"Desde o início, a ideia foi fundar uma orquestra de excelência em Minas Gerais". Com a certeza de um objetivo buscado diariamente – e inquestionavelmente alcançado – ao longo dos cinco anos de existência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, seu regente e diretor artístico, Fabio Mechetti, fala sobre a evolução do grupo desde a sua fundação. "Muitos críticos especializados a consideram a segunda maior do país, não somente pela complementação do número de músicos, mas pela atuação em concertos regulares em Belo Horizonte, pelo estado e pelas principais salas brasileiras, além uma busca constante de melhora artística."
Os esforços de um trabalho executado com tanta minúcia não têm passado em branco. Em 2010, o grupo foi eleito o melhor do gênero erudito do ano pela Associação Paulista de Críticos de Artes e, no ano passado, recebeu o Prêmio Carlos Gomes de melhor orquestra brasileira. E os voos tendem a ser cada vez mais altos. "A intenção é galgar passos artísticos cada vez mais relevantes e continuar cumprindo a função de ser um cartão-postal mineiro, um exemplo de projeto cultural de relevância", comenta Fabio.
Para o regente, uma das razões para a rápida trajetória ascendente da Filarmônica é a frequente participação de solistas brasileiros e estrangeiros de destaque internacional em seus concertos. "Sempre quis trazer os melhores, independentemente de sua nacionalidade e, claro, dentro das possibilidades orçamentárias. Tento valorizar os jovens solistas com carreira em ascendência e investir na diversidade de instrumentos e formações."
Segundo Fabio, outro sólido alicerce para a contínua edificação do êxito da orquestra é a atuação em conjunto. "Um maestro sozinho não faz som. O sucesso do grupo liderado é fruto de um trabalho contínuo e coletivo de músicos com muita dedicação e talento. Os resultados são indiscutíveis, e o apoio do público é sempre crescente. Mas ainda não somos o que queremos ser. Vamos continuar caminhando para sermos melhores", afirma o regente, também agraciado com o Prêmio Carlos Gomes e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca.
O maestro destaca, ainda, que desde sua fundação, a Filarmônica tem participado do Festival de Música Antiga, firmando uma parceria entre a orquestra e o evento, considerado por ele um dos mais importantes do país. "É um dos poucos que tem um foco muito claro, a música antiga, e a evolução é muito clara ao longo dos anos. Embora o gênero não seja nosso ‘métier’, sempre abrimos ou fechamos o festival, selando nosso reconhecimento pela importância do evento e o da organização pelo nosso trabalho e pela representatividade como uma grande orquestra mineira."
Bicentenários e brasilidade
No repertório apresentado hoje, a Filarmônica de Minas Gerais homenageia o bicentenário de dois dos maiores expoentes da música erudita mundial, Verdi e Wagner, ambos nascidos em 1813. "A abertura será ‘As vésperas sicilianas’, de Wagner, um início dramático poderoso. Já a peça de Wagner, ‘O Ouro do Reno: Entrada dos deuses em Valhalla’ tem um tom mais solene, embora não seja triste." Já as outras composições vão ao encontro da proposta de valorização do erudito brasileiro, com peças de importantes autores nacionais. "De Villa-Lobos, as ‘Bachianas Brasileiras nº 4’ têm quatro movimentos, sendo encerradas com o ‘Miudinho’, que tem caráter folclórico acentuado. Já ‘O Guarani’ é uma peça emblemática da música nacional. De maneira geral, o repertório tem um tom celebratório, festivo, que cai bem para um concerto de encerramento."
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
Hoje, às 20h30
Cine-Theatro Central
(Praça João Pessoa s/n)
