Antes de assinar no próprio nome o que viria a ser o mote de sua carreira, Kid Vinil era simplesmente Antonio Carlos, sem acento. Em 1978, com Trinkão e Ted Gaz, ele deu vida à banda Magazine, resultado de sua primeira viagem à Inglaterra, onde, naquela época, o auge do punk colocava nomes como Sex Pistols, Clash, Buzzcocks, Sham 69, entre muitos outros à frente dos reis do progressivo. Neste cenário, de pura contestação ao sistema é que nasceu o do it yourself brasileiro, ainda sufocado pela ditadura, mas enaltecido por lendas vivas como Kid Vinil. Esse era o lema do punk rock inglês, que conclamava a todos que você poderia montar uma banda mesmo se não soubesse música – algo inimaginável antes, com as virtuosísticas bandas de rock do começo dos anos 70, dispara o músico, que, por aqui, atacará de DJ e cantor amanhã.
Por meio do projeto Perdidos da noite, Kid Vinil, além de rodar nomes do universo oitentista, como New Order, Smiths e U2, crava algumas das autorais do Magazine ao vivo, numa canja durante a performance da Banda Imperial. Ainda faço banda (com o guitarrista Carlos, do Magazine, inclusive), mas não em grandes casas. O que rola são espaços culturais, por que você sabe que sem estar na grande mídia fica difícil emplacar grandes shows, reforça Kid Vinil, intérprete de grupos que vão de Ira! a Ultraje a Rigor, passando por Clash e tudo o mais que houver no estilo.
Do repertório do Magazine, ele lembra canções como Tic, tic nervoso, Sou boy, A gata comeu e Adivinhão. Todas essas fizeram sucesso nos anos 80, algum tempo depois de Kid Vinil ingressar no circuito como guitarrista da banda AI-5. (A banda) Durou muito pouco, e tempos depois o AI-5 se tornou uma instituição dos primórdios do punk nacional, comenta Kid, lembrando que esta foi a grande oportunidade para ele conhecer Trinkão, capista da Gravadora Continental e amigo de Lu Stopa, na fila do cartão de ponto. Somos uma equipe que gosta de música, por isso insisto, dando murro em ponta de faca mesmo. É difícil, principalmente para quem faz rock’n’roll no Brasil, que vem sendo, cada vez mais, dominado por axé e sertanejo, diz. Alguns mais desanimados desistiram, mas ainda acho legal. A hora que as portas se fecharem todas e o sertanejo dominar tudo, eu aposento e vou ouvir rock em casa.
Antes de se tornar conhecido pela Magazine, Kid Vinil começou suas atividades como DJ e radialista em 1979 na extinta Rádio Excelsior (SP), hoje CBN Notícias. Também atuou como DJ e radialista nas rádios Antena1 e 89 FM. Em 1987, foi contratado pela TV Cultura, também em São Paulo, para apresentar os programas Boca Livre e Som pop. Como jornalista, escreveu resenhas musicais para os jornais Folha de São Paulo, Estado de SP e Folha da Tarde e a revista Som Três durante as décadas de 80 e 90. Paralelamente, foi diretor artístico internacional da Gravadora Eldorado, o mesmo cargo que assumiu em 2000 na gravadora Trama. Não é tão fácil sobreviver de uma coisa só, mas, atualmente, tenho me dedicado ao meu próximo livro, ‘Pop corn’, previsto para sair em dois meses. Este projeto é uma tradução de um livro inglês sobre filmes de rock, com texto do Rubens Edwald Filho, detalha o músico, popular entre a nova geração por sua atuação frente ao programa Lado B na MTV e suas colunas semanais para o grupo Yahoo.
Ainda divulgando o recente CD Time was, com seu novo grupo Kid Vinil Xperience, ele confessa aproveitar a internet para escoar sua produção, apesar de não se considerar internauta full time. Na época em que discutia rock alternativo na MTV, não havia internet como hoje. O jornalismo cultural perdeu um pouco seu valor, pois não há mais tanto interesse do público, já que a rede pulverizou tudo. Cultura e contracultura, como antes, não existe. Tudo hoje é mais imediatista, e o modismo roubou a cena, opina. Ainda me concentro em pesquisa, só que voltada para meu próprio consumo, como pode ser conferido no blog (www.kidvinil.blogspot.com), sugere o colecionador de vinis Kid, adiantando que pretende trabalhar num livro sobre punk para 2012.
