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De tão ruins, eles chegam a ser bons

guilherme manda para as lojas a historia de valter dono de locadora que tenta combater o crime em sp

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Guilherme manda para as lojas a história de Valter, dono de locadora que tenta combater o crime em SP
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Guilherme manda para as lojas a história de Valter, dono de locadora que tenta combater o crime em SP

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Valter é o dono de uma locadora falida que tenta combater o crime em São Paulo. Aficionado pelos heróis dos longas de ação da década de 1980 e 1990, seu único poder é ter assistido a todas as produções da época. É com essa espécie de Dom Quixote brasileiro que o jornalista e escritor Guilherme Solari revisita os inesquecíveis personagens de filmes que marcaram sua infância. “Deixando bem clara a diferença da escrita de Cervantes para a minha, a obra que mais me influenciou neste livro foi “Dom Quixote”, que era uma espécie de primeiro nerd. Ele era aquele cara que começava a ler livros de cavalaria, o que seria mais ou menos os filmes de ação. Seria essa literatura fantasiosa, para a qual o pessoal torcia o nariz”, diz o autor de “As crônicas de cascavel” (332 páginas).

Esse protagonista criado por Guilherme é sedentário e mimado pela mãe. O que o faz sair por aí colocando em prática as artimanhas que aprendeu nos filmes de Van Damme, Stallone, Bruce Willis, Chuck Norris, entre outros, são os inúmeros assaltos que sofreu. Um deles, inclusive, culminou com a morte de Charles Bronson, sua tartaruga de estimação. “Ele é bem um alter ego meu. Coloquei nele, de um modo bem-humorado, toda a minha nostalgia. Tive a ideia desse justiceiro meio mambembe quando vi uma notícia real de uma locadora na Zona Norte de São Paulo. Isso já faz algum tempo. Ela foi assaltada seguidas vezes, ao longo de alguns meses, pelo mesmo assaltante”, conta o escritor.

A aventura ganhou famosas citações de filmes do gênero. “Hasta la vista baby?”, dita por Schwarzenegger em “O exterminador do futuro”, e “Quando eu terminar você vai comer raios e cagar trovões”, de “Rocky, um lutador” são algumas delas. De acordo com o escritor, a preocupação, ao escrever “As crônicas de cascavel”, era não fazer uma sátira muito escrachada. “Mas é para ser bem engraçado, porque esses filmes, muitos deles, quando a gente vê hoje, têm aquela nostalgia. São tão ruins que ficam bons. É o tipo de produção que você chama os amigos, pega uma cerveja e dá risada de tão absurdo que é aquilo”, comenta ele, intitulando-se um leitor compulsivo. Nenhuma literatura passa imune diante de seus olhos. “Gosto de variar bastante. Leio desde livros bem nerd até os mais bizarros. Por exemplo, há um tempo, li um estudo matemático do conto “A Biblioteca de Babel”, do Borges.”

Assim como sua cria, Guilherme também é um apaixonado por locadoras. Para ele, cada vez mais raros, esses espaços deixam um quê de saudade em quem passou a adolescência discutindo cinema em meio às fitas VHS. “Naquela época, você ia à locadora, escolhia o filme, e aquilo seria seu fim de semana. Você não sabia nada sobre o filme antes, não tinha internet, não tinha nada. O legal dessa atmosfera é que você se arriscava. A locadora era um lugar onde as pessoas se reuniam para conversar sobre filme, perguntar para o pessoal do balcão se ele era bom ou não”, afirma. Desde 2005, Guilherme Solari alimenta o blog literário tavernafimdomundo.com. Ele também é autor do livro “Quando os pesadelos acordarem”, cuja história gira em torno de um terremoto que abriu rachaduras na capital paulista e destruiu a eletricidade da cidade.

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