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O samba abre passagem

ponto do samba vai apresentar cancoes do cd e composicoes que marcaram os carnavais de jf no show desta quinta feira divulgacao

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Às 20h, Orquestra Voadora sacode a Praça Antônio Carlos (Cris Lutosa/catraca Livre)

Às 20h, Orquestra Voadora sacode a Praça Antônio Carlos (Cris Lutosa/catraca Livre)

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É hoje o dia da alegria. A programação oficial do Corredor da Folia de Juiz de Fora tem início nesta quinta-feira e vai animar os foliões da cidade até o próximo dia 6 de fevereiro, com atrações que incluem shows, desfiles de blocos e outras opções para quem não vive sem a Folia de Momo. A primeira atração do primeiro dia está agendada para as 17h, no Parque Halfeld, onde será realizado o Encontro de Tambores; pouco depois, às 18h, haverá o Desfile de Afoxé na Rua Paulo de Frontin, no Centro. Mas a noite, principalmente no carnaval, é uma criança, e, às 20h, será a vez do show da Orquestra Voadora na Praça Antônio Carlos; e a quinta-feira ainda terá festa na Toca da Raposa, na Unidos do Ladeira, com o lançamento do CD do Ponto do Samba e do livro “O samba de Juiz de Fora – Vinte biografias”, de Daniel Defilippo, Márcio Gomes e Luiz Felipe, além do Baile do Realce no Café Muzik. A Tribuna vai acompanhar alguns dos principais destaques do carnaval local, com flashes no site, impresso e transmissões ao vivo pelo aplicativo Periscope.

Das atrações marcadas para esta quinta, o show de lançamento do CD do Ponto do Samba é o que celebra a ligação entre presente, futuro e passado do carnaval de Juiz de Fora. O álbum reúne composições inéditas em matéria de registro fonográfico que abarca da década de 1930 até os dias atuais, colocando no mesmo bloco musical os irmãos Alfredo e Armando Toschi, Mamão, Carlos Fernando, Roger Resende, Kadu Mauad, João Cardoso, entre outros. Todas as músicas foram compostas por artistas locais, com exceção de “Tributo a Clara Nunes”, da compositora de São João Nepomuceno Nely Gonçalves.

Segundo um dos integrantes do Ponto do Samba, Carlos Fernando, o CD é um dos desdobramentos da transformação da iniciativa de resgate histórico dos sambas e artistas juiz-foranos – iniciada em 2012 por Roger Resende e Juliana Stanzani – em projeto de extensão na UFJF. “O Ponto do Samba tem feito esse trabalho de pesquisa na cidade desde então, com registros orais de compositores e cantores, e pesquisas em jornais do período que vai do final do século XIX até a década de 1930. Tivemos ainda apoio para realizar shows em Juiz de Fora apenas com os compositores daqui, seminários sobre o samba e também o disco que agora estamos lançando”, conta Carlos Fernando.

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Ponto do Samba vai apresentar canções do CD e composições que marcaram os carnavais de JF no show desta quinta-feira (Divulgação)

Pérolas recuperadas

Além dos quase infinitos integrantes do Ponto do Samba (Roger Resende, Armando Junior, Fabrício Nogueira, Caetano Brasil, Fernando Drummond, Mestre Jansen, Carlos Fernando, Márcio Gomes e Daniel Manganelli), o álbum conta com as participações especiais das cantoras Sandra Portella, Juliana Stanzani, Alessandra Crispin e Dionysia Moreira, além dos músicos Francis de Moura e Cleber Souza. Gravado no ano passado no estúdio Alquimia, o disco reúne compositores antigos e atuais e é marcado pela diversidade de subgêneros do samba, como o samba-canção, samba-exaltação. Entre as raridades encontradas pelo grupo, está a homenagem feita por Nely Gonçalves para Clara Nunes em 1988 e “Chegou a hora”, que Armando Toschi (o Ministrinho) cantava para chamar o desfile da Turunas do Riachuelo nos anos 30.

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“Foi numa roda de samba que o Coração lembrou dessa música e cantou-a na hora, e nós assistimos ao vídeo na internet. Procuramos o Coração, que nos contou a história, e fizemos um pout-porri com ‘Sorri’, que é do irmão do Ministrinho, Alfredo Toschi”, relembra Carlos, destacando que existe um manancial de composições não gravadas para o álbum e que poderão resultar em outros volumes do “Ponto do Samba”. “O Márcio Gomes conversou com vários compositores, gravava as conversas e pedia para eles cantarem suas músicas. São mais de 300 composições gravadas até agora de maneira informal e que não possuem registro oficial.”

Pela memória

Com tanta música disponível, o show desta quinta-feira terá não apenas as músicas que entraram no álbum, mas também muitos dos sambas consagrados na cidade. “A variedade de compositores e gêneros mostra que Juiz de Fora tem uma história musical muito ligada ao carnaval, a escolas de samba, blocos. Nossas pesquisas indicam que o carnaval tinha destaque nos jornais locais já em 1886, essa proximidade com o Rio de Janeiro fez com que a cidade tivesse essas práticas culturais modernas antes de outros municípios mineiros, assim como em outras manifestações culturais e esportivas”, pontua Carlos Fernando, ressaltando que os integrantes do Ponto do Samba planejam transformar os depoimentos coletados em um documentário sobre a história do samba em Juiz de Fora.

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