"Queria fazer um festival de jazz que tivesse a natureza como cenário, para que a música e a paisagem constituíssem um momento especial da vida do público", conta o idealizador do Ibitipoca Jazz Festival, Hérmanes Abreu. Na edição deste ano, o encontro de músicos do gênero acontece hoje e amanhã. De fato, ao longo dos 13 anos de evento, não apenas a plateia vem se encantando pelo jazz interpretado por músicos do cenário nacional e internacional nas montanhas, como pretendia Hérmanes, mas o próprio gênero vem ganhando maior espaço na região. "Estávamos carentes de um evento de jazz não apenas aqui, mas em todo o Brasil. De cinco anos para cá, houve um aumento muito significativo do púbico. Atualmente, em todos os estados, há pelo menos um festival de jazz."
Parte desta popularidade, segundo Hérmanes, vem de uma evolução do próprio gênero, que permite o exercício da liberdade criativa na música, mesclando-se bem com outros gêneros. É o que também argumenta a instrumentista Áurea Regina, ganhadora de um Emmy pela composição de uma trilha sonora, que se apresenta na noite de sábado, ao lado de Dudu Lima e o trio que o acompanha. "O jazz virou um signo musical extremamente amplo, transcendendo o status de gênero. Ele permite liberdade e aproximação com diversas formas musicais que tenham qualidade e sejam sensíveis a sua essência, sempre com disciplina e respeito à técnica."
Dudu e Áurea apresentam novas canções, frutos de uma parceria que já deve render uma turnê após o festival. "A Áurea é uma grande instrumentista, e estamos fazendo novas experimentações sonoras. O entrosamento dela com o trio foi perfeito, e isso acaba transparecendo para o público", destaca Dudu. Ainda no sábado, o pianista Marvio Ciribelli se apresenta com o bandolinista, violinista e guitarrista Sérgio Chiavazzoli, diretor musical de Gilberto Gil. "O show do festival é baseado nos meus dois últimos discos, dos quais o Sérgio participa. Vamos interpretar músicas genuinamente brasileiras com a liberdade e a sensibilidade intrínseca à linguagem jazzística."
Quem abre a temporada musical na serra é o pianista juiz-forano Fabiano Castro, que vive em São Paulo e lança, em Ibitipoca, o CD "Lá do alto do morro". "São onze composições minhas, e eu acompanhei e liderei todo o processo de produção. Há dois e anos e meio venho trabalhando com dois grandes músicos e amigos, e poder apresentar isso em Ibitipoca, que dá um charme extra ao festival, é muito gratificante." A noite de sexta será fechada pelo idealizador do evento, com a participação do amigo Dudu Lima. "Vou lançar o álbum "Correnteza", com composições minhas, arranjos elaborados e participação de um quarteto de sopro", adianta Hérmanes, violonista formado pela Berklee College of Music, de Boston (EUA).
Hoje e amanhã, às 21h30
Serra do Ibitipoca Hotel de Lazer
(Rua Lavapés s/n, Ibitipoca)
