Esse ano, o Corredor Cultural manteve a tradição da variedade de atrações artísticas locais e convidadas, inovando no cardápio oferecido a cerca de 35 mil pessoas em 42 horas de maratona pela cidade. A chuva até que tentou mas não conseguiu roubar a cena na sexta e no sábado, nos dois dias por volta das 20h, pois , por mais tímido que o público parecia durante a abertura com a Banda do Síndico na Praça da Estação, este foi ganhando cada vez mais adeptos na medida em que a bateria de shows, peças, exposições e outras performances vinham sendo apresentadas, muitas delas inéditas por aqui. O evento não só está consolidado no calendário cultural do município, como é esperado com ansiedade pelo público e pelos artistas, destacou o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, sobre a quarta edição da proposta, que voltou a ocupar teatros, galerias e centros culturais, além de espaços abertos, como praças e parques, na área central e em cinco bairros.
De Pernambuco, dois dos principais destaques da festa trouxeram a beleza e a irreverência da cultura nordestina. Os bonecos gigantes de Olinda vieram para atrair adultos, crianças e bebês para o Calçadão da Halfeld no sábado, para depois partir para o Bairro Benfica, onde, participaram de um show de frevo na Praça Jeremias Garcia.
Principal show da noite de sábado, os jovens pernambucanos da banda Seu Chico não desapontaram. A gente gosta muito de fazer eventos a céu aberto como este, é da cultura de Recife, vocês estão de parabéns, elogiou o vocalista Tibério Azul, antes de o tecladista Vitor Araújo ser ovacionado por fugir ao roteiro e entoar o tema musical do longa O fabuloso destino de Amélie Poulain. Apesar da pouca idade dos músicos, eles mostraram o que os fãs de Chico Buarque sabem de cor, as canções do compositor podem ser interpretadas em qualquer ritmo, seja qual for o sotaque. Fiquei impressionado como esses meninos são novos para fazer uma releitura com tanta personalidade, observou o professor Wilton Paiva, 34 anos, que retornou no domingo para o final da maratona, na Praça da Estação.
No último dia, lá estavam os bonecões de volta, fazendo a alegria das crianças na Praça Antônio Carlos pela manhã, quando personagens da literatura infantil receberam os pequenos com cestas cheias de frutas e biscoitos, ao som da banda Trupicada, que aproveitou o sucesso do seu Bloco da farinha para anunciar a vontade do coletivo em participar do carnaval 2013. Esse é o primeiro evento cultural da Sophia, temos que incentivar desde bebê, ressaltou a fotógrafa Andreia Machado, 33 anos, mãe da estreante em Corredor Cultural, de apenas 1 ano.
No Museu Mariano Procópio, crianças e pais acompanharam o conto de fadas João e o pé de feijão, que foi narrado ao redor do lago no sábado e no domingo. Depois de receber uma semente germinada e informações sobre ela, os pequenos se depararam com feirantes dispostos a trocar qualquer objeto por um feijão mágico. Os mais espertos apelaram para pipoca ou pedras do caminho, enquanto outros deram adeus a bonecas e outros brinquedos – pelo menos até o fim do percurso. Ao fim da narrativa, um cortejo, comandado pelo músico Fabrício Conde, convidou os participantes para cantar e conferir as outras atividades do Corredor Cultural.
Outro ponto alto da festa neste dia foi a apresentação da Russo Jazz Band, na Praça Antônio Carlos. É a décima vez que venho a Juiz de Fora, a primeira foi em 1996. Cada convite é uma alegria. Nosso grupo sente-se feliz por poder se apresentar em espaços abertos. Tocar no meio do público desmitifica o jazz, que é considerado um estilo musical elitizado, disse o líder do grupo, Orlando Russo Filho, que encerrou a apresentação no meio da plateia.
Mas foi na Praça da Estação, onde tudo começou com o grupo que acompanhou Tim Maia, na sexta, que três gerações unidas pelo nome Rodrigues subiram ao palco no domingo para entoar, a partir das 21h15, sucessos que marcaram a história da música popular no Brasil. Primeiro foi Jairzinho, depois Luciana Mello e, por último, o pai Jair Rodrigues, responsável por fechar mais um ciclo do mosaico cultural promovido para celebrar os 162 anos de Juiz de Fora, celebrados no próximo dia 31. Hits como Romaria (Renato Teixeira), Eu sei que vou te amar (Vinicius de Moraes), Madalena (Martinho da Vila) e Fita amarela (Noel Rosa) estiveram no repertório de Jair, que, junto aos dois filhos, encerrou o Corredor Cultural 2012 com Deixa isso pra lá (Jair Rodrigues) por volta das 23h15. Quando tudo parecia estar no fim, os ilustres convidados de Olinda deram novamente as caras, desta vez para se despedir. Réplicas gigantes de Chacrinha, Luiz Gonzaga e, claro, Jair Rodrigues retornaram para dar adeus ao Corredor, que, pelas mais de 120 atrações, ofereceu inúmeras opções de entradas e saídas ao circuito da cultura local.
Pela primeira vez na cidade, o fotógrafo carioca Daniel Chiacos, do coletivo O Estendal, destacou, em seu perfil no Facebook, a multiplicidade de atividades, observando que o evento reúne tanto o que é considerado cultura tradicional quanto o que é visto como alternativo. Essa mistura reitera o conceito amplo de cultura, postou, junto a algumas fotos feitas por aqui nos últimos dias. Na rede social, aliás, não faltaram comentários e flagrantes ao longo de toda a maratona. Após se apresentar na Praça da Estação no domingo, o compositor Carlos Fernando Cunha postou: Talvez o poder da arte possa ser medido pelo sorriso. Foi o que mais chamou minha atenção ao longo desses três dias de Corredor Cultural em JF. Sorrisos estampados de todas as cores, idades e classes.
O músico Ronaldo Miana destacou a presença da Orquestra Mário Vieira no parque do Museu Mariano Procópio também no domingo. A professora Gisella Meneguelli disparou: Isso é promoção à cidadania e à reunião! Sobre o encerramento, o produtor, músico e ator Gibran Lamha pontuou: O show da família Rodrigues foi simplesmente maravilhoso. Público lindo, aberto, receptivo… Totalmente alto astral. E o Jair Rodrigues? Vai ter energia assim lá não sei onde! O perfil do Espaço Manufato no Facebook compartilha um vídeo com a apresentação do grupo Samba Jazz Brasil Zil, sábado, no local, pela primeira vez no Corredor Cultural, assim como muitas outras estreias, que, de acordo com a organização, são sempre bem-vindas em outras épocas do ano.
