Ícone do site Tribuna de Minas

Museu Mariano Procópio vive incertezas após demissão de diretor

antonio carlos duarte by olavo
Em carta, Antônio Carlos Duarte informou sobre seu desligamento; prefeito reconhece não ter confirmado decisão de incorporação do museu à Funalfa com diretor, e Conselho de Amigos do museu se reúne nesta segunda para discutir assunto (Foto: Olavo Prazeres)
PUBLICIDADE

Sem diretor desde o último dia 21, quarta-feira, o Museu Mariano Procópio enfrenta um momento de grandes incertezas. Além das dúvidas acerca da incorporação da Fundação Museu Mariano Procópio à Funalfa, a instituição que preserva a coleção de Alfredo Ferreira Lage (1865-1944) amarga o pedido de demissão de Antônio Carlos Duarte, entregue ao Prefeito Antônio Almas logo depois do anúncio da proposta de reforma administrativa do município. Nesta segunda, 26, o Conselho dos Amigos do Museu se reúne para debater o assunto e, possivelmente, indicar a lista tríplice, para que Almas escolha o novo diretor. Segundo Lucas Marques do Amaral, presidente do conselho, na ocasião também pode haver a decisão de pedido de reconsideração de Antônio Carlos. “O museu não pode ficar sem diretor”, pontua Amaral, há mais de duas décadas integrando o grupo e, desde março de 2017 no cargo de presidente.

Na quinta-feira passada, 22, Amaral conta ter recebido um telefonema do setor administrativo do Museu Mariano Procópio, indicando a urgência da leitura de uma correspondência. A missiva, assinada por Antônio Carlos, expunha o pedido de exoneração, justificando ter tomado conhecimento da fusão do Mapro à Funalfa através da imprensa. Na redação, o então diretor-superintendente ainda caracterizou como irrevogável sua decisão. “Reagi com tranquilidade. Já passei da idade de levar susto”, diz Amaral, pontuando nunca antes ter presenciado tal situação. Em nota, a Prefeitura confirma a reivindicação de Antônio Carlos: “No momento da elaboração da reforma, essa possibilidade foi justificada para representantes da direção do Mapro e do Conselho de Amigos do Museu, porém o prefeito Antônio Almas reconhece o equívoco de não ter confirmado a decisão a eles antes do envio do projeto à Câmara e apresentação à imprensa.”

PUBLICIDADE

Ainda na nota da PJF, que defende a formulação de uma nova lista tríplice “para que não haja descontinuidade no processo de gestão e ações para a plena reabertura do Museu Mariano Procópio”, o motivo da incorporação da instituição de memória ao órgão gestor da cultura na cidade é o anseio de “conferir ao Museu maior estrutura para obtenção de recursos e viabilização, além de unificar a política de cultura no município”. Para Lucas Amaral, a questão é complexa e exige reflexões profundas. “Não entendo como pode uma fundação como a do museu pertencer a outra fundação como a Funalfa. Acho que não deveríamos perder o organograma do museu. Entendo que a cidade não tenha dinheiro, não podemos exigir isso, mas o ideal seria manter a estrutura implantada por Mello Reis na gestão do museu. Foi um projeto muito bem pensado”, avalia.

Com 30 cadeiras, o Conselho dos Amigos do Museu, formado por profissionais de diferentes setores sociais – do médico Renato Villela Loures, provedor da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, ao arcebispo metropolitano de Juiz de Fora Dom Gil Antônio Moreira -, existe desde a década de 1930, mas com uma atuação limitada. “Não compete a nós apontarmos como a Prefeitura deve administrar o museu. Cabe a nós gerar a lista tríplice. E isso tem feito com que seja preservada a doação do Alfredo Ferreira Lage”, explica Amaral, ressaltando que cabe ao conselho, inclusive, deliberar sobre a saída de quadros para restauração, como tem ocorrido nos últimos tempos. “Ele foi criado para que tomasse conta do cumprimento das cláusulas de doação”, acrescenta. Procurado pela Tribuna, o ex-diretor Antônio Carlos Duarte, cuja exoneração ainda não foi publicada no Diário Oficial, não atendeu e não retornou as ligações.

Sair da versão mobile