Depois de ser indicado ao Prêmio Shell de Teatro pela direção do espetáculo Uma história oficial, Rodrigo Portella e sua companhia Cortejo voltam a apresentar a peça neste fim de semana em Juiz de Fora. A montagem, que tem texto de Portella e do ator Tairone Vale, será levada ao Centro Cultural Bernardo Mascarenhas hoje, amanhã e domingo, às 20h30. É muito bom voltar à cidade que estreamos. É o momento de quem viu revê-la com outros olhos. Nos dois anos que estamos em cartaz, o espetáculo se modifica, se transforma, ainda mais neste momento de manifestações de rua, destaca Portella.
De acordo com o dramaturgo, por onde passa, Uma história oficial tem causado identificação, o que justifica o êxito do texto, inspirado no realismo fantástico de García Márquez, Mario Vargas Lhosa e Eduardo Galeano. Discutimos muito a questão da relação de poder. O personagem central é um negro que se candidata a um cargo de prefeito de uma cidade. É uma história bastante recorrente na América Latina e que se reflete na trajetória do próprio personagem. As pessoas se reconhecem através das piadas e das ironias. De certa forma, cometemos pequenos atos corruptivos ao longo do dia sem nos darmos conta disso. Os personagens não têm muitos valores éticos, vão agindo segundo interesses pessoais e até riem disso.
Nesta comédia dramática, uma menina é vendida pela mãe, que, eternamente grávida, vende seus filhos para sobreviver, para um vendedor de bíblias. O homem acaba descobrindo na capacidade da mulher em provocar orgasmos titânicos, uma lucrativa fonte de renda. A jovem se apaixona pelo escravo do comerciante que, uma vez em liberdade, se dispõe, ao lado dela, a mudar a história daquele povoado. Além de Tairone, compõem o elenco Marcos Bavuso, Lívia Gomes e Bruna Portella.
A peça marca o início dos trabalhos da trupe, criada em 2010, e é composta por atores juiz-foranos e de Três Rios. No projeto inicial, contou com aprovação nos editais de Montagem de Artes Cênicas da Secretaria do Estado de Cultura do Rio de Janeiro e com apoio da Lei Murilo Mendes de 2011. Já passou por Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Uma das mais importantes honrarias do teatro Brasileiro, o Prêmio Shell contempla os espetáculos que cumpriram temporada no primeiro semestre de 2013, nas capitais fluminense e paulista. Em dezembro, o público deve conhecer os indicados do segundo semestre. Os vitoriosos serão agraciados no início de 2014.
Conquistamos um valor simbólico, mas também prático. As pessoas abrem portas. Além de conseguir uma indicação para o prêmio, a companhia passa a poder discutir um cachê mais alto, comenta Portella.
UMA HISTÓRIA OFICIAL
Nesta sexta, sábado e domingo
Às 20h30
Centro Cultural Bernardo Mascarenhas
(Av.Getúlio Vargas 200)
