Quando subir ao palco do Teatro Municipal de São João del Rei, neste sábado, Nelson Freire certamente será assolado pelas lembranças da noite na qual a única preocupação de sua família era mantê-lo acordado. Foi no teatro da cidade histórica que o pianista realizou sua primeira apresentação pública, aos 6 anos de idade. Apesar da hora avançada do concerto, 21h, tudo correu bem, conforme contou o pianista, em entrevista recente. Sessenta anos após a iniciação, Freire retorna à cidade em que cresceu, pelo projeto Música no museu, patrocinado pela Cemig, que há 15 anos leva gratuitamente grandes nomes da música clássica a espaços culturais de todo o Brasil.
O excepcional – e precoce – talento conferiu a Freire o título de um dos maiores pianistas da atualidade. Nascido em Boa Esperança, no Sul de Minas, foi criado em São João del Rei, onde iniciou seus estudos de música. Aos 12, interpretando o concerto Imperador, de Beethoven, foi premiado no primeiro Concurso internacional de piano do Rio de Janeiro, recebendo uma bolsa de estudos do governo brasileiro para prosseguir sua formação musical em Viena, na Áustria, sob orientação de Bruno Seidlhofer. Em sua estreia na Academia de Música de Viena, aos 15 anos, o garoto impressionou professores e alunos, merecendo amplo registro na imprensa internacional, que o aclamou como um dos grandes pianistas do nosso tempo.
Sua carreira estende-se por mais de 50 anos e já levou o artista às melhores salas de concerto do mundo, em 50 países, onde dividiu o palco com regentes ilustres, como Sir Colin Davis e Pierre Boulez. Dentre as orquestras com as quais já colaborou, destacam-se as Filarmônicas de Berlim, Munique e Roterdã, além das Sinfônicas de Viena e Londres. Em 2003, o músico teve sua trajetória registrada pelo cineasta João Moreira Salles, no documentário Nelson Freire.
Os ingressos para o concerto estão esgotados, mas a apresentação terá transmissão local, com exibição aberta ao público no Cine Glória (Avenida Tiradentes 324).
