
Grupo vai apresentar canções conhecidas, raridades e algumas inéditas no show desta quinta-feira
Uma das bandas mais longevas, conhecidas e populares de Juiz de Fora, a Eminência Parda rompe uma ausência de dois anos dos palcos a partir desta quinta-feira, às 20h, quando faz show acústico na Planet Music. O grupo, formado por Danniel Goulart (guitarra, violão de 12 e vocal), Edson Leão (vocal), Guiley Cardoso (contrabaixo), Luiz Lima (percussão e vocal), Marcelo Panisset (bateria) e Wesley Carvalho (guitarra, violão e vocal) vai apresentar canções conhecidas (“Tardes de verão”, “Frio e febre”, “Linhas cruzadas”, “Tudo bem” e “Fome”), raridades (“O que eu posso te dizer”, gravada apenas em demo) e inéditas como “Dela”, “Pra isso serve um rock’n’roll”, “Pra anestesiar” e “Outra canção que vem” – que se transformou no mais novo videoclipe do Eminência e que poderá ser assistido pelo YouTube.
Segundo o vocalista Edson Leão, o grupo retorna com a mesma formação que se estabeleceu em 1994, após o lançamento do primeiro CD, e que estava esperando apenas a recuperação de Marcelo Panisset, que sofreu uma fratura devido a um acidente e esteve fora de combate. O retorno ao estúdio mostrou que o Eminência Parda mantinha o mesmo entrosamento de outrora. “A química voltou bem rápido. Mas não dá para negar que toda volta é um recomeço, e estamos tateando o universo de possibilidades que já exploramos até sentir para onde vamos realmente. O bom é que canções inéditas não faltam, talvez o principal desafio seja encontrar qual o foco diante de tantas possibilidades. E isso é algo que vamos ter que descobrir colocando o bloco na rua, sentindo o resultado nos shows.”
Com tantos compositores na banda (“são pelo menos quatro”) e tanto tempo sem atividades oficiais, Edson diz que não tem como precisar quantas músicas estão no jogo agora, e a questão é saber quais têm o perfil do grupo. “Tomar esse contato com canções novas nem sempre é muito fácil, até porque voltamos já com compromissos agendados. O processo começou por músicas que já estavam na pauta quando o Marcelo sofreu a fratura. ‘Outra canção que vem’ já estava arranjada, e eu já a apresentava no Encontro de Compositores há alguns anos e com a qual a banda se identificava”, conta.
“A outra na fila é ‘Pra anestesiar’, parceria do Marcelão com alguns integrantes do Parangolé (Valéria Faria, Hudson Coelho e Anderson Guimarães) e que também gera uma identificação imediata. Depois vem ‘Dela’, que partiu de um texto que o Marcelão postou no Facebook e que eu, logo que li, comecei a cantarolar, peguei o violão e fiz a melodia. A mais recente foi uma minha, ‘Pra isso serve o rock’n’roll’, que veio de um questionamento meu sobre porque continuar fazendo ou ouvindo rock depois da adolescência, que também causou uma identificação imediata – por motivos óbvios. Além disso, reinventamos uma canção que tinha sido gravada só como demo, ‘O que eu posso te dizer’, que era um questionamento sobre o que uma canção pode significar para as pessoas. Se for ver no conjunto, tudo gira em torno da relação entre vida e música, mesmo que a gente não tenha racionalizado isso como conceito.”
O Eminência Parda já pensa no próximo trabalho de estúdio, mas, como afirma Edson, por enquanto o trabalho está na fase de esboços – tanto que chegaram a pensar em apresentar um projeto para a Lei Murilo Mendes, mas preferiram esperar para ver quais serão os rumos artísticos da banda.
Música em imagens
Das novas músicas, “Outra canção que vem” foi a escolhida para ganhar o videoclipe, gravado este ano nas ruas de Juiz de Fora por Leonardo Teixeira, tendo como atores o cantor Paulo César Oliveira Ramos (PC) Edmárcia Andrade, e que ajuda a divulgar o retorno dos rapazes. Segundo o vocalista Edson Leão, é uma canção que trata de relações num contexto contemporâneo e urbano, retomando uma ideia que já fazia parte dos primeiros vídeos da banda e do CD “Cidade sob a chuva”. “É a ideia da cidade como cenário-personagem, que de forma implícita está sempre se misturando com o universo psicológico dos personagens. A cidade como elemento integrante das buscas, encontros, desencontros, conflitos pessoais e sociais”, filosofa.
Edson lembra que o último show com a formação completa do Eminência Parda foi realizado em 2012, no Mezcla, já num período de apresentações mais esparsas devido às atividades fora da banda. O show desta quinta-feira será o primeiro calcada exclusivamente no repertório autoral, mas o grupo já realizou dois espetáculos em Tiradentes e um terceiro no Festival da Primavera, em que canções de outros artistas entraram no repertório. “Nossa perspectiva é, principalmente, poder sentir como as novas canções funcionam ao vivo. Tem, inclusive, um lance político nesse momento, que é a necessidade de fortalecer a cena autoral da cidade, e queremos participar de alguma forma disso. Juiz de Fora tem historicamente uma vocação para produção autoral, que vem desde os festivais dos anos 70 e atravessa gerações. Precisamos consolidar e ampliar espaços para que essa realidade se torne clara para um público mais amplo”, encerra Edson, reforçando o desejo do grupo de gravar um novo álbum de inéditas em 2016.
EMINÊNCIA PARDA
Nesta quinta-feira, às 20h
Planet Music
(Rua Moraes e Castro 218 – Alto dos Passos)

