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‘O museu tem que estar a serviço da sociedade’

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Como atrair as pessoas a uma área degrada do centro da maior capital brasileira, cercada de moradores de rua e prostituição? São Paulo é uma cidade gigantesca, que não para, assevera Telma Mosken, que encontrou nas iniciativas vinculadas à educação as respostas para fazer de um dos mais importantes museus do país referência no setor. Supervisora do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Telma destaca a função primordial dos museus de servir ao cotidiano das pessoas. O museu tem que estar a serviço da sociedade, pontua a educadora e mestre em museologia, que esteve na cidade para ministrar palestra no Museu de Arte Murilo Mendes.

Neste sentido, o primeiro passo dado pelo espaço foi ampliar o horário de funcionamento. A flexibilidade de horário é bastante democrática. As portas da Pinacoteca permanecem abertas – além das tradicionais 10h às 18h, de terça a domingo – até às 22h, todas as quintas-feiras, sendo que, a partir das 17h, a entrada é franca. Aos sábados, o museu também adia o horário de cerrar as portas, já que o dia é o mais frequentado da semana. O funcionamento até as 22h permite, por exemplo, que recebamos visita dos alunos de turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), diz. Para dar mais opções aos visitantes no dia, convidados de diversas áreas realizam palestras atrativas a diferentes públicos.

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Fundada em 1905, a Pinacoteca figura entre os museus mais antigos da cidade e está instalado no edifício no qual funcionou o Liceu de Artes e Ofícios, projetado no final do século XIX pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, que sofreu uma ampla reforma com projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha no final da década de 1990. Com um rico acervo bibliográfico, arquivístico e artístico, mantém uma das maiores coleções de obras de arte que vão do século XIX até a contemporaneidade, contabilizando nove mil obras, sobretudo de arte brasileira.

Da porta para dentro

Antes do núcleo educativo, nosso público era superelitista. E o museu não é mesmo um espaço de elite. Ele deve promover essa diversidade, ser um espaço de convivência, enfoca. Nosso objetivo principal era possibilitar a qualidade da experiência com a arte, mas, sobretudo, para esse público não frequente. Com isso, os primeiros convidados a conhecer o acervo foi o público interno. Os funcionários do museu, o pessoal da limpeza, os seguranças, que, em sua maioria, não é um público especializado. Em seguida, os filhos desses funcionários, recebidos no dia que chamamos de Pinacriança, conta.

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Investindo no processo de popularização, parcerias foram feitas com organizações não-governamentais, que já trabalhavam com o público carente do entorno, a fim de levar esses profissionais para dentro do museu. É preciso pensar também naquele professor que leva seu aluno de forma espontânea ou no público que tem necessidades especiais, lembra a especialista.

Aos deficientes visuais, a Pinacoteca dá a opção de uma visita autônoma, possibilitada por um áudio-guia. Já os deficientes auditivos podem conhecer o espaço a partir de um vídeo educativo. Mas também existe aquele público que não quer nada disso, que quer fazer a sua visita livremente. Para eles, elaboramos textos educativos, jogos que são emprestados para brincar no espaço e depois devolver.

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A Pinacoteca pode atender diariamente a 500 pessoas em visitas agendadas. Não existe esta palavra, ‘roteiro’. São crianças de 6 anos, terceira idade, passando por policiais, meninos de ensino médio, da Fundação Casa. E as respostas desse pessoal às leituras de imagem, às atividades lúdico-educativas que conduzem esse diálogo são as mais diversas possíveis. Não há como prever o que vai acontecer, ressalta.

É imprescindível aos educadores de um museu a habilidade de trabalhar com o diverso, segundo Telma, citando que a maioria do núcleo é formada por profissionais de educação artística e história. Toda semana a gente escuta coisas do tipo: ‘A gente vai encontrar a Monalisa aqui?’. Muitos não têm mesmo a mínima ideia do que vão encontrar, reforça.

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Década promissora

A última década foi muito importante e coleciona progressos para o setor de arte-educação dos museus, segundo a supervisora, que participou da fundação do núcleo educativo da Pinacoteca, em 2002. Com certeza frequentar esse espaço é um hábito que vem se criando, pontua. A grande maioria dos museus tem sua parte educativa, que investe nessa diversidade de programação para atrair as pessoas.

Para Telma, as parcerias com os governos, secretarias de cultura e educação são fundamentais e desempenham papel de grandes incentivadoras desse hábito. A escola particular tem acesso a isso. Ela pode alugar um ônibus para levar seus alunos e faz isso. Mas e aquela escola que está a 30 quilômetros e ainda faz parte da cidade? Hoje, no Estado de São Paulo, 800 mil crianças visitam museus por ano. É pouco? É. Mas é 10% das escolas municipais tendo acesso, mesmo que seja pela primeira vez, a esse espaço.

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