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Tuitou, dançou

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Ter os olhos voltados para o celular e esquecer o que está ao redor pode provocar não apenas acidentes de trânsito como colisões e atropelamentos, assim como outras fatalidades que justificariam a frase “a estupidez mata”; pode também resultar na maior gafe da história do Oscar. Segundo o “Wall Street Journal”, um dos responsáveis pela entrega dos envelopes com os vencedores dos Prêmios da Academia deste ano, Brian Cullinan, estava tuitando no momento em que os atores Warren Beatty e Faye Dunaway se preparavam para entrar no palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, e anunciar o principal prêmio da noite, de melhor filme – e o resultado foi a confusão que se viu no palco, com a dupla anunciando “La La Land – Cantando estações” como o vencedor da categoria, quando na verdade o prêmio deveria ir para “Moonlight: Sob a luz do luar”, erro corrigido após dois intermináveis minutos para a organização do evento.

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Ainda de acordo com o jornal americano, Cullinan – um dos sócios da PriceWaterhouseCoopers, empresa de auditoria responsável por contabilizar os votos do Oscar há mais de 80 anos – publicou diversas fotos em sua conta do Twitter durante a cerimônia, e uma delas logo após Emma Stone receber o prêmio de melhor atriz por “La La Land” – o penúltimo a ser anunciado. Com essa distração, ele teria esquecido de descartar o seu envelope (são impressos dois envelopes para cada categoria, e cada agente fica com uma cópia em uma das entradas para o palco) e o entregou para Beatty e Dunaway ao invés daquele que continha o nome da produção que levaria o prêmio de melhor filme. Ou seja: se os dois atores tivessem entrado pelo outro lado, o maior “epic fail” da história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas jamais teria acontecido.

Lentos no gatilho

A trapalhada, porém, poderia ter causado menor constrangimento. Segundo comunicado da própria PriceWaterhouseCoopers, em que pede desculpas pela confusão, tanto Brian Cullinan quanto a outra agente responsável pela entrega dos envelopes, Martha Ruiz, não seguiram os protocolos determinados para a situação com a rapidez esperada e necessária para a situação. Com isso, o que se viu foram as imagens que já se tornaram célebres para a história do Oscar: Warren Beatty e Faye Dunaway confusos ao lerem o conteúdo do envelope, os produtores e elenco de “La La Land” comemorando o anúncio, o recebimento dos prêmios no palco e mais de dois minutos de discursos de agradecimentos enquanto Martha e Brian (os únicos a saberem todos os vencedores com antecedência) tentavam entender o que acontecera, os produtores atônitos ao perceberem que não eram vencedores e o produtor Jordan Horowitz fazendo o fatídico comunicado ao microfone, para o espanto da plateia e dos milhões de telespectadores.

Além da gafe histórica, das piadas e memes na internet, a gafe de domingo pode arranhar de forma profunda a imagem da PriceWaterhouseCoopers, empresa centenária e que há 82 anos é a responsável por auditar todos os votos do Oscar, que atualmente conta com mais de 6.600 eleitores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A contagem dos votos da principal premiação do cinema, teoricamente, é um dos trabalhos menos complicados da empresa, que realiza consultoria e auditoria de balanços financeiros de grandes companhias. No caso do Oscar, ela ajuda a dar credibilidade ao processo de divulgação. Apenas dois sócios conhecem com antecedência os vencedores de cada categoria, e são eles os escalados para fazer a entrega dos envelopes e, assim, garantir a lisura dos votos. Desgraçadamente, um dos sócios conseguiu fazer com que os olhos no celular fizessem do Oscar uma festa ainda limpa, mas digna dos melhores momentos dos “Trapalhões”.

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