Em cartaz até amanhã, na Igreja de São Pedro, a exposição São Pedro alemão, realizada na 120ª Festa de São Pedro, apresenta fotografias, quadros, documentos, livros e imagens que contam a história da Cidade Alta e dos responsáveis diretos pela sua formação. São preciosidades, acondicionadas pelos próprios moradores da região, que lançam um olhar sobre os 155 anos de imigração germânica em Juiz de Fora, episódio iniciado em 1858, quando 1.193 colonos alemães e austríacos chegaram à cidade, contratados pelo então empresário Mariano Procópio Ferreira Lage. O objetivo era formar a Colônia Agrícola D.Pedro II. Por suas aptidões profissionais – alguns eram ferreiros, mecânicos ou serralheiros -, acabaram também sendo utilizados na construção da Estrada União e Indústria, via que beneficiou economicamente os municípios cortados por ela.
Sempre me encantei com a imigração alemã. Ainda na faculdade, comecei a pesquisar sobre o assunto e descobri que várias famílias possuem acervos guardados como se fossem pequenos tesouros, sem que elas tenham percepção de como são importantes para a memória do município. Percebi que se juntasse tudo, conseguiria mostrar essa história de forma mais ampla, conta a jornalista e pesquisadora Rita Couto, organizadora da exposição, que já está na quarta edição.
Entre as lembranças expostas, chamam atenção imagens que retratam um bairro com ruas ainda de terras e fotos que possibilitam compreender a evolução do vestuário. O público vai poder conferir raridades redigidas em alemão, como uma receita da antiga cervejaria José Weiss, um livro de cântico da Igreja Luterana, de 1860, e um atestado de vacina da família Freesz, datado de 1853. Também ocupam lugar de destaque louças de porcelana alemã, além de inúmeros documentos da Liga Católica e da Sociedade Beneficente Alemã. Era para ter muito mais material, pois o alemão tem o cuidado de registrar. Mas as duas grandes guerras acabaram atrapalhando, já que os imigrantes alemães sofreram perseguição aqui na cidade. Por medo, eles passaram a queimar e a esconder qualquer vestígio de sua origem.
O trabalho de juntar o material a ser exposto não é fácil. Todo ano, três meses antes da tradicional festa do santo, que dá nome à paróquia, Rita sai de casa em casa, garimpando o acervo e recolhendo registros orais. Além de despertar para a questão da memória, o projeto valoriza as pessoas. Alguns até doam, comenta a jornalista, que já tem planos futuros. Minha intenção é fazer um grande memorial. Alguma coisa guardo comigo, outras cedo para o Instituto Teuto-brasileiro.
SÃO PEDRO ALEMÃO
Hoje e amanhã, das 9h às 22h
Igreja de São Pedro
(Av. Senhor dos Passos 1.592 – São Pedro)
