Há pouco menos de um ano, o Pato Fu marcou um gol de placa em Juiz de Fora, num momento em que a banda havia decidido colocar em prática a "loucura" de gravar um disco inteiro utilizando instrumentos de brinquedo. E fez o segundo gol quando, por aqui, mostrou que tudo era muito mais que uma brincadeira. O DVD "Música de brinquedo ao vivo" foi a coroação desta ousadia e a prova de que, para eles, tudo não passava de uma proposta muita séria.
Hoje a banda está de volta à cidade, para show no Cultural Bar, com parte das 12 faixas do CD "Daqui pro futuro", incluindo "Tudo vai ficar bem", e um passeio por vários climas, desde uma discoteca de brinquedo em "Mamã papá", composta por John Ulhoa e Fernanda Takai, até a melancolia de "Espero", que, conforme os mineiros, "chega a lembrar um ‘Portishead’ menos deprimido".
"Acabamos de lançar o DVD do "Música de brinquedo", e acho que essa turnê ainda é promissora, inclusive para shows no exterior", avisa John Ulhoa, responsável por guitarra, programações e vocais do grupo. "Ideias mirabolantes nunca param de surgir, mas, por enquanto, estamos mesmo concentrados nesse projeto."
Por isso, seus comparsas Fernanda Takai (vocal e violão), Ricardo Koctus (baixo e vocais), Xande Tamietti (bateria) e Lulu Camargo (teclados) interpretam algumas das canções do trabalho, sem deixar, no entanto, os hits de fora. Uma versão de "Cities in dust", sucesso oitentista de Siouxie & The Banshees, mais contida – mas não menos inspirada -, de acordo com Ulhoa, se juntará às pérolas "A hora da estrela"," A verdade sobre o tempo", Nada original", "Eu", "Depois", "Perdendo os dentes", "Sobre o tempo" e "Ando meio desligado".
Em busca de permanecer à frente do seu tempo, o Pato Fu não se cansa de pensar em formatos diferenciados para disponibilizar o que vem apresentando. "Fomos uma das primeiras bandas brasileiras a montar um site, a colocar mp3 para download… Já colocamos discos à venda online antes do CD nas lojas, mas tudo isso já é comum hoje em dia. Acho que, na verdade, essas coisas têm menos importância do que buscar novas canções ou outras maneiras de se tocar. A gente se preocupa em fazer algo bom musicalmente, depois damos um jeito de lançar, seja como for", diz.
Vanguardistas, os músicos transitam numa faixa estreita entre o mainstream e o independente, o que, ao olhar do público e do mercado, parece ser sempre uma boa ideia. "Ter um estúdio em casa ajuda bastante. Um disco como o ‘Música de brinquedo’ dificilmente seria feito num esquema normal de gravadora, pois pareceria que estávamos desperdiçando tempo e dinheiro", reforça Ulhoa.
Ele assegura ainda que a banda guarda algumas surpresas num "caderninho" e, inclusive, algumas demos já prontas. "Mas não temos prazo para isso, ainda temos muito o que rodar com a turnê atual e alguma coisa do lado B", anuncia o músico.
Quase 20 anos após seu surgimento em Belo Horizonte, o Pato Fu ainda não descobriu – ou pelo menos não quer divulgar – sua receita de sucesso. "A gente sempre só tentou fazer o que parecia ser a melhor ideia a cada momento, uma de cada vez. Isso é uma receita? Sei lá. Construímos nossa carreira lentamente, nunca fomos um estouro de vendas ou a banda mais tocada nas rádios, acho que isso manteve nosso pé no chão", conclui John Ulhoa.
PATO FU
Hoje, às 23h
Cultural
(Av. Deusdedit Salgado 3.955). 3231-3388
Abertura com Vinil é Arte e fechamento com Eminência Parda
