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‘Nossa cidade só pode crescer se tivermos leitores contínuos’

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Sempre ao lado da inseparável amiga, Leila Barbosa, a professora e escritora Marisa Timponi nunca para de agir. Quando menos se espera, surge uma nova obra dentro do trabalho que as duas desenvolvem sobre a “História literária de Juiz de Fora”. A próxima peripécia é o lançamento do projeto “Biblioteca estante”, que será montada de terça a domingo, a partir da primeira semana de março, no Clube Cascatinha. Focando, principalmente, no público infantil, a ideia é que os pequenos dividam os momentos de lazer com a leitura. Na entrevista concedida ao programa “Sala de leitura” (sábado, às 10h30, e segunda, às 14h30, na Rádio CBN Juiz de Fora), e transcrita na edição de hoje do Caderno Dois, a autora conta que a iniciativa começou a se tornar realidade com uma tiragem de 50 livros publicados pela Lei Murilo Mendes e doados a elas pela Funalfa.

Também entre seus próximos projetos está o lançamento do livro “O processo da invenção na busca da liberdade (uma leitura crítica da poética de Murilo Mendes)”, resultado do trabalho de mestrado que Marisa defendeu na UFF e que deve sair do forno até maio, com apoio do fomento municipal. “Era importante que eu trouxesse a público um trabalho que é desconhecido por muita gente. Muitas pessoas sempre me solicitaram isso. Dei um tratamento ao texto e trago minhas considerações mostrando esse difícil processo da construção da poesia muriliana”, comenta Marisa, envolvida, ainda, no I Concurso de Contos Wilson de Lima Bastos, promovido pela Academia Juiz-Forana de Letras, da qual ela é vice-presidente.

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“Esse evento nasceu para estimular a produção literária da cidade, da região e do país. Nosso objetivo é sensibilizar a área cultural a escrever sobre o tema Juiz de Fora. A obra deve ser original e inédita”, explica a imortal. Os textos devem ser encaminhados, até 15 de março, para a sede da instituição (Rua Halfeld 805, sala 403 – Centro – CEP: 36010-003). Regulamento completo disponível em

– Tribuna – Seu próximo livro sai, em breve, pela Lei Murilo Mendes. O que você traz de novo sobre a “História literária de Juiz de Fora?”

– Marisa Timponi – Eu e Leila (Barbosa) estamos focadas neste livro, que é o resultado de um estudo que faço há mais de 40 anos sobre Murilo Mendes e que nasceu do que foi a dissertação de mestrado que desenvolvi na UFF. Foi uma ousadia minha. Tomei como corpus toda a poesia de Murilo Mendes. Vou desde “Poemas”, que é seu primeiro livro, publicado ainda aqui em Juiz de Fora, até “Ipotesi”, que é o último livro dele, publicado em italiano e que mostra essa angústia do Murilo perante o mundo, a contemporaneidade com tanta violência, com tanta agressão, o que o fazia sofrer tanto. Ao mesmo tempo, faço uma amostragem do que é esse processo de criação muriliana que encanta e intriga tanto pela dificuldade que alguns têm em entendê-lo.

– Vocês duas também estão prestes a inaugurar o “Biblioteca estante”. Como vai ser o projeto?

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– Estamos conversando com o Clube Cascatinha sobre o processo da “Biblioteca estante” desde o ano passado, quando conversamos com o Toninho Dutra, superintendente da Funalfa, sobre formas de estimular a leitura na cidade. Sou frequentadora do clube e vejo que a hora de lazer das crianças poderia ser investida na leitura, e essa biblioteca é o que há de mais novo, de mais ágil hoje. É uma forma de ciranda de livros, em que a pessoa pode ler sem maiores problemas. O leitor poderá levar o título para casa.

– Seguindo a linha do trabalho que vocês desenvolvem, a ideia é que o acervo contemple a literatura somente de Juiz de Fora?

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– O projeto está dentro do nosso propósito de divulgar, de novo, a literatura de Juiz de Fora. A ideia é que tenha bastante livro que atenda as crianças. Já conversamos com a Vó Filó, que é a Magda Trece, e com a Margareth Marinho, para apresentar o projeto “Caça ao Saci”. Estamos convidando a Gisela Barbosa e a Fernanda Cruzick para apresentarem o livro delas, e a Maria Helena Sleutjes, que levará seus livros infantis, que são muito bons. Queremos ter uma atividade todo mês dentro da biblioteca.

– A cidade é carente de iniciativas que estimulem a leitura?

– Quanto mais você disponibiliza livros, cada vez mais você tem esperança de um país melhor. Nossa cidade só pode crescer se nós tivermos leitores mais contínuos. Acredito que a situação só muda com a educação, é por aí que eu invisto. Essa é a minha maneira de colaborar. Já conversamos sobre a proposta de fazer a “Biblioteca estante” nos pontos de ônibus e em praças. É uma linha que a gente ainda vai atingir, espero que não demore muito a acontecer.

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