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em maria antonieta a rainha da franca yure mendes trabalha pela primeira vez com escala reduzida

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Em “Maria Antonieta, a rainha da França”, Yure Mendes trabalha, pela primeira vez, com escala reduzida

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Os olhos do artista brilhavam. Suas obras não estavam trancadas em uma galeria de arte, mas em um escola, rodeadas pelo público. Bem do lado, crianças corriam e gritavam, trazendo vida. “É muito bacana fazer um projeto, colocá-lo numa galeria, mas eu acho que a obra tem que ser vista, tem que estar em locais de fácil acesso. Por isso, gosto dessa ideia de fazer uma mostra em lugares públicos. Quando uma criança vê uma exposição de arte num colégio, ela vai pensar diferente”, comemora Yure Mendes, entre as pequenas esculturas que compõem “Maria Antonieta, a última rainha da França”. Apoiada pela Lei Murilo Mendes com a proposta de ser itinerante, a individual fica no Colégio Granbery até 10 de julho e segue para a abertura do Shopping Jardim Norte, onde fica em cartaz até 29 do mesmo mês. Paralelamente, o artista ainda expõe “Olimpíadas”, uma celebração às modalidades esportivas e aos movimentos dos atletas, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas.

Acostumado a dar leveza a um material tão bruto como o ferro, Yure resolveu desafiar sua própria técnica, moldando nove esculturas em escala reduzida. Suas mãos fizeram nascer o delicado e muitas cores. “Quanto menor, mais difícil. Não sabia se o trabalho ia dar certo. Fiz o protótipo e foi tranquilo. Só depois percebi que tem toda uma construção cênica e que as peças não estavam cabendo porque o ferro tem um limite para ser soldado. Eu não queria ficar fazendo nada colado. Sem contar que, geralmente, não faço um trabalho de policromia tão elaborado. Normalmente, ele é mais rudimentar”, explica o artista, revelando encantamento pela nova criação.

“Tenho uma queda por mulheres fortes, e a Maria Antonieta sempre foi uma personagem que chamou a minha atenção, inicialmente pela extravagância, pelo excesso de luxo, pela personalidade leviana”, conta ele, que foi pouco a pouco se deixando envolver pela preciosidade que havia caído em suas mãos. “Meu amigo me deu uma biografia dela. Comecei a ler, e vi que tinha mais de Revolução Francesa na história dela do que sua própria vida. Depois, fui descobrindo que ela não queria ser nada daquilo”, arrisca Yure.

Costurando os fatos

Além de se valer do livro que recebeu, o artista recorreu a filmes, imagens e pinturas do período em que viveu a soberana. Como ela foi considerada a rainha da moda, era preciso ter um cuidado especial com os figurinos deslumbrantes. “Pesquisei muito para desconstruir. Não é uma exposição realista, apesar de eu dar atenção aos detalhes”, conta ele, que, nas peças, não retrata as expressões faciais. “Mas, ainda assim, gosto de trazer uma expressão corporal”, sentencia. Ainda que não obrigue o espectador a fazer um percurso pré-estabelecido, Yure imagina uma viagem ao século XVIII que começa com “Solidão em Versalles”, obra que traz o sentimento de estranhamento e solidão da jovem que se casou com Luiz XVI aos 14 anos de idade. Em seguida, “Quem é essa dama” tem a proposta de revelar o círculo fútil e vicioso no qual vivia a rainha. Já “Petit trianon” busca relembrar o palco de momentos felizes para Maria Antonieta.

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“Não estabeleci uma ordem cronológica, porque gosto de ver o visitante costurando os pontos”, assevera, para logo explicar que as cores não foram escolhidas por acaso. “Por que as três primeiras esculturas trazem o branco? Porque Maria Antonieta ainda era adolescente quando se casou com o Luiz XVIII, e dizem que ele demorou para consumar o casamento. O branco representa a não consumação do matrimônio”, explica Yure. “Um homem naquela época que não consumava o casamento era considerado fraco, sem autoridade. Talvez por isso ele tenha sido muito permissivo e tenha dado a ela muitas futilidades”, aponta o artista.

Continuando o trajeto, o visitante percebe que há uma ruptura entre as três primeiras esculturas e “O começo do fim.” A peça é uma releitura da tela que foi encomendada pelo rei à pintora francesa Elisabeth Vigée Le Brun, em um momento de baixa popularidade da família real. “Eles tinham quatro filhos quando a tela foi pintada, mas eles perderam um filho muito jovem. Por isso a artista apagou o bebê, e Luiz XVI fica apontando para o berço vazio. A base desse trabalho é diferente porque eu queria mostrar essa transição”, diz Yure, que prossegue com seu mergulho pelo universo da polêmica rainha com “Que comam esse bolo”, obra que traz uma rainha trajada de negro, representando o anjo da morte, “Bode expiatório”, “À espera do fim”, “Coroação” e “Rainha da moda.”

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A plasticidade dos movimentos

Em “Olimpíadas”, a intenção do artista vai para além da ideia de fazer uma celebração às modalidades esportivas. “Fiz uma homenagem ao esporte e seus atletas que dedicam suas vidas a nos presentear com competições e vitórias históricas, trazendo exemplos de superação em todos os sentidos. A plasticidade dos movimentos é algo que me surpreende com a força e leveza”, diz Yure Mendes. Em cartaz na Galeria alternativa 2 do CCBM, a mostra traz peças em tamanhos que variam de 90cm a 1,5m, representando esportes olímpicos e paraolímpicos. Quem passa por lá, além de contemplar os trabalhos, pode interagir com uma escultura composta por jogadores em um campo de futebol. De acordo com Yure, a ideia é que o público possa montar o esquema tático que desejar. Para representar cada continente, ele aposta nas cores.

Yure fez-se artista sozinho. Começou cedo e consolidou seu nome em Juiz de Fora com trabalhos, como o presépio “Ouro de Minas”, exposto na decoração de Natal de 2012, os monumentos da via-sacra do Morro do Cristo e da exposição “Casa de vó”, com peças que remetem a sua infância. Ele é um criador que está em constante criação.

YURE MENDES

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“Maria antonieta, a rainha da frança”

De segunda a sexta, das 8h às 21h. Até 10 de julho

Instituto Metodista Granbery

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(Rua Batista de Oliveira 1.145 – Granbery)

“Olimpíadas”

De terça a sexta-feira, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 18h.

Até 24 de julho

CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200 – Centro)

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