Uma ode ao teatro mineiro. O espetáculo "A dama desnuda" traz hoje a primeira dama da dramaturgia de Minas, Wilma Henriques, ao palco do Cine-Theatro Central. A montagem, que terá apresentação única a preços populares, conta a história da carreira de uma atriz que está se preparando para receber uma homenagem e é surpreendida pela visita de uma fã em seu camarim. Não por acaso, o espetáculo traz para a cena a vida da atriz de 81 anos, relembrando seus momentos marcantes, ao longo dos 53 anos de dedicação à interpretação.
"Vejo a peça como uma homenagem aos atores mineiros, que vivem essa luta, os desafios desse ofício tão trabalhoso, principalmente para aqueles que estão longe do Rio e de São Paulo e, com menos visibilidade, têm suas horas boas e ruins, seus altos e baixos", avalia Wilma, em entrevista à Tribuna. A comédia do Grupo Gambiarra, que estreou em Belo Horizonte no dia 16 desse mês, tem texto assinado por Renato Millani, com supervisão artística de Jair Raso – de Barbacena – e direção de Carluty Ferreira.
Além de Wilma, sobe ao palco Patrícia Thomaz. "A interação com essa jovem e talentosa atriz é muito interessante. Hoje somos muito amigas. Ter confiança no ator que contracena com você é fundamental", assegura a protagonista, que se diz envolvida com cada detalhe da espetáculo – que faz parte do projeto "Trilha cultural", do BDMG Cultural -, desde a montagem até o figurino.
O texto leve e descontraído conta a história da atriz mineira de Conselheiro Lafaiete, que aos 2 anos foi morar em Belo Horizonte, cidade de onde nunca saiu, apesar dos inúmeros convites para trabalhar nos dois maiores centros brasileiros. "Minha mãe precisava da minha presença, e eu nunca quis me afastar de fato de BH. Mas não posso me queixar. Sempre fiz trabalhos importantes, com companheiros queridos", revela a atriz, que iniciou a carreira no fim dos anos 50, integrando a programação da TV ao vivo. "Mas sempre gostei mesmo do teatro", diz.
Palco de desafios
Da infância no Colégio Santa Maria às cenas de peças e filmes de destaque, a trama se desenrola em torno de momentos marcantes da carreira de Wilma. À frente do Grupo Gambiarra, fundado em 1975, a atriz estrelou diversas montagens teatrais, como "Roda de cor", "A prostituta respeitosa", "A dama das camélias" e "Navalha na carne". No cinema, estrelou, em 1964, "O menino e o vento", de Carlos Hugo Christensen, além de atuar em filme de Schubert Magalhães, "Ela e os homens"; Geraldo Santos Pereira, "Aleijadinho – Paixão, glória e suplício"; e Elza Cataldo, "Vinho de rosas".
"Wilma Henriques reúne talento, ética, generosidade e um imenso amor pela profissão", avalia o diretor Rogério Falabella, com quem já trabalhou. "São 50 anos de carreira teatral dando forma e conteúdo às suas personagens, emprestando corpo, voz e emoção ao mundo mágico do teatro e canalizando todas as suas energias para o ofício da cena. Assim é Wilma Henriques, um animal teatral com todas as suas garras afiadas e de prontidão para avançar sobre a cena, dando vida a mais uma personagem, um desafio", completa Pedro Paulo Cava, outro profissional que dirigiu Wilma.
A DAMA DESNUDA
Única apresentação, hoje, às 21h
Cine-Theatro Central
3215-1400
