreógrafo argentino Luis Garay. Foi lá que ela e Rodrigo se conheceram, resolveram criar algo em parceria e apresentaram o projeto para a Funarte, que concedeu a eles, em 2013, o Prêmio de Dança Klauss Vianna, categoria “novos talentos”, fornecendo financiamento para os estudos coreográficos. “Nós tivemos interesse em manter contato, e a partir daí começamos a desenvolver a pesquisa, que tinha por objetivo criar uma dança baseada na distância. Estabelecemos mecanismos para desenvolver isso em cidades diferentes, marcávamos um horário e imaginávamos que estávamos dançando um com o outro”, explica. “Nós íamos para o estúdio a fim de fazer pesquisa corporal, tentando encontrar os pontos em comum. E alguns dos exercícios que eram feitos em dupla continuávamos fazendo em separado.”

Durante esse processo, eles gravavam vídeos com as coreografias de cada um e as enviavam para o outro, além do envio esporádico de gravações de áudio com suas impressões. Nem tudo, porém, era feito com cada um no seu quadrado: eles se encontraram algumas vezes nesse período para aprofundar a pesquisa, resultando em ensaios abertos em Porto Alegre, Juiz de Fora e São Paulo. Nessas etapas, eles contaram com as colaborações das coreógrafas Natália Mendonça e Renata Leoni. “A apresentação em Campo Grande ainda não foi no formato final, estamos realizando ajustes”, adianta Raíssa.

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Novo foco

Se no início a pesquisa para a coreografia se baseava na distância (o que resultou no nome inicial, “Atração/Repulsão”), hoje a “A/R” busca lidar com outros temas. “Atração e repulsão não são mais os únicos conceitos do espetáculo, hoje há outras questões – principalmente a distância, que está além da repulsão e atração. O nome ‘A/R’, hoje, tem novos significados, como os nossos sobrenomes, o aviso de recebimento de correspondência e também o ar como veículo de comunicação”, esclarece, antes de acrescentar que o espetáculo é baseado na improvisação cênica. “Ele é quase todo improvisado. Tem uma parte musical, mas boa tarde das coreografias são feitas a partir do silêncio. Há uma configuração cênica específica, com tecidos, em que brincamos com as transparências”, esclarece Raíssa.

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Como nem toda obra de arte pode ser considerada finalizada, a dupla vem trabalhando com Luis Garay em Juiz de Fora, nos últimos dias, para promover os últimos ajustes. “Acredito que a versão final (do espetáculo) poderá ser conferida nas apresentação que faremos no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, em 7 e 8 de fevereiro. Este é um trabalho muito intenso, uma aposta que acabou se concretizando. Tivemos a oportunidade de realizar uma oficina aqui em Juiz de Fora, no último fim de semana, a partir dessa pesquisa, com outros dançarinos, atores, e foi muito interessante ver os resultados”, comemora Raíssa.

A/R

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Nesta sexta-feira e sábado, às 20h, e domingo às 19h.

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Centro Cultural Dnar Rocha (Rua Mariano Procópio s/nº – Mariano Procópio)

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