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Ninguém é mineiro impunemente

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Ao começar o livro De Minas para o mundo, a jornalista Leda Nagle tinha em mente duas frases. A primeira delas é de autoria da juiz-forana Rachel Jardim no livro Os anos 40. Não se é mineiro impunemente e não se recupera nunca de se ter sido, escreveu a autora. A mesma ideia ecoa na afirmação do poeta Carlos Drummond de Andrade, que disse: a gente sai de Minas, mas Minas não sai da gente. Essa também é a verdade da apresentadora do Sem censura, que, apesar de morar no Rio de Janeiro há mais de 30 anos, ainda conserva muito de sua mineirice, assim como os 80 entrevistados presentes no livro que a jornalista lança hoje, às 19h, no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). Os mineiros são desconfiados, não acreditam em lanche grátis e são mineiros em qualquer momento, lugar ou direção, comenta em entrevista por e-mail a Tribuna. Antes da noite de autógrafos no museu, Leda Nagle grava seu depoimento para o projeto Diálogos abertos.

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Em De Minas para o mundo, a jornalista costura bate-papos com personalidades da cultura, políticos e outros mineiros que tiveram destaque no cenário nacional. A primeira entrevista feita para o livro aconteceu no Edifício Clube Juiz de Fora, com o ex-presidente Itamar Franco. A essa conversa foram se somando outras com personalidades como as cantoras Ana Carolina e Fernanda Takai, o atleta Giovanni Gávio, os atores Lima Duarte e Priscila Fantin, o escritor Affonso Romano de Sant’Anna e os músicos Milton Nascimento e Wagner Tiso. Segundo Leda, todos os entrevistados revelaram um jeito mineiro de ser em comum, confessando-se observadores, desconfiados e arredios. Além disso, segundo a jornalista, todos levam Minas no jeito, no gesto e no coração.

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Entre o mar e as montanhas

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Apesar de não esconder sua porção carioca, após 30 anos de vida no Rio de Janeiro, Leda afirma que mantém referências eternas em Juiz de Fora, resultado de vivências importantes em seus anos de formação. Na cidade, graduou-se em comunicação social na UFJF, passou pelo Grupo Divulgação, viveu seus primeiros amores e, como diz na apresentação de seu blog, aprendeu a dirigir carro, caminhão e trator. Esse aprendizado, particularmente, deveu-se a um namorado, filho de fazendeiro, que tinha uma frota dessas máquinas. Naquela época, adorava dirigir e descobrir aquele universo dos chamados veículos pesados, conta.

Se Leda Nagle teve suas bases em Minas, foi no Rio de Janeiro que despontou como jornalista. Primeiramente, no comando das entrevistas de sábado do Jornal Hoje, da Rede Globo, e depois em passagens por outras emissoras, como a extinta Rede Manchete, o SBT e a TV Brasil, onde ancora o Sem censura há 15 anos.

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Também como boa juiz-forana, apaixonou-se perdidamente pela capital fluminense, cidade que assumiu como sua, dando exemplo de cidadania, aliás. A apresentadora é assídua participante de campanhas e diferentes mobilizações pela Cidade Maravilhosa, uma metrópole que, segundo ela, a acolheu sem maiores traumas. O Rio é especial exatamente por isto, recebe gente de todas as partes, mas não cobra pedágio na adaptação. Todos reclamam de tudo, mas todos amam o Rio, ao mesmo tempo em que conservam sua essência, seja ela mineira, gaúcha, baiana. Sem conflitos, nem dramas.

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Do outro lado da bancada

A mudança para o Rio e a juventude em Juiz de Fora serão assuntos do depoimento de Leda ao projeto Diálogos abertos. Durante as gravações, a jornalista passa à condição de entrevistada, respondendo perguntas do colunista e diretor da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), Douglas Fasolato, dos jornalistas Adilson Zappa e Eduardo Leão e de Marcelo de Paula Martins.

Quando está do outro lado da bancada, a entrevistadora aposta em um clima descontraído, receita que vem dando certo há mais de uma década e que resiste ao ritmo acelerado e excessivamente editado que outras atrações do gênero assumiram nos últimos anos. Nem sinto o tempo passar, podia durar até mais. Acho que o clima do programa, de conversa, por reunir vários assuntos e pessoas diferentes, está entre as razões da longevidade, e espero que ainda continue por muitos anos.

Em seu segundo livro, Leda parece ter tomado gosto pelo ramo editorial. Apesar de não ter outro projeto no horizonte, acredita que novas ideias para livros de entrevistas devem surgir. Enquanto isso, controla a ansiedade antes de apresentar seu trabalho mais recente aos seus conterrâneos. Sempre queremos fazer o melhor na nossa ‘aldeia’. Queria muito lançar o livro em Juiz de Fora. A expectativa é a melhor possível, espero ter muita alegria.

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