Ícone do site Tribuna de Minas

Memória da Sétima Arte

sergio alessandra e luis alberto comandam projeto de pesquisa da historia do cinema em minas

sergio-alessandra-e-luis-alberto-comandam-projeto-de-pesquisa-da-historia-do-cinema-em-minas

Sérgio, Alessandra e Luís Alberto comandam projeto de pesquisa da história do cinema em Minas
PUBLICIDADE

Sérgio, Alessandra e Luís Alberto comandam projeto de pesquisa da história do cinema em Minas

PUBLICIDADE

Um grupo de professores do curso de cinema e audiovisual e do programa de pós-graduação em artes, cultura e linguagens do Instituto de Artes e Design da UFJF tomaram para si uma missão: mapear e disponibilizar ao público a memória da atividade cinematográfica do estado, incluindo aí produção, exibição, distribuição de filmes, produção crítica, recepção e publicações sobre o cinema desde os seus primórdios, em 1897, até a década de 1960. Com o nome “Minas é cinema”, a iniciativa vem digitalizando diversos documentos pesquisados nas cidades mineiras e disponibilizando o material na internet (www.ufjf.br/minascinema). Apesar de já estar em atividade desde 2013, o lançamento oficial do projeto será feito nesta sexta-feira, às 14h30, no Anfiteatro Geraldo Pereira, no IAD, na UFJF. Na ocasião, a professora e pesquisadora Sheila Schvarzman vai apresentar a palestra “Historiografia do cinema brasileiro: Desconstruir a história no singular e escrever a história no plural”.

Com os colegas Luís Alberto Rocha Melo e Sérgio Puccini, Alessandra Brum integra o grupo de pesquisa CPCine: História, estética e narrativas em cinema e audiovisual, que comanda as pesquisas e conta com o auxílio de três bolsistas de iniciação científica. Segundo ela, o projeto surgiu em 2012 e, a partir do ano seguinte, passou a receber financiamento da Fapemig e CNPq, além das pró-reitorias de pesquisa da UFJF. Como a iniciativa é ambiciosa, a pesquisa foi dividida em etapas, que contemplam regiões específicas de Minas. A primeira, pela proximidade, foi a Zona da Mata. “Já procuramos material em Juiz de Fora, Carangola, Cataguases, Muriaé e Leopoldina. A segunda fase ainda vai contemplar Juiz de Fora e Cataguases, por encontrarmos mais informações que o previsto, mas iremos até Além Paraíba, Ubá e outra cidade a ser definida”, conta Alessandra Brum. “Fizemos o recorte de 1897 até os anos 60, para saber como era a produção cinematográfica local, se havia publicações específicas. Para nossa surpresa, encontramos bastante coisa.”

Entre os achados do grupo, há publicações quase centenárias. Ao procurarem os governos municipais, colecionadores particulares e a própria internet (“mas sempre procurando confirmar as informações publicadas na web”), eles se depararam com achados como boletins com as programações dos cinemas de Muriaé, alguns de 1917 e 1918, que ajudam a entender o tipo de produção que interessava o público da época. “No caso de Juiz de Fora, a descoberta mais importante foi a revista “Torre de marfim”, publicação da Igreja Católica que era desenvolvida no Colégio Academia. E havia outro periódico local, o “Lar católico” , que tinha uma coluna sobre cinema e que circulava para todo o Brasil.”

Parte considerável do material digitalizado já se encontra na página do projeto. “A gente sabe que a questão da conservação no país é muito complicada, ainda mais em cidades do interior. Além de compartilhar o material, esperamos que outras pessoas possam contribuir com seus arquivos. Tivemos muito apoio do poder público e de particulares nas cidades em que já passamos”, acrescenta Alessandra. “Qualquer pessoa pode ajudar na iniciativa, como alguém que teve um parente que trabalhava em cinema e tem fotos dessa época guardadas, folhetos, etc.”

PUBLICIDADE

A pesquisa desenvolvida pelo grupo conta, também, com a lista de cinemas que no passado levavam multidões às suas salas, sem se esquecer dos atuais. Em Juiz de Fora, por exemplo, foram listados 23 cinemas que não existem mais, em contraponto às 14 salas reunidas em quatro pontos da cidade. Já em Muriaé, os dez cinemas foram reduzidos a uma única sala, mas a situação mais triste é em Leopoldina: de acordo com o “Minas é cinema”, os dois espaços que funcionavam no município fecharam suas portas, e apenas a Casa de Leitura Ly Botelho realiza exibições eventuais.

Registros escritos e orais

Além do site, o “Minas é cinema” já articula a publicação de um livro sobre o cinema em Juiz de Fora. “Encontramos muita gente que já pesquisava sobre o cinema na cidade e estamos organizando o livro como objeto de divulgação, reunindo esses trabalhos”, diz Alessandra. Entre os temas pesquisados, estão a chegada do cinema à cidade, a ligação de Pedro Nava com a sétima arte, a atividade cineclubista local, a revista “Torre de marfim”, o cenário contemporâneo, entre outros.

PUBLICIDADE

Além do levantamento do material, o grupo está realizando diversas entrevistas por meio do Laboratório de Narrativas Audiovisuais (Lanav), para preservar por meio de som e vídeo as histórias contadas por cineastas, técnicos e pesquisadores ligados à atividade cinematográfica em Minas Gerais e no Brasil.

MINAS É CINEMA

Lançamento do projeto e palestra com Sheila Schvarzman

PUBLICIDADE

Sexta-feira, às 14h30

Instituto de Artes e Design (IAD)

(Campus da UFJF)

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile