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De olho na selva

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Aos 33 anos de idade, Fernando Lara já passou quase metade da vida registrando em fotos e vídeos a fauna e a flora de todos os biomas brasileiros, além de executar trabalhos na Colômbia, Bolívia e países africanos como Uganda, Quênia, Ruanda e Tanzânia. Com essa bagagem, não faltam histórias para contar, como a de seu encontro a menos de quatro metros de uma onça-pintada na Amazônia, os mais de 40 dias solitários no meio da selva boliviana e a travessia da BR-319, uma das piores rodovias do país, que liga as capitais Porto Velho e Manaus. Parte da experiência foi compartilhada na última sexta-feira, quando o documentarista da natureza esteve na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), durante a XXXVI Semana da Biologia, que aconteceu no Instituto de Ciências Biológicas (ICB).

O expedicionário reflete sobre os desafios da documentação de vida selvagem no Brasil. "Somos um país que abriga parte da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, e outra grande área de riqueza biológica, que é o Pantanal. No entanto, mesmo com tanta matéria-prima, existem pouquíssimos documentaristas de natureza no Brasil. A maior parte dos trabalhos é produzida por equipes estrangeiras. Essas empresas, muitas vezes, trazem o tom sensacionalista e distorcem o comportamento dos animais, demonizando a nossa fauna e promovendo um distanciamento entre a população e a floresta."

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Em sua expedição "Rotas verdes Brasil", a maior feita no país por uma pessoa a bordo de uma motocicleta, Fernando Lara passou oito meses ininterruptos documentando sozinho espécies em 30 unidades de conservação ambiental, em 2011. Foram mais de 20 mil quilômetros percorridos em 20 estados brasileiros. As imagens da fauna, da flora, dos aspectos antropológicos e geográficos dos biomas visitados vão virar um livro, que deve ser lançado no próximo ano.

Fernando é minero de Ipatinga, mas morou em Juiz de Fora durante cinco anos, fase determinante para que decidisse seguir a carreira de documentarista. "Aos 16 anos, fui para Juiz de Fora. Nesse período que passei aí conheci Ibitipoca e, a partir daquele momento, percebi que poderia começar a documentar a natureza." A propriedade da família, na Serra dos Cocais, localizada na comunidade do Achado, no município mineiro de Santana do Paraíso, é uma espécie de refúgio do documentarista, que desde criança foi acostumado a avistar animais selvagens. O espaço, que reúne dezenas de espécies animais e vegetais da Mata Atlântica, é hoje usado para ministrar cursos de documentação e comportamento na selva.

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"Todo ambiente de floresta é hostil em potencial. Um marimbondo pode ser um problema muito maior do que uma cobra, por exemplo. Então, a partir do momento em que você conhece as limitações que tem como ser humano e os riscos reais que vai enfrentar, você encara aquele ambiente com mais segurança e tranquilidade."

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Entre as lições passadas aos seus alunos, o documentarista trabalha noções de liderança, a estrutura psicológica numa situação de risco, o comportamento de segurança, primeiros socorros, navegação, técnicas de caça, técnicas para conseguir avistar animais, além de sua maior especialidade: o rastreamento de animais selvagens. A partir do uso de técnicas como pios de vocalização de onça-pintada, jacaré, anta e pássaros, Fernando Lara consegue imagens com bastante proximidade, quase sempre sem a necessidade de captura.

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