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Todas as épocas e lugares

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Desafios do tempo e do espaço aguçam a criatividade do grupo Doulce Mémoire. Com um repertório renascentista, interpretado com instrumentos de época, os franceses tem no currículo concertos em locais nada usuais. Os músicos já se equilibraram em uma barcaça no Tahiti, enfrentaram o ar rarefeito de quatro mil metros acima do nível do mar na cidade de Quito, no Equador, e atraíram a atenção pública em uma esplanada em frente a um cinema parisiense. Hoje à noite, a trupe exibe sua arte em um cenário mais convencional, mas não menos interessante, a Igreja do Rosário. Atração do 22º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, o espetáculo tem entrada gratuita.

O repertório compreende obras que vão do século XV ao XVII, incluindo composições de Praetorius, Janequin e Guédron, além de canções de autores anônimos que se perpetuaram. Contando com sete integrantes, o grupo foi criado pelo flautista e musicólogo Denis Raisin Dadre, em 1990. Nesses 20 anos de trajetória, o músico continua vasculhando bibliotecas e arquivos na Europa em busca de obras inéditas e informações sobre instrumentos, coreografias e costumes que podem contribuir nas performances do grupo. O trabalho rendeu a Dadre o título de "Cavaleiro das artes e das letras", conferido em 1999 pelo ministro francês de cultura.

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Além de se apresentar em países do mundo todo, o grupo mantém o hábito de se envolver musicalmente com as comunidades. Nesse intuito, já participaram de um treinamento para corais amadores na Bolívia, que incluía índios. A mistura de culturas também se deu nas apresentações, como nos espetáculos em parceria com a companhia Han Tang Yuefu, de Taiwan, com o grupo de dança italiano Il Ballarino, os cantores britânicos do Cardinall’s Musick e os dançarinos espanhóis de flamenco. Em Juiz de Fora, os instrumentistas oferecem amanhã uma master class aos alunos do festival do Pró-Música.

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