
Há 15 anos, o JF Rock City fazia sua estreia como um evento feito para quem o produz mesmo. Uma turma queria e precisava tocar e ser ouvida. O rock na cidade, naquela época, enfrentava falta de espaço, então: “faça você mesmo” esse espaço. E ele foi crescendo, certamente. Luqui di Falco, músico, produtor e um dos idealizadores do evento, diz que a partir da oitava edição a mudança foi nítida: as bandas passaram a ter mais estúdios onde ensaiar, lugares temáticos foram abertos, discos começaram a ser lançados. Já são, agora, quase três gerações de bandas locais e da região que começaram a fazer público no festival, que, além de reunir os diversos estilos que o rock abraça, unia os bares que fazem essa produção circular. Para essa data de comemoração e retomada, nada como um festival estendido, que relembra a tradição criada e, também, instaura novas modalidades de acesso.
Em junho de 2019, o JF Rock City fez sua última edição presencial que já trazia os moldes dos primórdios: pulverizar as apresentações entre os bares da cidade. Nessa mesma edição, eles tiveram recorde de shows: foram 32 em menos de dez dias. “A gente é um festival pioneiro desde o começo. E a gente quer trazer, agora, o pioneirismo digital”, antecipa Luqui. Neste ano, o festival vai ser estendido, durando de junho a setembro, com apresentações mensais que mesclam bandas locais com outras de alcance internacional, além de outras iniciativas. Mas a chave de tudo é a implementação digital: uma ideia antiga, mas que ganhou corpo na pandemia, com a criação do JF Rock City TV. “Foram dez meses no ar para mostrar que o JF Rock City TV é um projeto sequencial, que veio para ficar e somar no festival”, garante o idealizador.
Mas o braço on-line do festival, de acordo com Luqui, não representará, nesta edição, apenas transmissão de shows. A proposta é promover um conteúdo exclusivo para quem decidiu ficar em casa, com bate-papos entre os âncoras do evento e as bandas do line-up, além dos games com os artistas que marcaram a programação na pandemia. Nas semanas anteriores aos eventos, podcasts serão produzidos com figuras locais. “É como um circuito que a gente quer promover, mas sempre, claro, privilegiando a experiência do ao vivo, porque um festival precisa disso”, explica.
Quatro meses de evento
Para dar início à 15ª edição do JF Rock City, o primeiro evento está marcado para 16 de junho, véspera de feriado, tendo o Angra como show principal. A banda vem a Juiz de Fora para fazer a turnê de 20 anos do disco “Rebirth”. Além deles, mais outros sete grupos tocarão nos três palcos do Cultural Bar. Um mês depois, em 16 de julho, ainda nas comemorações pelo Dia Mundial do Rock, celebrado no dia 13, o evento vai reunir apresentações de covers das principais bandas do mundo, também no Cultural.
Já em agosto, é Edu Falaschi, ex-vocalista do Angra, quem faz show no JF Rock City, com mais outras bandas locais. Em setembro, no encerramento, o festival irá do dia 6 ao dia 10, trazendo de volta as características do começo. Um dos shows confirmados é do Matanza Ritual – banda do ex-vocalista do Matanza, Jimmy Longon, que encerrou as atividades em 2018.
Desde a oitava edição, o festival adota iniciativas solidárias, com doação de alimentos para a população carente e para animais abrigados. Neste ano, não vai ser diferente. O público é convidado a, no dia dos eventos, levar a quantidade de alimento que puder para doar às instituições parceiras da marca. A ideia também neste ano é estender o tipo de arrecadação para conseguir outros produtos. Por isso, o lema desde 2018 é: “Rock pela vida”.
“Curadoria sensível”
Um outro braço do JF Rock City encabeçado por Luqui é a pesquisa “JF Digital – Top charts”, que busca mapear a atuação dos músicos juiz-foranos no mercado digital. Ela foi lançada em 2020 pela plataforma e, de acordo com o produtor, seu resultado já pode ser visto na curadoria desses eventos. “A curadoria é fruto dessa pesquisa e da importância que a gente traz de fazer com que os músicos daqui sejam ouvidos. As bandas que a gente traz no line-up têm perfil direcionado no streaming. O nosso foco é na curadoria sensível.”
Desde o começo, a proposta foi de unir grandes nomes com bandas locais. Isso, para Luqui, impulsiona o crescimento dos músicos de Juiz de Fora. E por esse mesmo motivo eles buscam reunir os diversos estilos do rock. “O artista local precisa crescer. A gente quer ajudar os músicos a encontrar sua área neste catálogo que existe. Nossa filosofia é misturar tudo de uma maneira inteligente para mostrar que os encontros são possíveis.”

