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Com show gratuito em Juiz de Fora, Rafa Castro lança novo álbum, ‘Em silêncio o afeto cresce’

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Com show gratuito em Juiz de Fora, Rafa Castro lança novo álbum, 'Em silêncio o afeto cresce'
Novo trabalho de Rafa Castro fala sobre despedidas, ao mesmo tempo que lança um olhar sobre os recomeços (Foto: Divulgação)
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Em “Teletransportar”, de 2020, Rafa Castro colocou para fora tudo o que sentia sobre os rumos do mundo, com uma visão sobretudo política do que acontecia no Brasil. Seis anos depois, o músico mineiro faz o movimento contrário em “Em silêncio o afeto cresce”, álbum que chega às plataformas nesta quinta-feira (30): mergulha em experiências íntimas, atravessadas pelo luto, pelas despedidas e pela esperança de novos encontros. O lançamento acontece no mesmo dia em que ele volta a Juiz de Fora para um show no Mercado Cultural AICE, com entrada gratuita, às 20h.

“Em silêncio o afeto cresce” é o trabalho mais diferente de Rafa Castro, natural de São João Nepomuceno. Primeiro pelo tempo que ele ficou sem lançar um álbum: são seis anos desde o último. Muita coisa aconteceu na vida do músico e fez com que ele adiasse um novo lançamento. A começar pela pandemia. “Um período custoso em muitos sentidos. As coisas congelaram e deram um super hiato. A cultura sofreu muito e eu sentia ser impossível lançar alguma coisa nesse período.” Isso não significa que Rafa não compôs. Na verdade, como ele conta, é músico inquieto, pesquisador e ativo: durante todo esse tempo, a música esteve ali a seu lado.

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Quando as coisas aliviaram e o futuro ficou mais previsível, ele começou a pensar em um próximo trabalho a partir do que compôs até então. “Mas eu tive uma infelicidade na minha família. Meu pai, que estava lutando contra um câncer há muito tempo, teve uma piora brusca na saúde. Ele faleceu no fim do ano passado, mas foram três anos de muita entrega.” Foi justamente nesse período que ele intensificou as composições e começou a gravar o material. “Foi um período mais extenso de gravação, de feitura do trabalho, porque eu estava entre São Paulo e Minas. Tive a sorte de conseguir estar lá com ele, de vivenciar e de me despedir.” O processo fez com que ele deixasse, por algum tempo, o novo trabalho em segundo plano.

Ao mesmo tempo, foi impossível passar por isso e não deixar registrado o momento: o pai dele tinha que estar em “Em silêncio o afeto cresce”. E está. Rafa Castro, em uma parte do álbum, fala sobre a finitude de uma das pessoas mais importantes de sua vida. E falar sobre isso com sensibilidade foi o mais importante legado deixado por seu pai. Principalmente porque, como ele conta, quem o ensinou a ser assim foi seu pai. Mesmo ao abordar o luto, o álbum não abre mão da esperança: ela está ali e com motivo. “Tem uma alegria de ter conseguido aproveitar ele e ter vivenciado coisas lindas com ele e ter podido me despedir com calma, com carinho e com muito amor.”

O disco também fala sobre o fim de um relacionamento amoroso, um amor duradouro que igualmente chega ao fim. A experiência se aproxima do luto e traz a necessidade de se reconhecer sozinho depois de tanto tempo ao lado de outra pessoa, além dos questionamentos provocados por um sofrimento que também é profundo. Mas, no fim das contas, ele acredita que, apesar disso, “Em silêncio o afeto cresce” é mais sobre a esperança: “Em um lugar de novos encontros, de novas possibilidades de amar, de estar no mundo, de viver”.

Um trabalho com calma

‘Em silêncio o afeto cresce’ nasce nas plataformas nesta quinta-feira (Foto: Reprodução)

Encontrar a esperança é como ver a luz no final do túnel. E, para isso, é preciso calma. E também nesse sentido esse novo trabalho é diferente dos outros: ele é todo permeado pela calma. Rafa conta que sempre gostou de gravar seus trabalhos ao vivo. Ele acredita que, dessa forma, fica mais “potente e orgânico”. Com esse álbum, no entanto, ele mesmo foi gravando as bases de todas as músicas em casa e, aos poucos, foi convidando os músicos de cada instrumento. “Isso trouxe uma calma e uma possibilidade de cada músico somar e agregar”, acredita. A produção musical é dividida com Vitor Cabral, que também assina a bateria.

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Essa facilidade em encontrar músicos e até estabelecer parcerias, em sua visão, foi muito possível principalmente por ele estar em São Paulo. “Porque as coisas acontecem de uma maneira muito veloz aqui. Você tem muitas ferramentas, muita gente à disposição e querendo fazer. Eu tive muita sorte de, ao chegar aqui, encontrar músicos, artistas maravilhosos e conseguir me inserir dentro de uma cena que é muito efervescente.”

Escrevendo as trilhas

Rafa Castro aprendeu a compor fazendo trilhas para cinema e para o teatro. Ele sempre deixa isso claro. Esse fato é importante em sua trajetória porque confirma o que se percebe: suas canções, sobretudo, são imagéticas. Elas têm curvas. E, nesse sentido, “Em silêncio o afeto cresce” é também uma confirmação de seu caminho como compositor de letras e melodias. “Em ‘Teletransportar’ eu tinha uma urgência de dizer coisas que eu sentia que eu precisava colocar para fora, precisava transformar em palavras e eu organizar isso de uma maneira mais pessoal. E eu consegui me aprofundar e ir para além das melodias, fazer letras e ter parceiros melodistas que me encaminharam coisas.” Nesse disco, ele continua esse processo, agora orientado por temas mais pessoais e íntimos.

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A relação com as imagens também aparece na divulgação dos singles nas redes sociais. Rafa Castro apresentou algumas músicas em pequenos clipes no Instagram: as canções ganham novos contornos. Ao mesmo tempo, é uma forma de divulgar seu trabalho de um jeito novo, além do convencional. “Eu sempre me inspirei muito em identidades e criações múltiplas. (…) Muito me alegra também ter outras narrativas que a música pode proporcionar, sabe? Não ser completamente objetivo e reto, mas que a música traga outros significados, outras linguagens, outras nuances e outros olhares.”

Ponto de partida

Ao percorrer a discografia de Rafa Castro, percebe-se uma característica permanente: a ligação com a música mineira, seja nas composições instrumentais, seja nas canções. E tem um motivo muito pessoal. Ele conta que entende que a música mineira foi o que o fundou. Mas, principalmente, esse contato é o que o faz sentir em casa. “Eu acho que o fato de eu ter me mudado para São Paulo e estar longe, a música mineira é um jeito que eu tive de estar perto da minha terra, da minha família, dos meus amigos, e de eu não perder as minhas raízes, para eu não perder de vista o meu ponto de partida mesmo.” Essa ligação, como conta, nem é proposital, na maioria das vezes; é um processo natural que muito tem a ver até com sua voz, mais aguda, que também o guia por esse caminho.

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Em um breve retorno às origens, Rafa Castro apresenta “Em silêncio o afeto cresce” em Juiz de Fora nesta quinta-feira, no mesmo dia em que o álbum chega às plataformas digitais. As músicas serão interpretadas em piano e voz, em um formato intimista. Como o show começa às 20h e o disco será disponibilizado às 21h, o público poderá ouvir as novas composições antes do lançamento oficial.

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