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Separadas por um lápis preto

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Como em uma escalada, o diretor teatral Tairone Vale caminhou rumo ao topo. A esquete A história do lápis nº 2, escrita e dirigida por ele, conquistou os jurados, no 4º Festival de Cenas Curtas de Juiz de Fora – cuja final foi realizada no último sábado -, abocanhando o prêmio de primeiro lugar, no valor de R$ 5 mil. Nas edições de 2011 e 2010, o diretor já havia levado para casa o segundo e terceiro lugares com Como descascar cebola sem chorar e Psicos, respectivamente. Ainda na primeira eliminatória, havia quem dissesse que a trama foi concebida para ganhar. Acho que o nosso segredo é a pesquisa. Temos visto muita montagem fora, e isso sempre ajuda. Acredito que outro dado positivo seja o nosso desprendimento, afirma Tairone. Procuro colocar bastante simplicidade em tudo que faço, ir direto ao ponto, sem firulas, confidencia.

Em cena, somente duas atrizes: Angélica Joppert e Lívia Gomes. O desafio de cada uma delas era dar vida a diferentes personagens, por meio da troca de um simples chapéu ou de uma saia. O objetivo, segundo o autor, é trabalhar com o simbólico.

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Experimentar linguagens, personagens, testar público e ideias são um dos méritos do evento, conforme observa Tairone, que pretende seguir com a montagem para outros festivais, a exemplo da esquete de 2011, que já foi apresentada em cidades como Niterói e Petrópolis. Tenho acompanhado muitas iniciativas como esta, e percebo que a meta é que elas funcionem como um laboratório para cenas que acabam virando um espetáculo. Contudo, há aquelas que nasceram para ser pequenas. É um incentivo para novos dramaturgos e uma oportunidade de reunir o pessoal que está fazendo teatro. Serve como base para experimentação. A produção é de Ana Loureiro, e a concepção sonora, de Felipe Tavares.

Da comédia ao drama

O ator juiz-forano Breno Fonseca também comemora o segundo ano de premiação. A comédia Rolhas – montagem escrita por ele, que também está em cena, e Gustavo Burla – foi agraciada com o segundo lugar (R$ 3 mil). Em 2011, Cartaz de amor ao próximo, assinada e encenada por ele, recebeu a terceira colocação. Com direção de Táscia Souza, iluminotécnica de José Eduardo Brum e cenografia de Paulo Moraes, o texto deste ano conta a história de uma jovem, que, para preencher com rolhas um recipiente presenteado pela mãe, relembra histórias de cada vinho aberto.

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O terceiro lugar (R$ 1 mil) foi para o drama poéticoSenhora da água, senhor do fogo, de Henrique Simões. Em 15 minutos, os atores Letícia Nogueira e Kleiton Machado levaram para o palco uma história de amor que se transforma em tragédia em quatro movimentos. O prêmio destaque pela linguagem cênica (R$ 1 mil) foi dividido entre A luta do senhor Jarbas contra o velho de bigodes, escrito e dirigido por Camila Damasceno, e interpretação de Breno Fonseca e Fernanda Bastos, e As sementes de aço, de Tiago Fontoura, com Rafael Coutinho e Fontoura no elenco.

De acordo com Fernanda Lauro, assistente de projetos da Funalfa e uma das produtoras do festival, a edição de 2012 ressalta a qualidade dos trabalhos apresentados. O resultado foi bem superior ao dos outros anos, achamos que os textos estavam melhores. Até tivemos dificuldades de decidir a classificação. Creditamos isso ao crescente envolvimento da classe. A ideia é despertar o desejo de expandir o projeto.

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