Isso foi o que mais encantou a integrante do grupo Priscila Rocha. “A gente constrói, estuda os instrumentos e entende a história da mulher na produção artística que, em geral, é meio apagada, escamoteada.” E tudo isso é feito atrás do resgate da obra de Clara Nunes.
Reconhecida como uma das principais intérpretes de samba de sua época, Clara é, no entanto, muito mais diversa e eclética do que isso. Bebendo de sua obra, as Guerreiras tocam samba de roda, afoxé e ijexá, samba de terreiro. Não há fronteiras entre as variações musicais.
Os principais instrumentos são comuns a outros ritmos que figuram nos demais blocos de JF: o repinique, o surdo e o atabaque. Mas um deles, em particular, é muito característico. “O agogô está em todos. A gente já tentou fazer arranjo sem agogô, mas em música da Clara simplesmente não dá “, afirma Gabriele. Ela explica ainda que o grupo foi inserindo outros instrumentos, como o patangome e o berimbau, para remeter aos movimentos culturais do negro.
E é impossível falar do samba de Clara Nunes sem citar as religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, tema central em suas músicas, tanto nas letras quanto nos arranjos.
As Guerreiras de Clara vão levar toda essa riqueza musical neste domingo (2) para o Uthopia, onde tocam em homenagem a Iemanjá, e no bloco FUZUÊ, dia 9 de fevereiro.

